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terça-feira, 5 de julho de 2022

Uma igreja calada

"Hoje a igreja está desesperadamente necessitando de entendimento a respeito dos tempos e da habilidade de responder adequadamente."

Este trecho é de Joel Richardson em Quando um Judeu Governar o Mundo, certamente o autor diz mais a respeito dos tempos, mas eu tenho pensado já faz um tempo, e por isso a frase me saltou aos olhos, sobre a habilidade de responder adequadamente. Ou a falta dela.

Muitos cristãos, vez ou outra se destacam com por suas falas polêmicas, suas defesas vociferadas aos gritos, ou suas acusações ao mundo, condenando-lhes ao inferno e exaltando a si. Infelizmente cada vez mais comuns. Essas falas no entanto, não são institucionais, assim como as vozes, que cautelosamente tentam o diálogo, buscam conversar, mostrar seus pontos, e até abraçar.

Mas e a igreja, tem se ajuntado a qual dos coros? A igreja, na verdade, está calada. Perdeu a sua habilidade de comunicação.

A igreja se cala diante das perguntas que a bíblia não traz uma resposta tão clara. Ou que não agrada tanto. Se escondendo na correria da vida, nos escândalos de alguns, ou dentro de si mesma. A igreja se tornou inacessível, um grande clube para os que falam sua língua, mas para aqueles que perguntam, a resposta é o silêncio.

A igreja se cala diante das acusações. Algumas com aparente razão, porque a mensagem da cruz é realmente loucura para quem está de fora, então desagradar ao mundo enquanto se é fiel à palavra de Deus é perfeitamente normal, e quando as acusações são contra os nossos princípios, a igreja deveria argumentar, mostrar porque pensa e age de tal forma, apresentar os princípios e preceitos de Deus que justificam a discordância entre igreja e mundo. Mas na verdade se cala.

E muitas das acusações do mundo são realmente plausíveis, se envergonhar e se arrepender deveria ser seguido de um pedido de desculpas, de uma explicação, mudança de comportamento. E não de se ajuntar e se proteger dentro de seu silêncio, guardar seus erros, seus líderes, seus escândalos, acumulando enganos e não os tratando institucionalmente.

A igreja se cala diante dos conflitos, uma igreja covarde, uma igreja entre a cruz e a espada, que não quer desagradar a Deus nem aos homens, tornando-se fraca, sem personalidade, e desenvolvendo filhos que não sabe lidar com os assuntos difíceis, que se perde quando confrontado, ou que quer resolver no grito, sem argumentos, porque pouco conhece a respeito da postura cristã.

Uma igreja que muitas vezes se ausenta de aprender e de ensinar, afastada da realidade do mundo, sem diálogo, uma igreja calada. Que sem o outro vai se perdendo dentro de si mesma, uma igreja doente...

Mas é tempo de cura, é tempo de reconhecer que não sabe e aprender, reconhecer que está há tempo demais guardada em seus templos e aprender a conversar, tempo de quebrar os muros e construir pontes. Não para aceitar as vontades do mundo, não para abraçar os pecados, mas para ouvir, para abraçar pecadores, inclusive os de dentro que precisam se refazer, mas abraçar para tratar, aprender a falar não para acusar, mas voltar a anunciar as boas novas a todos, falando na língua de quem ouve, alcançando às necessidades daqueles que ainda tentam dialogar conosco e estão dispostos a nos ouvir. Aos que já cansaram dos gritos de alguns e do silêncio de outros, ore. Que acima de tudo, é isso que a igreja faz.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Alegrem-se sempre!



Para os hebreus, o nome de Deus era impronunciável, tal o temor e a distância que deveria ter do Glorioso Deus. Entrar no Santo dos Santos era digno de morte, não pelo homem, mas o próprio Deus sentenciava a pena. Mas um novo tempo foi instaurado, o acesso foi-nos dado, e podemos chama-lo de Amigo. 

Jesus conquista e garante isso para nós, mas ainda assim, muitos de nós escolhemos nos manter distantes. E os motivos são diversos. 

Há quem valorize os cultos, mas fora do ambiente da igreja não existe a menor comunhão, há quem não valorize coisa alguma, basta ter levantado a mão num domingo à noite há sei lá quanto tempo. Há os que escolhem orar, mas tem uma dificuldade tão grande, que suas orações não parecem uma conversar com seu Amigo e Salvador, mas com alguém de 500 anos atrás com uma linguagem super rebuscada e distante, tentando impressionar Deus com o que não é. Ou ora, e sabe muito bem usar as palavras, mas faz de suas orações momentos apenas de lamentação, e se a vida vai bem, acabou-se a comunhão. 

Venho lembra-los de que a oração é um momento de comunhão, um momento de alegria. Poder ter acesso a Deus é uma conquista, não nossa, mas um presente conquistado na cruz e que foi posto em nossas mãos e negligenciamos diariamente. 

Falar com Deus é um momento de encontro com nosso melhor amigo! É melhor do que o encontro pós-jogo para resenhar sobre cada lance, o que sabemos fazer tão bem. É melhor do que o encontro pós-culto que planejamos e ansiamos e sabemos que vai ser muito bom. É melhor do que aquele encontrão com os amigos que você não vê há 1 ou 5 anos. 

É um encontro com Deus! Nosso Senhor, sim, mas também nosso amigo! Olha o que você tem! Olha com quem você está falando! Ou com quem pode estar falando... É uma dadiva! Um presente! Um presente de Deus para nós, precisamos dar valor. 

Não guardando em uma caixinha para que não se quebre a qual apenas olhamos de longe, ou guardamos no fundo de uma gaveta com todo o cuidado. É um presente daqueles que abrimos cheios de ansiedade e usamos da primeira oportunidade, e deixa eu te contar, a oportunidade é hoje, é agora. É amanhã de novo, mas o agora ainda é a melhor oportunidade. Mas com alegria, como quem sabe o valor daquele momento. 

Alegrem-se sempre e orem continuadamente. (I Tessalonicenses 5:16, 17), não é à toa que Paulo põe os dois conselhos juntos. 

É claro que não excluo o arrependimento, as dores, os pedidos da oração. Mas não é apenas isso. A oração também é um lugar de alegria sim! 

Alegrem-se no Senhor! (Filipenses 4:4)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Fonte dos desejos


Quantas vezes nos vemos diante de situações em que gostaríamos de que, por um segundo, uma moedinha jogada no fundo de uma fonte realmente nos garantisse um desejo realizado. Ah, quão bom seria se fosse tão fácil, uma única moedinha de qualquer valor, e “zas!”, problema resolvido, confusão desfeita, sonho realizado, ou o que quer que fosse o nosso problema.

Porém, os autores de ficção inventaram algo melhor que uma fonte de desejo, em vez de um único desejo, poderíamos esfregar uma lâmpada e trazer a nós um gênio, ele então realizaria não um, nem dois, mas três desejos. Não precisaríamos nos limitar ao mais urgente ou importante, poderíamos ter um pouco de tudo.

Mas, alguns têm falado de um gênio sem limites, uma fonte de desejos alimentada não por moedas, mas por fé. Sim, depois de nos iludirem nos livros infantis e diversos filmes com diferentes versões daquele que realizaria as nossas vontades, trouxeram para a vida real.

Na verdade, essa fonte de desejos existe, ele só não é uma fonte, como dizem. Não basta jogar um pouco de fé e “zas!”, oração atendida. Ele é capaz de fazer mais do que qualquer criação das histórias infantis, Ele vai além do que qualquer ser humano já foi capaz de desejar. Sim, eu falo de Deus, não aquele que você acha está esperando a sua próxima lista de pedidos, eu falo do Deus que está ansioso esperando que você fale com ele, com alguns pedidos talvez, mas com a gratidão pelos que já realizou, e a confiança apesar dos que não saíram bem como você queria.

Eu falo do Deus que, mesmo tendo o mundo sob seus pés, e o domínio sobre os anjos e cada animal da terra e mar, deseja que você fale com Ele. Isso mesmo, só fale. Fale como foi o seu dia, como foi difícil aquela situação mais cedo, conte para Ele o que você sentiu naquela hora, mas lembre-se também de falar daquele momento em que notou o sol, e como você achou bonito o céu hoje, e agradeça por aquele passarinho que você ouviu e parecia estar cantando especialmente para você.

Conte para Ele os seus sonhos, o que você está planejando para o fim de semana, e sobre aquilo que você está planejando comprar, não, não se preocupe, ele não acha isso bobo. Na verdade, Ele é um Pai muito dedicado, e fica encantado quando você mostra interesse por ele, e quando você gasta tempo contando suas coisas para ele, ele também tem interesse por você.

Ele não é uma fonte sem vida que está lá apenas para te realizar, Ele é uma pessoa que deseja se relacionar contigo. Ah, como Ele deseja isso! Ele quer amar-te e ser amado por ti. Ele quer a sua companhia, e também estar contigo. Ele também quer te fazer feliz, realizando alguns desejos seus, mas principalmente realizando os dele, e na hora dele, porque Ele sabe exatamente o que você precisa, e qual o momento ideal. Fale com Ele, confie nele, e se entregue a Jesus Cristo por completo.

Ariane Machado

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Não escolha ser órfão




Há algum tempo eu trouxe uma música do Estevão Queiroga, exaltando o amor de Deus. Mas não foi o bastante para que eu parasse de refletir a respeito dessa música. E me lembrei que toda situação tem dois lados, mesmo quando podemos ver o amor maravilhoso de Deus, há o alvo do amor, capaz de ter uma postura completamente avessa.

“Quando o pai se senta pra brincar com o filho”



Eu ouvi essa música incontáveis vezes, e só conseguia ver esse amor maravilhoso do Pai que se dedica em amor e atenção ao seu filho. Mas, e quando o filho não se senta ao lado de seu pai, para compartilhar nesse momento e sentimento?

Me surpreendi ao me ver nessa situação. Não tenho uma clara e real memória disso, mas por terem me contado, sei que eu era essa filha que se nega a sentar-se com seu pai, e aproveitar dessa construção de amor.

Eu era nova, uma criança com seus, talvez, dois anos de idade. Meu pai tentava chamar a minha atenção, conquistar-me para perto dele, mas eu me afastava, preferia brincar sozinha, a estar com ele. E eu tinha ali um pai, se dedicando, demonstrando amor, mas era uma criança, com o coração (por alguma razão) endurecido com relação ao meu pai.

E assim é o ser humano, e a razão é conhecida por todos, tem por nome pecado. O pecado transformou crianças puras e inocentes, em corações endurecidos, desconfiados, capazes de rejeitar o amor. Deus pai, desde a criação busca sentar-se com seus filhos. Adão, com a inocência de um coração puro, teve o privilégio de passar suas tardes com o seu Pai, caminhar com ele, conversar com ele, compartilhar do amor dele.

Mas o pecado nos rasgou a relação. Da mesma maneira que eu rejeitava o meu pai, um adolescente muitas vezes rejeita o conselho ou o carinho do pai, um jovem exige que seu pai “não se meta em sua vida”, e geração após geração, o homem se nega a sentar-se com o Pai celestial.

Deus nos chama para perto, ele nos busca. Ele nos dá noite após noite, um espetáculo de lindas e reluzentes estrelas e nos chama a prestar atenção, a calarmos e vermos o seu cuidado, mas nos negamos a dar-lhe a devida atenção. Ele nos dá relacionamentos com nossas familias e amigos e diz que é apenas uma amostra do que podemos ter com ele, mas o ignoramos mais uma vez. E até mesmo quando vamos à igreja, ele nos acompanha até lá, senta-se para nos ouvir, mas nos distraímos durante o louvor preocupados com o baterista que errou o ritmo, ou o cantor que falhou quando subiu demais numa nota.

Quando o pai se senta pra brincar com o filho, ele nos convida a sentar-se com ele, e aproveitar do derramamento do seu grandioso amor. Não continue a rejeitar o seu pai, e não escolha ser órfão quando há um Pai cheio de amor esperando por você. Sente-se com o nosso Pai, e o conheça, o sinta, o ame de volta.

Ariane Machado

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Pelos olhos de Deus

Oi, vamos conversar sobre autoestima? É incrível o tanto de vezes que nos vemos preocupados com o que os outros acham e pensam a nosso respeito. Seja sobre a nossa aparência, ou nossas atitudes e ideias. O mundo, a mídia, os grupos realmente tentam nos levar a isso, insistentemente tentam imprimir em nós seus conceitos e nos mostrar que o que os outros pensam é realmente importante.

E como consequência, temos elevados índices de suicídio, diversas doenças causadas pela não aceitação de si próprio, na busca frenética de ser quem querem que sejamos. Mas deixa eu te contar duas coisas, uma é que nós realmente não somos perfeitos, e como não somos! Há tantas falhas em nós, personalidades difíceis, costumes e manias não muito admiráveis e tantos outras características que nos afastam da perfeição.

A segunda coisa, no entanto, não é uma má notícia, mas uma forte verdade que muda tudo. Apesar das inúmeras falhas, nós somos muito mais do que a mídia divulga, do que as pessoas comentam, e até mesmo do que nós pensamos.

Ainda que pensemos que somos a pessoa que mais nos conheçamos, estamos enganados. Eu sei apenas como estou, e o mesmo vale para você. Quem somos, apenas Deus conhece. Porque nossa visão é limitada pelo tempo, e assim temos o passado que talvez nos encha de orgulho ou até mesmo de vergonha, temos o presente, com o qual brigamos muitas vezes, na tentativa de sermos melhores do que somos hoje, e o futuro que é uma grande incógnita. Mas para Deus não há essas barreiras.

Ele sabe hoje, quem somos em totalidade, com tudo o que passou e passará por nós. E ainda independente de todas essas coisas. Em Jesus, não importa a nossa cor, gênero, peso, altura, nacionalidade, ou coisa alguma, porque aos que o recebem, e nele creem, deu o direito de sermos filhos de Deus (João 1:12). O passado é apagado, as falhas perdoadas, e a aparência transformada, ainda que o mundo tente ignorar, somos filhos de Deus.

Jesus também vem nos chamar de amigos, então pouco importa os defeitos que o mundo procura em nós, se somos transformados em Cristo, novas criaturas de Deus. Não precisamos ouvir o que o mundo diz, até porque eles não são donos da verdade, e se hoje eles dizem que características são as melhores, daqui a pouco tudo muda, e criam novos parâmetros, e ninguém nunca é suficiente. E em Cristo também não somos, mas pelo Santo Espírito em nós, somos muito mais do que somos capazes de ser.

Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Todo ser humano foi planejado cheio de valor, apesar de danificados pelo pecado, Jesus nos restaura, nos faz de novo, resgatando nossa identidade e nossa natureza de filhos. E a partir daí, só importa o que Deus pensa de nós, ainda que por vezes nos vejamos tentados a agradar os olhos dos outros, só Deus vai ver quem realmente somos, apenas ele é capaz de ver isso, e reconhecer Jesus em nós, porque o somos graças a Ele, e sua graça derramada sobre nós.

Então, não nos deixemos ser guiados pelos espelhos que o mundo espalha pelo caminho, tentando nos adequar a eles e nos oprimir, se não nos adequarmos. Mas olhemos para Deus, e sejamos como ele, vivendo realmente a nossa identidade de filhos, à imagem do Pai. E para isso, aprendamos com ele, a amar com Jesus amou, e a frutificar as sementes que vêm do Espírito Santo.

Ariane Machado

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Um Rei ao nosso lado



"Quando o pai se senta pra brincar com o filho
Quando o rei se curva pra beijar o servo
Quando o autor se põe no próprio livro
Só pra morrer ali e por alguém mudar o fim

Quando a herança fica para o escravo
Quando é esquecida a dívida do pobre
Quando o troféu reluz e dá seu brilho
Às mãos do que perdeu, mas recebeu do que venceu

É disso que eu falo quando canto
E quando escrevo sobre o amor
É nisso que eu penso quando vejo
E quando sinto esse amor"

É isso que se lê nas palavras de Paulo aos Romanos “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” Ainda longe se sermos filhos e até mesmo servos, Cristo veio fazer parte da história para morrer por um simples ‘alguém’, como fala o compositor. Nós escravos, fomos acrescentados ao testamento do dono de absolutamente tudo, de toda a terra, de cada animal e toda riqueza. Pobres que já haviam perdido suas vidas em garantia de uma dívida que nunca poderia ser paga por nós, nos vimos livres da dívida que foi quitada pela vida de outro, uma dívida esquecida.

E se não bastasse toda essa inversão, e ir de encontro a todos os exemplos de amor já mostrados, revelando um amor perfeito, maior do que toda prova já dada, ‘o rei se curva para beijar o servo’ – canta Estevão. E eu costumo imaginar que quando nos entregamos a Deus em louvor, ou em oração, como diz o salmista, Deus se inclina para nos ouvir (Salmos 40). Talvez ele pare toda e qualquer agitação no céu, ou ele pare até o tempo, e dedica atenção para nós, que nada merecemos.

E feitos filhos, por meio de Jesus, Deus realmente se torna nosso Pai. Não um nome no registro de cada novo cristão, mas um Pai particular de cada um de nós, um Pai que nos conhece de perto, no íntimo, e que deseja ser conhecido. Um Pai que dedica tempo a suas crianças, e cuida e as ama de perto.

A letra desta canção revela o amor do evangelho, o amor através do qual o Deus Filho veio morrer por nós, e o qual veio manifestar. Não somos criaturas maravilhosas que mereceram ser amadas por Deus, mas em lugar disso, éramos os mais miseráveis, indignos do troféu, do perdão, da herança e até mesmo do amor. Perdidos e condenados, para quem já não se via esperança. Mas ainda assim, amados pelo próprio amor.

E "quando os galhos dão sua sombra ao machado", e Cristo vem salvar aqueles mesmos que o matariam, e pelos quais morreria. Isso é um amor maravilhoso e tremendo, que se distancia de todos os conceitos.

"É isso que me explica
Me intriga
À entrega desse amor"

Ariane Machado

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Abba...

Abba, eu pertenço a Ti
Sou integralmente de sua propriedade
Completamente entregue em Tuas mãos.
Não uma parte apenas
Não condicionada a coisa alguma
Mas me derramo inteiramente em tuas mãos
Minhas vontades agora, são as vontades que Tu plantaste em mim,
Os meus sonhos vêm de Ti.

Eu sou do meu Amado
Meu coração Te pertence
E cada sorriso meu foi plantado em meus lábios por Ti.
Tu reinas em mim
E já não há espaço para glorificar a nenhum outro
Sou completamente Tua.

Eu entrego a minha vida em Tuas mãos
Os meus dias são seus
Minha esperança está em Ti
O meu louvor vai ao encontro do Teu trono
As minhas orações são ouvidas pelo meu Amado
Meu maior desejo é encontrar-me contigo

Todos os meus medos se vão
A minha confiança está em Ti
Tu me conheces pelo nome
E o Teu amor me chama para perto
As tuas asas me protegem
E quem sou eu senão a menor que todos?
Mas amada sua
Filha de Deus

Ariane Machado

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A verdade revelada em Cristo



Um menino nasceu, um filho se nos deu, o cumprimento da promessa enfim era chegado, Jesus nasceu! Mas contrariando a toda espera dos judeus, veio sem pompa, sem destaque, palácio ou coroa. Numa estrebaria, entre animais, nasceu aquele que esperavam ser o novo Rei, e essa história revive em nossos corações nesses dias.

“Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão desde agora e para sempre” – profetizou Isaías, algumas centenas de anos antes. E era essa a esperança de seus conterrâneos. Perdidos os dias de glória dos tempos de Davi, o povo que fora cativo de tantas nações ao longo dos anos de pecado e afastamento de Deus, tinha uma promessa, promessa essa que parecia se cumprir nesses dias. O Rei dos judeus nasceu!

Natanael, quando chamado para justar-se a Cristo no discipulado exclamou: “Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei dos Judeus”. Isaías foi muito claro, anos de espera, ele era o Rei! Eles apenas não entenderam. Jesus é mesmo Rei, mas o reino era outro. Ele não tinha a intenção de lutar contra Roma, liderar um batalhão de revoltados, expulsar os romanos, garantir o cumprimento das tradições. Não era nada disso! E poucos foram o que entenderam, e mesmo aos que foi revelado a verdade do Reino de Cristo, demoraram um pouco a viver essa verdade.

Anos ao lado de Cristo, e anos de engano. Multidões o acompanhavam e essa multidão esperava pelo que ele não veio fazer. E hoje, multidões ainda o acompanham buscando o que ele não veio dar. O reino foi revelado, os discípulos pregaram por anos e deixou registrado para nós que se tratava do reino espiritual.

Essa já não é mais a dúvida, todos entendemos isso, mas nem sempre lembramos que as coisas não são tão claras quando escritas. Temos entendido que quando os profetas revelam o reinado de Jesus, eles não apontam tão claramente o que falam. E demoramos anos para entender isso. Mas ainda acompanhamos Jesus buscando o que ele não veio dar. Não mais atrás de um trono, coroa e palácio. Buscamos milagres.

As multidões dos tempos de Jesus buscavam milagres, e muita gente hoje nas nossas igrejas buscam apenas milagres. Parecem um pouco menos mal entendidos, afinal Jesus realmente cura, liberta, restaura, recupera a visão, faz coisas extraordinárias. Mas são só sinais. Sinais do que ele realmente veio anunciar.

Os milagres, o alívio dos tormentos da nossa vida de castigados pecadores é apenas um sinal, uma amostra do reino para o qual ele nos convidou. Porque lá “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor”, e toda vez que ele curou um leproso, um coxo, deu visão a um cego, não dizia que merecemos uma vida de confortos, ele não dizia que veio para nos livrar dessas dores, ele apontava para o lugar ao qual nos convida.

Ele faz milagres sim, glória a Deus, porque Ele é Todo-Poderoso, e pode sim nos curar, não só pode como faz, mas essa não é mensagem que ele veio nos deixar. Ele não viveu o que viveu e morreu como morreu para ser um milagreiro. Jesus é muito mais do que isso, e veio para muito mais do que isso.

Cristo faz Deus conhecido, ele revela Deus, para isso ele desceu, para apresentar o Pai a nós, e a partir dele o céu se abriu, agora conhecemos Deus, porque “quem o vê, vê ao Pai” e partindo da nova vida estabelecida em Cristo, há um novo relacionamento entre os homens e Deus, nele somos chamados Filhos de Deus.

Jesus veio abrir o caminho, limpar-nos de nossos pecados, e nos conduzir ao Reino dos céus. E esse reino começa a ser vivido aqui, hoje, a cada dia. Não numa vida separada da humanidade, e das dores ligadas a ela. Mas desde agora, num novo relacionamento com Deus. Essa foi a vida de Cristo, nos guiar ao conhecimento de Deus, nos levar a ser amigos dele, e ainda filhos.

Uma nova vida, não mais vivida na carne, mas renascida em espírito, para conhecer aquele que é espírito e nos relacionarmos com ele de maneira genuína, algo que venha do mais íntimo do ser. A mensagem de Cristo não é sobre o poder de suas mãos para lutar contra Roma ou realizar milagre, mas sobre um coração com um amor perfeito dedicado a nos amar, e ele nos conduz a amar o Pai de volta, e chama-lo de Pai, viver com o Pai.

Ariane Machado

domingo, 18 de dezembro de 2016

Onde encontrar o Senhor

Eu tenho sempre a preocupação de não ouvir músicas apenas por ouvir, mas dar atenção à sua poesia, tentar entender o que o seu compositor queria dizer ou o que ela me faz sentir. Seja ela “gospel” ou o que quer que seja.

Alguns cantores “gospel” atuais têm buscado uma linha de composição um tanto diferente. Em vez das costumeiras citações da bíblia, ou exaltação do que Deus pode fazer, alguns trazem reflexões que, às vezes, nem mesmo falam em Deus, mas que é possível ver os ensinamentos e princípios bíblicos permeando por entre algumas frases que, a princípio, parecem ser apenas diversão.

E há ainda casos, contrariando a toda teoria sobre o quanto é errado escutar músicas do mundo, em que você sabe que a canção não é evangélica, não traz consigo valores bíblicos, mas você não consegue ver nela o seu valor real, porque você consegue encontrar Deus nela, e às vezes de forma muito forte, mais forte do que o romantismo, ou a revolta contra o sistema tensionado pelo compositor.

Eu percebi isso com muita clareza depois de ver alguns textos no blog Minha Vida Cristã interpretando músicas seculares. E me dei conta de que realmente há composições que têm muito de Deus, mesmo quando não veem do interior de uma igreja. Mateus Machado, escritor do MVC usa algumas músicas do Charlie Brown Jr para falar disso, e a música “longe de você”, para mim, é muito forte uma descrição da procura de Deus e do encontro com Ele.



Eu sou apaixonada por músicas de adoração, aquelas que te levam direto ao trono de Deus, que nos aproximam dEle, revelando Ele em sua letra. Músicas que vão ao íntimo de nosso ser e nos "desarmam" completamente, nos levando a chegar à presença de Deus sem reservas, sem defesas. E muitas das músicas que ouço são assim, porque vejo nelas um valor muito grande na adoração.

Mas na medida em que dizemos que devemos pregar muito mais com a vida do que palavras, encontrar músicas que parecem ser simples entretenimento cheias de princípios me parece uma riqueza. Porquê da mesma forma que, às vezes, não encontraremos alguém disposto a ouvir o evangelho, e pela nossa vida de amor, mansidão e misericórdia lhes revelaremos o Pai, assim também haverá pessoas que não estarão dispostas a ouvir músicas que exaltem a Deus com clareza, e na sutileza de uma música com princípios divinos Deus lhes será revelado.

E até mesmo numa música secular, porque Deus age de formas inexplicáveis. E como ele alimentou uma multidão através de uma criança, e antes havia falado com um homem através de uma jumenta, esse nosso Deus Maravilhoso e Inexplicável pode se revelar da maneira que lhe convém. E é interessante a frequência que se pode encontrá-lo fora do padrão gospel. Basta que estejamos atentos à revelação de sua glória.

Não podemos limitar o nosso Deus às quatro paredes de nossas igrejas, Ele está presente em toda parte, e se revela em todo tempo. Às vezes tão alto como o som de trovões ou o sino de uma igreja, mas em outras, Ele é tão sutil que somente se estivermos atentos o encontraremos.

Ariane Machado

domingo, 9 de outubro de 2016

Do início ao fim




Para todo escritor, ou que ao menos tentam, existe uma beleza encantadora na escrita, na criação, no poder de fazer arte. E, não sei se já notaram, mas repetidas vezes eu exalto Deus como autor e escritor. Porque eu tento, miseravelmente, descrever um pouco sobre Ele, e tudo o que Ele já fez foi descrevendo sobre ele mesmo.

“Os céus declaram a glória de Deus”, nos disse o salmista, e assim é. Por mais palavras que usemos, só descrevemos um pouco do que já nos foi mostrado e é mostrado todo dia, desde o nascer do sol e cada manifestação da glória de Deus. E além dos céus, da natureza e toda a criação, a vida anuncia algo. Todo dia, cada vida, de alguma forma anuncia um pouco de Deus.

Eu trago hoje, uma reflexão sobre uma música do Rodolfo Abrantes, que me veio à memória nesses dias, regravada por Gabriel Guedes. E a música consegue andar rapidamente de um polo ao outro do novo testamento, ou talvez, desde a profecia de Isaías sobre o nascimento de Jesus, até a profecia de João sobre a segunda vinda de Cristo.

E ouso fazer uma caminhada um pouco mais cumprida, iniciando em Gênesis. Como já disse, todo dia a glória de Deus é declarada, e desde o início, por sua autoria maravilhosa, seus planos são apresentados à humanidade.

Com início no Éden, na escrita sucinta de Moisés, temos vislumbres do paraíso, a perfeição, onde não havia choro nem ranger de dentes, como também, aperfeiçoado, será na nova Jerusalém. Ainda em Gênesis, vislumbramos num retrato parecido, a espera por um filho prometido, um filho que viria a ser sacrificado, numa amostra de Deus de que suas promessas são cumpridas, e de que é o Deus provedor de resposta e socorro.

Então, num enredo perfeito, Deus aponta para a promessa do céu e a promessa do resgatador. No livro do profeta Isaías, inspirando o compositor dessa música, Deus nos dá com clareza um relato prévio da vinda de seu filho.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Isaías 9:6


O céu começa a se abrir, o menino que veio a nós, como homem, como menino, viveu entre nós, morreu por nós e abriu o novo caminho para termos acesso ao Pai, retorna. Todo joelho se dobra diante do Maravilhoso Jesus, diante de sua soberania e poder, e a glória ao Príncipe, que não foi dada ao garoto, em vez disso o humilharam, rejeitaram e o mataram, é agora dada. Em sua segunda vinda, não mais para salvar Jerusalém, mas para resgatar a nós salvos, para a Nova Jerusalém.

Depois dos relatos de um paraíso, um jardim preparado para a comunhão entre o homem e Deus, entraremos então pelas portas da cidade, onde haverá não apenas um jardim, mas uma cidade adornada para a eternidade, para a completude do plano de Deus, para a plena comunhão, a concretização de tudo o que os 66 livros da bíblia apontam. Enfim, o encontro real e pleno da noiva com o noivo.

Ariane Machado

domingo, 25 de setembro de 2016

Reincidentes por gerações


“Você não sabia com quem estava, Israel? Você não conheceu quem te salvou? Quem te protegeu, te cuidou, te amou. Oh Israel, para onde olhaste por todo esse tempo? Oh noiva, o que impediu de seus olhos ver o agir de Deus? Seus ouvidos, para que servem, se não podem ouvir a voz do teu Pai? Oh regatado povo, o que fazes? ”

Essas linhas podiam ser direcionadas ao histórico povo de Israel, e como podia. Na verdade, em outras palavras, de diversas formas foram ditas sim. Ditas para o povo que viu Deus de perto, o povo resgatado, como um filho órfão que recebeu um nome, ganhou um Pai, um novo caminho a trilhar e um glorioso futuro lhes foi prometido.

Mas diversas vezes esse mesmo povo foi advertido. Pessoas que viveram as maravilhas de Deus, mas lhe viraram as costas incansavelmente. Se Deus não respondia, se a resposta não os agradava, se Deus “ousava demorar”, ou sem motivo algum. Bastava ter diante de si culturas, povos e divindades diferentes, que Israel abandonava o Deus que os amava, deles cuidava e protegia, e se curvava a deuses pagãos.

E com a mesma facilidade que o povo que andou ao lado de Deus abriu mão dele, isso se repetiu no novo testamento. Pedro, um dos discípulos mais próximo de Cristo o negou, trocando-o, não por deuses, mas por sua vida. E também outros que andaram com Jesus, pessoas que ouviram suas palavras, presenciaram seus milagres, comeram com ele, mas perderam suas esperanças e voltaram a suas velhas vidas diante da morte do Mestre. Como que não conheciam aquele a quem seguiram e ouviram.

E assim também foi com a igreja, não nós ainda, mas a igreja admoestada por Paulo, a igreja que recebeu cartas dele as advertindo acerca da entronização dele ou de Apolo, em Corinto. Ou a entronização da lei por parte do povo salvo pela graça, em Galácia, Assim foi em cada cidade, em cada tempo, o povo de Deus se afastando Dele. A nação sobre a qual Deus sempre esteve presente, fosse numa coluna de fogo, nas palavras de um profeta, na personificação do Filho, ou na presença do Santo Espírito, sempre encontrou um jeito de colocá-lo em segundo plano e se fazer escravo.

E mesmo fora das páginas da bíblia a história se repete, “Por isso ainda faço denúncias contra vocês, diz o Senhor, e farei contra os seus descendentes” (Jeremias 2:9 NVI), porque nós, descendência, repetimos os mesmos erros de nossos pais. A bíblia diz que é sábio aquele que aprende com a desgraça do tolo, mas ainda não vi a geração que usa as lições dos outros para trilhar o caminho de Deus. Pelo contrário, cada geração insiste em errar de igual modo, insiste em ter suas próprias experiências, entregando-se a qualquer coisa além de Deus, aprisionando-se a qualquer coisa que atravesse o nosso caminho.

Somos mais uma geração a quem as palavras do início desse texto se adequam, um povo que não conhece o seu Deus, mas se deixa ser servo de seus próprios desejos. Uma noiva insensível à voz de Deus, uma noiva manchada, uma noiva que não se preserva para o seu noivo, que nem mesmo conhece a imensidão do amor dele. Mas se entrega à menor das ofertas.

Conheçamos o nosso Deus, oh igreja, e saberemos que ainda há chance de sermos somente dEle, que a impureza do nosso vestido pode ser limpa com o sangue do Cordeiro. E podemos ser livres de amarras. Uma noiva pronta para a chegada do Santo Noivo.

Ariane Machado

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Coração igual ao de Deus

Crescemos ouvindo que a volta de Jesus está próxima, tenha você 12 anos ou esteja passando dos 70. A sua geração podia ser a última, como também se ouviu sobre a geração dos meus pais, e com ameaças mais específicas como o fim dos tempos previsto para os anos 2000, a minha certamente foi a que chegou mais perto de ser a última. E assim temos gerações e mais gerações à sombra de uma espera.

Mas há outros itens numa lista, talvez, imensa de dizeres que são apontados a cada geração, especificando essas proposições a cada um de nossos antepassados, depois para nós, e mais tarde para os que ainda virão.

Ouvi há pouco tempo que somos uma “Geração que não sente a dor do coração de Deus”, e pensei no quanto precisamos estar conectados a Deus, e decidi procurar por exemplos, exemplos de eras em que havia uma relação de intimidade com Deus, de gerações que eram uma com Deus, não analisando o mundo em geral, mas no mínimo em seu povo.

E igual a cada geração que é mais uma candidata a ser a última, percebi que a nossa, e cada uma das anteriores não sentiam a dor do coração de Deus. Podemos tentar comparar os novos aos velhos costumes e quais se adequam mais aos padrões de Deus, mas não importa o resultado de sua comparação, tenho certeza de que ele tem muito mais a ver com a moral aceitável a cada época, do que com o relacionamento com Deus.

A geração de Moisés, o povo que teve um dos maiores líderes da história do povo de Deus, homens e mulheres que viveram os maiores sinais do poder Divino, pessoas que caminharam dia e noite com os símbolos mais “palpáveis” da presença de Deus – a nuvem e a coluna de fogo. A geração de quem, talvez, Deus esteve mais perto, tentando dia e noite torná-los conhecedores de suas alegrias e dores, de seus desejos para seu povo.

Mas ainda assim, não conseguiram viver a promessa de Deus, seus sentidos estavam muito mais voltados para si, para a saudade do Egito, para o imediatismo, do que para Deus e não viram o Seu coração chorar quando, diante da menor ausência de sua voz, optaram por criar um deus para si. Não entenderam que Deus sofria em castiga-los, fazendo-os passar 40 anos longe de sua promessa. Não viram que Deus se irava ao vê-los o rejeitando.

E mais tarde, em cada geração. As gerações descritas em Juízes, incapazes de permanecerem no caminho de Deus sem o braço forte de um líder. As gerações dos profetas que, mesmo ouvindo deles sobre a ira de Deus, seguida por uma nova chance de reconciliação, foram incapazes de entender a imensidão do amor de Deus e seu chamado a uma caminhada segura com ele.

E nessa brincadeira de comparação, percebi que podemos ser incomparáveis, podemos ser a primeira Geração que sente a dor do coração de Deus. Não um só patriarca a quem Deus pode chamar de amigo, não só um líder manso e corajoso, não só um rei que entre quedas e recomeços foi um homem segundo o coração de Deus, não só um profeta capaz de pôr em risco sua própria vida – na pessoa de Daniel – ou abrir mão do que quer que tenha sonhado para si, para sentir de fisicamente a dor de Deus – como na história de Oséias.

Mais do que homens e mulheres isolados na história, podemos ser uma igreja que chora antes de dormir porque alguém necessita de cuidado e não fomos capazes de dar, podemos ser o povo que dobra nossos joelhos juntos orando por uma nação, podemos ser a geração que não se aquieta enquanto não pode fazer algo em favor do outro, enquanto não pode viver na prática o amor do Pai.


Não isolados em cada individualidade, mas enfim, olhando juntos para o mesmo alvo, buscando individualmente nos achegarmos a Deus, realmente preocupados com o que Deus sente. Em intimidade com Deus, conhecendo a sua palavra, podemos sentir o que Deus sente, sendo um com ele e um com a sua igreja. Podemos ser uma geração diferente, a primeira que chora a dor de Deus, que se ira junto com ele quando as coisas parecem erradas demais, que se alegra festivamente diante de uma única alma resgatada, que ama o tanto quanto o nosso coração for capaz de conter. Podemos ser a geração que tem o coração de Deus.

Ariane Machado

domingo, 3 de julho de 2016

O que queres de mim, Senhor?



“O que queres de mim, Senhor? Queres que eu te siga por toda a minha vida? Sim, eu quero fazê-lo, mas há momentos em que meus passos não percorrem os teus caminhos. Por vezes me perco no que outros esperam de mim, e perco de vista a tua vontade, os teus caminhos; deixo de priorizar a Tua vontade, para adequar-me a vontades que deveriam estar tão abaixo da sua, que é soberana e perfeita. E quantas vezes não é o meu próprio ego que me desvia do caminho? Tentando saciar desejos pessoais, ou perdido em minha ansiedade. Então me volto para ti e peço perdão. Certo de que ele virá, não porque mereço, mas por sua misericórdia e amor.

O que queres de mim, Senhor? Queres me enviar aonde a terra não é fértil, mas existe o desejo verdadeiro de conhecer-te? Sim, Senhor, eu quero fazê-lo, tento ir, tento falar, mas há momentos em que me calo quando apenas um nome seria usado pelo Teu poder – Jesus Cristo. Ora, quantas oportunidades eu deixo passar, paralisada pela falta de jeito com as palavras, quando na verdade sei que o Senhor mesmo se revelará através de mim, que o Senhor falará através de mim, que é o Santo Espirito quem mesmo faz a obra. Mas eu quero ir, Senhor, quero fazer a Tua vontade, quero viver para Ti, quero falar de Ti. E ainda pergunto, Senhor, reconhecendo que quero fazer o que Tu queres. Sei que o Teu desejo para a minha vida é a felicidade. E pergunto ainda: O que queres de mim?

O que queres de mim, Senhor? Queres que eu Te entregue as minhas mãos, meu coração, meu pensar e meu falar? Sim, Senhor, eu quero fazê-lo, mas há momentos em que é tão difícil negar-me a mim mesmo e seguir-te, que eu somente poderia voltar-me para Ti em oração e clamar: Senhor, ajuda-me para que eu Te siga por toda a minha vida e jamais meus pés se desviem dos Teus caminhos; fortalece-me, para que eu mostre o Teu amor ao mundo com humildade e mansidão; guia-me, para que eu possa ir onde Tu queres que eu vá e ali pregue a Tua palavra.

E ainda Senhor, aumenta a minha fé em Ti, para que haja entrega a ti de minhas mãos, meu coração, meu pensar e do meu falar, e eu possa estar pronto para ouvir de Ti a resposta quando falar.”

Quantas vezes palavras como essas fazem parte de nossa oração? Quantas vezes perguntamos com insistência, “O que queres de mim, Senhor?”. Temos entendido/ escutado a resposta que vem de Deus? Como ao final da oração acima, precisamos estar tão entregues nas mãos de Deus, que saberemos sua resposta. Que sonharemos os seus sonhos, que teremos impresso em nossos corações a ardente urgência para realizar o propósito dele para nós.

Que estejamos tão conectados a Ele, firmes em fé, que nada possa ser capaz de impedir os nossos pés de trilhar os caminhos do Pai. Nem os outros com suas propostas, nem nós mesmos com nossas urgências e ansiedades, nem “a tribulação, ou a angustia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada”, “nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem altura, nem profundidade, nem qualquer criatura” tenham o poder de afastar-nos do Seu caminho e de Seu propósito. (Romanos 8)

O que queres de mim, Senhor? São meus dias? O meu tempo? Meu coração? Minha vida? Gratidão? O que podemos dar a Deus que Ele já não tenha? O que ele ainda não encontra em todo universo? Nada lhe falta, mas falta a mim, falta a você, falta à humanidade. Falta ao homem reconhecer e agradecer, com mais que palavras, pelo sustento de Deus, falta-nos agradecer pelo sacrifício de Jesus por nós, falta-nos retribuir, ainda que de forma insignificante. Falta-nos dá-lhe o que um dia ele nos deu. Se com a vida Ele nos serviu, e nos trouxe a salvação, com nossas vidas o sirvamos. Se da vida Ele abriu mão por nós, vamos renunciar a nossa, e entregar a Deus, para a satisfação de Seu coração.


Ariane Machado e Floripes de Jesus

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A intimidade que se foi


E de repente nos damos conta de que nossa intimidade com Deus já não é mais a mesma. Batalhas e batalhas travadas, e a gente se dá conta que temos perdido repetidas vezes. A rotina nos vence, nos levando à uma vida de ações automáticas, lembrando apenas do urgente, deixando coisas essenciais para depois, quando se vê, já se foram dias sem buscar a Deus, dias sem nada mais que uma oração rápida, só para “bater o ponto” com Deus, quando na verdade sentimos que nossas palavras nem chegaram ao céu, mas é uma rotina.

E quando a batalha que perdemos é para a procrastinação, o “depois eu faço” torna-se a frase mais recorrente em nosso dia. Vou orar, mas primeiro vou checar o whatsapp e todos os outros meios de comunicação, a oração depois eu faço. Mas agora vou comer, a leitura da bíblia depois eu faço. Já estou atrasada para a faculdade/ trabalho/ escola, as coisas de Deus, depois eu faço, quando chegar, ou antes de dormir. Até que nos sobrem poucos minutos antes que desistamos pela sobrecarga de sono, ou nos lembremos apenas quando os olhos já estão fechados, “então deixa para amanhã”.

Preguiça, falta de prioridades, rotina, descuido, o que seja, a lista de batalhas que perdemos talvez seja imensa, deixando nossa intimidade com Deus em planos cada vez mais distantes. E quando nos damos conta, olhamos para trás e invejamos de nós mesmo esse aspecto da vida que um dia tivemos.

Talvez cheios de saudosismo, estamos lembrando agora como era a nossa vida de oração, a ansiedade que tínhamos em dobrar os nossos joelhos e buscar a presença de Deus. Ou a facilidade que tínhamos em falar com Ele, a naturalidade com que as palavras saiam de nossa boca, a facilidade com a qual elas nasciam em nossos corações. E agora, o quão difícil tem sido articular as mais “bobas” frases, na falha tentativa de falar com o Pai.

O que foi mais importante que ousou tomar o lugar de Deus em nossa vida? O que aconteceu que não notamos quando essa intimidade se esvaiu de nossas mãos?

E engatinhando, tentamos tropegadamente retomar a um relacionamento com o nosso Deus. Mas talvez, tão feridos por essas batalhas, cansados dessa exaustiva rotina, envergonhados pelo abismo que se estabeleceu entre nós e Ele, não conseguimos fazer nada além de clamar por misericórdia e nos perder novamente em tudo que nos afastou do Pai.

O que fazer? Como retornar a Ele? Podemos mesmo recomeçar? Sim, podemos recomeçar, Deus nos dá um novo começo. A ira que sente diante de nosso pecado, ou a tristeza que o toma diante de nosso desprezo, são deixados de lado e dão lugar às qualidades que o compõe. Ele nos olha com amor e com misericórdia, e enquanto há vida, Ele está disposto a nos dar aquilo que não merecemos, não nos vê com os olhos do mundo, olhos que sempre procuram por merecimento, pois seu amor é tão grande. Ele não está disposto a nos perder para a rotina e distrações, e ele não apenas nos aceita de novo, mas nos chama para voltar a Ele, e restaurar a nossa história com ele.

Ele já sabia quem éramos, o quão pecador é o ser humano, e através da morte de Jesus temos um recomeço, seu sangue lava-nos os pecados, mas também a negligência a Ele, e todas as desculpas. Precisamos, claro, querer ter um padrão de vida diferente, não estou dizendo que seja fácil, nem mesmo da noite para o dia. Não vamos passar de “crentes-distantes-de-Deus”, a mestres da intimidade, passando horas diante da presença de Deus, em intimidade, mas precisamos desejar e buscar viver mais do que o que temos vivido.

Precisamos colocar Deus em seu devido lugar em nossa vida, precisamos que Deus esteja no centro de nossas decisões, na posição mais alta que há em nosso coração, ou continuaremos a nos afastar do Pai, e não nos daremos conta da distância que vem se estabelecendo. Se nunca tivemos intimidade com Deus, ainda que nosso íntimo grite, mande mensagens, outdoor e até mesmo sinal de fumaça, seremos incapazes de entender que a falta que nossa alma sente é de Deus.

Porém, Deus não desiste de nós, Ele nos chama, insiste incansavelmente. Mesmo diante de nosso silêncio, mesmo diante de nossas desculpas, Deus deseja se relacionar conosco. E o mais interessante é que toda essa insistência não é porque Ele precisa de mim ou de você, Ele insiste porque sabe que ninguém no mundo tem para nós o que Ele tem; ninguém no mundo se importa conosco como Ele se importa; ninguém no mundo tem os planos de paz e perfeição que Ele tem para nós; ninguém no mundo poderá nos dá a recompensa que Ele promete para nós; ninguém além dele pode preencher o vazio que há em nós; ninguém no mundo insistirá o tanto que Ele insiste; ninguém no mundo nos ama como Ele.

Então, não sei onde ou o que cada um está fazendo agora, mas vamos parar um pouquinho, só alguns minutos, repensar a nossa atual relação com Deus, e dedicar alguns minutinhos a falar com Ele, entrar em sua presença em oração. Na próxima oportunidade lhe cante um louvor, decida adorá-lo, trazê-lo mais para seu dia, trazê-lo de volta para a sua vida.

Ariane Machado

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Desvendados pelo Pai




Como uma canção, a qual ouvimos repetidas vezes, analisando cada frase, cada trecho, afim de entende-la e cantá-la com propriedade, sem medo de errar, Deus nos desvenda. Em verdade, mais do que é possível fazer com uma canção. Pois a interpretação de quem ouve é muitas vezes diferente da de quem canta e ainda, de quem a compõe. Pois ele é conhecedor de todas as coisas, Ele é capaz de sondar os nossos corações, e desvendar cada detalhe em nosso ser, e ainda mais, Ele é o nosso autor, autor de nossas vidas, maior conhecedor de sua obra. Ele nos conhece por completo, o secreto é revelado aos seus olhos

Eu não tenho o que temer, canta o Gabriel Guedes, e realmente não temos. Se olharmos o quanto os pais protegem seus filhos, às vezes, até mesmo com exagero, cheios de cuidado e amor, assim são os nossos pais. E o Pai Celeste, de forma alguma fica para trás. Com excelente e grandioso amor nos cerca.

Conhecedor do mais íntimo em nós, ele nos trata, e livra-nos de nossos medos e receios. Fortalece-nos nele. E nos faz dependentes de sua soberania e bondade. Seu amor alcança todo o nosso interior, e se expande ao nosso redor, e como seus filhos, protege-nos, e nos toma em Tuas mãos.

O amor divino, é sem dúvida o maior possível, ele é a verdadeira essência e amostra do amor. Mais do que uma mãe ama seu filho desde o ventre, ele nos ama e nos conhece com perfeição, desde lá. Ele traça planos de paz para nós, e nos chama a uma vida em amor com Ele. Com tribulações, bem verdade, e até inimigos e batalhas, mas de todos nos livra e liberta. Eu fui chamada, você foi chamado, em adoção ele deseja nos ter, chamar-nos de filhos Seus.

O preço já foi pago, e pelo sangue somos dele. O sangue derramado, que assinou nossa adoção, torna-nos filhos, filhos pelo sangue, filhos por amor. E pelo amor, Ele é nosso. Como deseja nossa entrega a Ele, ele se entrega e se dedica a nós.

Abriu o mar pra eu passar por ele, e assim como fez com o seu povo no Egito, e de tantas outras formas, todo dia, incansavelmente, “mostra-nos o seu perfeito amor”. Seja em coisas grandiosas, que Ele não deixa de fazer, como livramento em que vemos realmente o poder de suas mãos, ou em coisas chamadas “normal”, como o cotidiano nascer do sol, e o constante girar da Terra, que são obras de suas mãos e estão debaixo de seu controle, e amor.

Escolhidos para fazer parte de sua família. Renascidos nEle, em Seu grande amor, em sua misericórdia que nos dá nova chance com Ele. Deixando pra trás tudo o que um dia fomos, atendendo ao seu amor para sermos chamados filhos, obra da salvação que nos foi entregue por Ele. Amados de Deus.

Tu me salvaste pra eu poder cantar: Eu sou filho de Deus, então cantemos todos, e vivamos essa paternidade e tão grande amor.

Ariane Machado

domingo, 17 de abril de 2016

O altar da nova aliança

A adoração está intimamente ligada ao altar. No tempo da lei, os filhos de Deus o adoravam através do sacrifício de animais num altar, ofertando-lhe um carneiro ou pombo, por exemplo, em gratidão ou remissão de pecado. Entregando a Deus como cheiro suave sua adoração. 

Nos evangelhos, vemos que os judeus deslocavam-se em direção a Jerusalém para participar das celebrações e adorações do calendário judaico. Ainda no evangelho, no livro de João, capítulo 4, vemos que, diferente deles, o lugar de adoração escolhido pelos samaritanos era o monte Gerezim. No diálogo descrito nesse mesmo capítulo, Jesus fala que era chegado o tempo em que estar em Jerusalém ou no monte não fariam diferença, importa que o adoremos em espírito.

Ora, onde está o espírito? O que nos torna eternos e passivos de receber a salvação é justamente o espírito que há em nós. Entendemos, portanto, que o lugar físico é apenas um detalhe diante da adoração a Deus.

Algumas pessoas têm pregado que estar no templo não é importante, mas a bíblia nos adverte da necessidade de congregarmos, e estarmos em comunhão com os irmãos. Porém, é importante saber que a igreja não é para nós como Jerusalém ou Gerezim eram para os nossos antepassados. Na igreja há adoração sim, há louvor, há gratidão, mas não no altar de pedras no interior do templo, nela há adoração porque os adoradores estão lá, pessoas que têm um espírito que é o altar de Deus.

Em vez de pedras, fogo e um animal, Deus deseja receber as nossas vidas em dedicação e completa entrega a ele. O nosso viver é a nova oferta para Deus, é através da forma que vivemos que mostramos nossa gratidão a Ele, seja dentro ou fora do templo. Nossa vida de entrega a Deus não é vivida apenas nas horas em que estamos no culto, nem mesmo nos tantos serviços da igreja, sejam no templo ou na comunidade. Mas onde quer que estejamos, “quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. (Coríntios 10:31)

O nosso espírito é o novo altar na nova aliança. “Nem nesse monte, nem em Jerusalém”, não na igreja, não na presença do pastor ou dos irmãos, mas em qualquer espaço físico no qual estivermos, o lugar de encontro com Deus é o nosso espírito.

Todo homem tem acesso ao Pai, quem quer que seja pode procurá-lo e o encontrará, basta que nosso espírito deseje encontrá-lo. É através dele que podemos cultivar uma vida em comunhão com o Senhor. Dedicando continuamente o nosso viver para uma vida com Deus. Para sermos verdadeiros adoradores.

E estar na presença de Deus não é qualquer coisa. Apesar de, talvez, o Deus que exigia diversos passos para a purificação e exigências para a santidade parecer mais flexível, devemos lembrar que o nosso Deus não muda, e o altar para a Sua adoração precisa de cuidados. Da mesma forma que Ele recusou o sacrifício de Caim (Gênesis 4) e a oferta de Ananias e Safira (Atos 6), Ele pode recusar a nossa oferta. Deus é o mesmo Deus Santo de outrora, e é necessário que busquemos santidade, e busquemos viver conforme a sua vontade para o adorarmos em verdade.

O altar da adoração de Deus em nossas vidas precisa, talvez, ser restaurado. Há quanto tempo você não o usa? Há quanto tempo tempos usado apenas o palco de nossas igrejas, pensando ser o altar? Nem em Jerusalém nem no monte Gerezim, Deus deseja ser adorado, louvado e estar em comunhão conosco através de nosso espírito e verdade, por uma vida de entrega a Ele, uma vida de integridade e sinceridade em Sua Gloriosa Presença.

Deus nos abençoe, e restaure e purifique o Seu altar em nossas vidas.


Ariane Machado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Conduzindo as características do amor

Como cristãos costumamos ter fácil identificação em alguns meios. Às vezes é fácil reconhecer até mesmo a que doutrina pertencemos. Algumas mulheres não usam calças, ou brincos, há regras contra maquiagem ou especificações até sobre o corte e cor de cabelo. Normas culturais mutáveis que envolvem o consumo de bebidas, o uso de tatuagem e o uso de brinco aos homens. Se cada igreja escrevesse cada uma de suas próprias regras seriam páginas e páginas, e ainda tem o que com o tempo se convencionou como coisa que crente não faz, e as leis da bíblia.

Algumas pessoas têm conhecimento da bíblia, talvez por ter crescido num lar cristão, ou ter bastante convivência com cristãos. Sabe a respeito da criação, do amor de Jesus, sua morte e ressurreição. Crê na veracidade da palavra de Deus, mas resiste em abrir mão de seus prazeres mundanos, de abrir mão de suas calças, brincos, cabelo azul, e bebidas.

Às vezes falo que o evangelho não é uma coleção de mandamentos. Regras que, por vezes, afastam as pessoas da igreja. Não pretendo descartá-las, mas quero nos lembrar de que o evangelho é sobre o amor. Os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João falam sobre as Boas Novas de Cristo, é essa mensagem que Pedro, João, Paulo e os outros apóstolos pregaram nos tempos da igreja primitiva. É a notícia de um Deus que se fez homem, e desse homem que morreu e ressuscitou, e que nos chama, nos ama, e nos salva, que conquista as pessoas. É apresentar o Deus criador, salvador e consolador que faz as pessoas abrirem seus corações e se deixarem ser convencida e convertida pelo Santo Espírito de Deus.

O evangelho é sobre um Verbo, e esse Verbo é o amor. A mensagem central da bíblia é o amor. Deus é amor. E essa deve ser a mensagem que nossa igreja, nossos pastores, nossos grupos de evangelismo, e principalmente nossas vidas devem pregar. Antes de ensinar a uma pessoa sobre o novo guarda-roupas que ela precisa ter, precisamos mostrar o novo coração que temos.

A característica que deve aparecer em nossas vidas e levar outras pessoas a nos ver como cristãos é o amor. O amor de uma vida que recebe um amor muito maior que si mesmo, e que por isso se estende de nós aos outros. E como instrumentos nas mãos do Amor, amamos aos outros, com um coração que não está petrificado pela falta de perdão, por mágoas e rejeições, mas um coração que foi completamente amado, e foi restaurado, um coração que conhece o perfeito amor, e está aprendendo que o amor não tem porquês, desculpas, motivos, ou reservas, mas que deve ser destinado a todos, um amor que tem necessidade de ser compartilhado e que por isso ama sem discriminação.

A lei de Deus, entregue a seu povo através de Moisés não traz salvação, em vez disso traz condenação, pois ela nos apresenta onde estamos errados, e nos leva à consciência de nossas falhas. Muito menos as outras regras bíblicas que, por vezes, foram aplicadas a situações específicas, ou com o propósito de preservação do povo de Israel, e nada tem a ver com a vida eterna. Como poderiam leis humanas nos levar ao céu?

As regras não devem ser deixadas de lado, mas elas não devem ser postas em primeiro plano. O que Jesus pregou foi o amor. Precisamos abrir mão das diferenças que as leis trazem e amar sem desculpas, porque, inclusive, o amor não as aceita. O amor apresenta Jesus, e apenas Ele nos conduz aos céus. A prática das normas de Deus e da igreja deve ser consequência, não das cobranças e acusações que fazemos, mas do desejo que a pessoa terá em se adequar à vontade de Deus e as doutrinas às quais faz parte.

Se pregarmos regras, a vida cristã torna-se um fardo, um fardo pesado e indesejado. Mas quando alguém é conquistado pelo amor de Deus, ele vai se ajustar aos seus preceitos não porque apontamos quando erra, mas por causa do amor que recebe de Deus, e da resposta em amor que dá a Cristo, criando um relacionamento e intimidade. A pessoa que tem intimidade com Deus percebe quando suas ações ou pensamentos O desagrada, e a partir daí, afim de não desagradar a Deus, a Sua vontade será feita. E apesar de as regras da igreja não salvarem, se adequar a elas é adequar-se também às de Deus.

As regras não serão ignoradas, apenas deixará a função de ser um peso desagradável e será natural, porque faz parte das voluntárias decisões de quem deseja caminhar em comunhão com Deus, o alegrando. Por isso, em vez de gravar os dez mandamentos e todas as leis de levíticos, basta que amemos a Deus sobre todas as coisas, com todo o coração, toda a alma, todo o entendimento e todas as forças, e ao nosso próximo como a nós mesmo, aprendendo a assim como Cristo, viver em amor e ser parecidos com Ele.

Ariane Machado

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

De volta a uma vida sem muros

Nosso coração foi criado em perfeita harmonia com o coração de Deus e sua vontade. Adão e Eva eram completamente entregues a Deus em amor e confiança, amizade e devoção. As criaturas andavam lado a lado com o Criador, e com Ele tinham intimidade. O coração do homem alegrava o coração de Deus, com quem vivia plenamente.

Mas o homem pecou e conheceu a vergonha. O homem caído passou a ter dificuldade em descansar em Deus, porque se entregar a Ele revelaria suas fraquezas e erros. O coração afastado da vontade do Pai, agora tem reservas com o seu Criador. Prefere confiar em si mesmo, se arriscar em suas limitações e falhas, metendo os pés pelas mãos enquanto nos afastamos ainda mais de Deus e criamos mais barreiras, uma muralha, em nossa relação com Ele.

Nossos erros nos mostram insistentemente que sozinhos é impossível seguir. Angustiados voltamos ao Mestre. Porém há vergonha, medo, desconhecimento de Deus, pecados e tantas coisas que insistem em prejudicar uma entrega perfeita. A confiança foi perdida.

Conhecemos e cremos num Deus que enviou pragas a uma nação para libertar o seu povo, cremos no Deus que por vezes livrou seu povo de seu próprio castigo, revelando seu imenso amor e misericórdia. O Deus que prosperou Jó, e depois de Ele perder tudo, devolveu-lhe em dobro. Acreditamos no Deus que acalma tempestades, que faz estéril mãe de filhos e velho torna pai, no Deus que faz o exército do seu povo vencer batalhas contra exércitos muito maiores. Cremos e servimos a esse Deus, Deus de poder e de milagres.

Mas apesar de toda a fé que temos, não conseguimos reconstruir a confiança e entrega de Adão. Temos vivido dias em que esperam ou até exigem de Deus, e nem mesmo estão nEle. Mal entendedores da promessa de que Cristo estará conosco, de que tudo coopera para o bem daqueles que o amam e promessas de prosperidade, alguns têm se iludido, pensando estar a salvo de qualquer tempestade que venha sobre seu meio. Pessoas achando que merecem algo ou estão acima dos outros diante de Deus. Criando uma condição de confiança vazia, baseada em interesses.

Essa frente doutrinária deixa-me pensativa, talvez até covarde. Passei a ter medo de esperar pela manifestação do poder de Deus sem que haja entrega da minha parte, sem que haja adoração e louvor a Deus, sem que haja um relacionamento verdadeiro entre nós. Tenho medo de pensar tanto nos feitos de Deus, que ao acordar eu não lhe ofereça palavras de gratidão, mas que de mim saiam apenas pedidos. E eu me perca na confiança de que o braço poderoso de Deus agirá sobre mim, mas não tenha confiança em seu amor, sua paz, sua graça e sua salvação.

Deus não quer de nós um coração interesseiro ou um coração incapaz de se entregar a Ele. Não precisamos ser fortes o tempo todo como nos diz essa insegurança que o pecado trouxe, não temos que tentar ser autossuficientes, porque, inclusive, não conseguiremos. A carnalidade é completamente insuficiente e imperfeita, e nossa alma é dependente de Deus, incompleta sem Ele. Precisamos assumir o risco de estarmos expostos e vulneráveis, e entregar-nos a Deus.

Mais do que nossos pais, melhor amigo ou conjunge e até mesmo mais do que nós mesmos, Deus nos conhece. A exposição menos arriscada que temos a fazer é a revelação de quem somos a Deus. Porque talvez nossos pais fiquem decepcionados com algo em nosso interior, quem sabe magoe nossos amigos, mas Deus nos conhece por completo, Ele não se decepciona, nada do que venhamos a fazer o levará a conhecer esse sentimento, e mesmo conhecendo cada canto em nosso ser Ele nos ama, nos abriga e nos acolhe nEle.

O pior que há em qualquer um de nós é completamente insignificante na missão de levar Deus a nos rejeitar. E Ele não falhará conosco. Podemos entregar-nos por completo, nos abrir a Ele, conversar, chorar com Ele e até mesmo ficar em silêncio em sua presença. Ele nunca nos lançará fora.

A confiança perdida no Éden pode ser reconstruída diariamente, entendendo que Deus não vai se escandalizar com o que há em nosso coração, Ele pode entrar, e cuidar de nós, a porta só precisa ser aberta. Precisamos ainda aceitar que somos completamente incapazes no âmbito espiritual e, portanto, completamente dependentes de Deus e sua graça. E entender que Deus nos recompensa, mas de forma alguma está sujeito a nós.

Ariane Machado

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Deus se envergonha de nós?

Em alguns períodos, ser cristão foi motivo de vergonha. Escuto um caso que alguém afirmou algo assim “passei n anos na faculdade e ninguém descobriu que sou cristão” – não sei se o caso é real, mas imagino que é muito aplicável. Bíblias pequenas para pôr no bolso e outro disfarces possíveis para esconder sua identidade secreta... Você é crente.

Parece-me que isso mudou, há alguns anos ser cristão parece ter virado moda, e pessoas andam por aí com suas bíblias debaixo do braço, um monte de versículo nas redes sociais e placas gigantes escritas “EU SOU CRENTE”, a placa talvez seja um exagero... Mas o engraçado é que em algum momento recente da história algo mudou, e ficou legal ser de uma igreja. Eventualmente o evangelho tornou-se mais atraente, e confortável o suficiente para tanta gente aceitá-lo, isso é realmente preocupante, mas não é bem sobre o que venho falar.

A vida cristã é um relacionamento e, portanto tem alguém além de você, alguém realmente necessário nessa relação, Deus. O crente do século XXI carrega sua grande placa “EU SOU CRENTE”, e o Deus eterno tem gravado em suas mãos o nome do Seu povo (Jeremias 49:16).

Como já falei, creio que a época da vergonha do crente foi deixada de lado, o que quero então perguntar é: Deus se envergonha de ti? Ele carrega o seu nome na palma de suas mãos e se orgulha de mostra-las abertas e dizer “Olha esse meu filho! Ele me alegra tanto!”? Ou você tem feito besteira e ele olha envergonhado, querendo quem sabe, fechar as mãos para que não vejam seu nome?

“[...] Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus [...]” Essa frase poderia estar falando de nós? Esse é um trecho do versículo 16 de Hebreus 11, e todos sabemos do que se trata neste capítulo, A Galeria dos Heróis da Fé. Onde um autor desconhecido se pôs a exaltar homens como Abel, Enoque, Abrão, Isaque e Jacó.

O que? Se eu quero nos comparar a esses grandes homens? Sim! Claro! É para isso que eles estão aí, não? Para nos servir de exemplos e incentivar-nos a sermos mais deleitáveis a Deus. Não fazendo o mesmo que eles, mas fazendo o mesmo que eles. As experiências serão diferentes, mas devemos sim nos inspirar neles, especialmente na fé.

Inegavelmente, cada um naqueles versículos tinha algo em comum, a fé. E se nós não a temos, precisamos rever a placa que temos carregado, porque a fé é crença e se não cremos, podemos ser qualquer coisa, mas com certeza não somos crente, simples português. Mas sem fé também não agradamos a Deus, provavelmente nem creiamos em Deus sem ela, talvez numa força superior porque nos é confortável. Mas para realmente estarmos em Deus, com Deus e alegrá-lo, precisamos crer em quem Ele realmente é, crer que Ele existe e toda criação se fez por Ele, por meio de sua palavra.

Os nossos heróis também tiveram em comum que eles agradaram a Deus. As suas ações tiveram graça aos olhos do Senhor. Abel O alegrou com sua oferta de sacrifício e adoração, ele era um homem correto em suas ações e isso foi aprazível ao Pai. Noé o obedeceu quando nada dava razão ao que Deus lhe falou, nada lhe podia ser provado, mas o firme fundamento no que não se via agradou a Deus.

Obediência, amizade, comunhão, fidelidade e esperança em Deus são características que encontramos na vida desses homens. E há ainda algo que o autor destaca em suas vidas, eles confessaram ser estrangeiros.

A importância de nos declaramos estrangeiros é que temos consciência de que não somos daqui, por aqui apenas passamos, e, portanto as coisas daqui não nos aprisionam, mas nos importa viver pela fé. A aprovação das pessoas daqui não importa, o importante é que aquele de onde venho e para onde vou não se envergonha de mim, talvez ele diga “És meu filho amado em quem me comprazo” e que “o mundo não é digno de nós”.

O evangelho confortável que esse século tem nos apresentado realmente nos leva à aprovação de Deus? Talvez nem mesmo haja um orgulho generalizado em servir a Deus, mas um orgulho por suas próprias doutrinas. O que o capítulo 11 de Hebreus nos apresenta é um apanhado de pessoas e atitudes que agradaram e agradam a Deus, quero nos alertar que em vez de carregarmos placas, carreguemos atitudes, e assim, exibiremos que não nos envergonhamos do Deus com quem parecemos e servimos, e as mãos de Deus estarão estendidas sobre nós com os nossos nomes, e ele se alegrará de nós e nós caminharemos para a pátria celestial que Ele nos preparou.


Ariane Machado