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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Por um olhar



Estava pensando sobre a criação, Deus não criou o homem antes de tudo, mas depois que o céu azul já estava estabelecido sobre a terra, e as árvores, grandes ou pequenas, floridas ou cheias de frutos já tomavam seu lugar em todo o horizonte, e os animais cheio de cores, formas e costumes diferentes, se exibiam pomposos por toda parte e só então, pôs o homem no meio de tudo isso.

Em comparação, temos à nossa volta um trânsito louco, cheio de gente correndo, xingando quando alguém passa cortando, a fumaça da indústria enegrecendo o céu azul da criação.

Por resultado há suicídios, depressão, ansiedade, stress, loucura, a loucura da alma que adoece, adoece ao olhar para fora de si e ver a doença do mundo.

Ah, o jardim do Éden, fotografia da perfeição, a paisagem de total antítese com o mundo de hoje. Deus criou um paraíso à nossa volta, para que o paraíso se estendesse em nosso ser.

“Os olhos são a janela de nossa alma”, Deus já sabia disso, afinal o que há que ele não saiba? E porque Ele sabia que olhar para a criação, a revelação de si mesmo, nos faria melhor do que o mundo é capaz de nos tornar, ele nos envolveu com a sua glória, não com luz, poder e grandeza, mas aquilo que precisávamos ter em nosso ser, doçura, beleza, nobreza e paz.

Mas, mesmo hoje em meio a todo recurso causador de males, ainda há uma noite estrelada, a cada anoitecer, para apaziguar as tristezas da alma, aproximar-nos do autor da nossa paz. E em cada litoral, há um céu que se encontra com o mar, em sincronia e infinitude, desfazendo cada nó que envolve a nossa alma, ou na complexidade das relações, mas que podem nos lembrar ainda sobre o amor e fidelidade, ou o laço e o carinho.

As sutilezas na criação e no cuidado de Deus a nós, já são suficientes para nos pegar no colo, arrastar-nos para longe do que o nossos olhos estão tão acostumados a ver, e então sarar as nossas feridas, recuperando em nós a nossa própria humanidade roubada pela podridão estampada ao alcance dos nossos olhos.

Mas os olhos que vêem numa janela voltada para os céus, ah, esse tem uma alma continuamente resgatada de volta para Deus.

Ariane Machado

sexta-feira, 3 de março de 2017

Evangelho a preço de bala

Não era a minha intenção, mas percebi que o título desse texto tem um duplo sentido. E parece que o evangelho, como o título, tem polarizado duas interpretações. Um evangelho a preço de bala, daquelas que odiamos receber como troco, que não custam quase nada. Mas há quem se surpreendeu com essa interpretação, esses provavelmente pensaram em balas como munição de um revolver, que nos apresentaria um evangelho a custo de sangue. Qual é o da bíblia?

“Assim fica fácil! A custo de sangue, claro. Afinal, Jesus morreu por nós”. Mas a partir daí, qual o seu preço? Agora temos um cristianismo fácil e confortável? Cheio de prosperidade e bênçãos, sem cruz e sacrifícios?

Então, o que dizer dos apóstolos e os primeiros cristãos que morreram por causa da mensagem de Cristo, e para que ela chegasse a nós? E os muitos que morrem ainda hoje ou são perseguidos por professarem essa mesma fé?

Temos um evangelho bem confortável no Ocidente, mas ainda assim, não deve ser ao custo de um doce.

Para Jesus, o preço foi de cruz, e para nós é o mesmo. Sei que a bíblia nos garante que com Cristo o fardo é mais leve, mas Ele mesmo nos convida a carregar a nossa cruz. Ele nos convida a uma vida de renúncias. Renunciar aquela uma hora e meia em que poderíamos estar em qualquer lugar, mas escolhemos cultuar a Deus em comunhão com os irmãos, mas também renunciar a nossa mão e olho, se eles nos afastam de Cristo (Mateus 5), ou abrir mão de nossa própria família se necessário for, por amor a ele (Mateus 10).

Jesus não nos pede o básico, um pouco do nosso coração ou tempo. Jesus pede o nosso coração por inteiro, a nossa vida dedicada a ele no amor superior ao amor por qualquer outro. Um amor que nos torna completamente entregues a ele, que nossa vida seja para sua adoração e serviço, e que se assim não for, de nada serve.

Um evangelho a preço de bala, a preço de cruz, como foi com Jesus. Ao custo que for, até mesmo da vida, por amor a Deus.

Ariane Machado

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Não escolha ser órfão




Há algum tempo eu trouxe uma música do Estevão Queiroga, exaltando o amor de Deus. Mas não foi o bastante para que eu parasse de refletir a respeito dessa música. E me lembrei que toda situação tem dois lados, mesmo quando podemos ver o amor maravilhoso de Deus, há o alvo do amor, capaz de ter uma postura completamente avessa.

“Quando o pai se senta pra brincar com o filho”



Eu ouvi essa música incontáveis vezes, e só conseguia ver esse amor maravilhoso do Pai que se dedica em amor e atenção ao seu filho. Mas, e quando o filho não se senta ao lado de seu pai, para compartilhar nesse momento e sentimento?

Me surpreendi ao me ver nessa situação. Não tenho uma clara e real memória disso, mas por terem me contado, sei que eu era essa filha que se nega a sentar-se com seu pai, e aproveitar dessa construção de amor.

Eu era nova, uma criança com seus, talvez, dois anos de idade. Meu pai tentava chamar a minha atenção, conquistar-me para perto dele, mas eu me afastava, preferia brincar sozinha, a estar com ele. E eu tinha ali um pai, se dedicando, demonstrando amor, mas era uma criança, com o coração (por alguma razão) endurecido com relação ao meu pai.

E assim é o ser humano, e a razão é conhecida por todos, tem por nome pecado. O pecado transformou crianças puras e inocentes, em corações endurecidos, desconfiados, capazes de rejeitar o amor. Deus pai, desde a criação busca sentar-se com seus filhos. Adão, com a inocência de um coração puro, teve o privilégio de passar suas tardes com o seu Pai, caminhar com ele, conversar com ele, compartilhar do amor dele.

Mas o pecado nos rasgou a relação. Da mesma maneira que eu rejeitava o meu pai, um adolescente muitas vezes rejeita o conselho ou o carinho do pai, um jovem exige que seu pai “não se meta em sua vida”, e geração após geração, o homem se nega a sentar-se com o Pai celestial.

Deus nos chama para perto, ele nos busca. Ele nos dá noite após noite, um espetáculo de lindas e reluzentes estrelas e nos chama a prestar atenção, a calarmos e vermos o seu cuidado, mas nos negamos a dar-lhe a devida atenção. Ele nos dá relacionamentos com nossas familias e amigos e diz que é apenas uma amostra do que podemos ter com ele, mas o ignoramos mais uma vez. E até mesmo quando vamos à igreja, ele nos acompanha até lá, senta-se para nos ouvir, mas nos distraímos durante o louvor preocupados com o baterista que errou o ritmo, ou o cantor que falhou quando subiu demais numa nota.

Quando o pai se senta pra brincar com o filho, ele nos convida a sentar-se com ele, e aproveitar do derramamento do seu grandioso amor. Não continue a rejeitar o seu pai, e não escolha ser órfão quando há um Pai cheio de amor esperando por você. Sente-se com o nosso Pai, e o conheça, o sinta, o ame de volta.

Ariane Machado

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Mãos vazias

Eu estava pensando no quanto eu gasto tempo vendo gameplays, não quero criticar quem o faz, até porque eu mesma faço e muito. Passo muito tempo vendo jogos de pes, gartic, uno e outros jogos aleatórios, e sem entrar na discussão sobre o uso do tempo, eu comecei a refletir sobre a minha posição nesse meu novo vício, eu sou apenas uma espectadora.

Ao invés de jogar, eu fico assistindo a outros jogadores. E notei que isso se aplica a outras coisas em minha vida, sempre que trabalham aqui em casa, um pedreiro, por exemplo, eu fico assistindo seu trabalho, talvez eu já seja capaz de construir uma casa sozinha.

E quantas vezes em nossas vidas, em várias áreas temos sidos meros espectadores? A vida vai passando e nós vamos apenas observando. Eu não conseguiria listar o tanto de coisas que já assisti, não listando cada vídeo, mas coisas, sejam os jogos, a reforma da minha cozinha, a construção da casa da minha tia, e tantas outras coisas. Quanto a lista de realizações, eu não teria muitos itens.

Eu costumava ter um mural de fotos, e nele tinha também trechos de algumas músicas, entre elas “nunca mais serei aquela que se fez seca vendo a vida passar pela janela”, e quantas vezes nos temos posto nessa posição. E perdemos tempo apenas observando a nossa vida, deixando-a correr da forma que ela vem a nós. Sem nenhum esforço em mudá-la, ou ainda que não mudando, dar a nossa cara à nova realidade.

E isso está, muitas vezes, presente em nossa vida com Cristo. Aceitamos a Jesus, entramos para uma comunidade evangélica, e vamos frequentando a igreja, frequentando, frequentando e nada acontece. Nossa vida não muda, nós não frutificamos, ninguém é alcançado por meio nós, não tomamos responsabilidades no serviço, e continuamos a apenas frequentar cultos.

A bíblia relata uma parábola em que um senhor viaja e deixa seus servos responsáveis por suas riquezas, quando ele retorna, procura pelos resultados do seu tempo fora. Há servos que multiplicaram a riqueza do senhor, que investiram, correram atrás, mas um dos servos nada fez, e na hora da chamada, nada tinha para entregar ao seu senhor. (Mt 25)

Qual dos servos nós temos sido? Se tentássemos fazer uma lista das nossas realizações em nossa caminhada com Cristo, será que teríamos sucesso? Temos pelo menos um item? Ou você acha que ir à igreja é o máximo que pode fazer? 

Não precisamos de uma lista, também não precisamos nos destacar, tentar ser o melhor, o irmão que mais traz visitantes ou coisa do tipo. Mas precisamos sair da janela. Parar de apenas olhar e trabalhar em favor do reino. Mostrar Cristo onde formos, para que cada ambiente em que você for seja mudado pela presença de Cristo através de você. Quem sabe ajudando sua igreja assumindo um novo cargo. Visitando os irmãos doentes. Evangelizando. Deus não nos chamou para preencher os bancos da igreja ou uma lista de membros, Ele quer agir em ti e através de ti.

Levante-se, moça ou moço, e vamos rever isso. Sair da Janela, ter um novo relacionamento com Deus, e dizer ao seu pastor que ele pode contar com você também.

Ariane Machado

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O bom de 2016




É interessante como funciona a nossa mente e o nosso armazenamento de dados. Somos levados a lembrar com muito mais intensidade das coisas que nos marcam negativamente, porque das fortes marcas que deixam em nosso emocional.

Somos facilmente transportados a lembranças tristes que muitas vezes nos deixam chorosos. Provavelmente, lembramos com mais detalhes do “dia mais triste de nossas vidas” do que do “dia mais feliz”, se não somos casados ou não nos tornamos pais ainda, imagino que não temos esse dia tão claramente marcado em nossa memória.

E é assim que funcionam nossas lembranças. Muita gente tem reclamado do ano que estamos finalizando, do quão difícil ele foi. E não é mentira, tivemos tragédias gigantes, crises que se estenderam por todo o ano, uma guerra que continua a ser travada, além dos problemas particulares de cada família e cada pessoa.

Mas eu tenho certeza de que não foi só isso. Coisas maravilhosas acontecem todo o tempo, pequenas alegrias, ou coisas muito boas que deixamos esmaecer por conta das más lembranças.

O nosso Deus é fiel e tem permanecido constante em nossas vidas. Te convido a repensar este ano, ele foi muito mais do que crises políticas e econômicas. Ele foi mais um ano guardado por Deus, e certamente recheado de bênçãos. Talvez uma super promoção no trabalho, ou pessoas que entraram em sua vida e fizeram toda diferença. Planos que se concretizaram, novos sonhos que nasceram.

Cara, você fez mais um ano de vida! E já está caminhando para o próximo! Lembre-se da última gargalhada que você deu, e das pessoas que lhe acompanhavam nesse dia, seja grato a Deus por elas. Não olhe apenas para aquilo que se perdeu totalmente do planejado, mas olhe para o que essa mudança de rota lhe trouxe! Novas oportunidades, novas conquistas!

Existe, realmente, muita coisa ruim no mundo, e inclusive ligadas diretamente às nossas vidas. Mas também muita coisa boa nos aconteceu. E tenho certeza de que se começarmos a ser agradecidos pelas pequenas coisas que nos surgiram à mente durante essa leitura, muitas outras lembranças irão surgir. E verás que a luta foi difícil, mas com certeza abençoada.

Te convido a usarmos agora esse espaço para lembrar-nos do bom deste ano, deixe uma experiência positiva deste ano, uma boa lembrança, e mostremos a nossa gratidão por mais um ano vencido. E muito mais do que expor aqui, sejamos gratos a Deus, porque Ele esteve conosco em cada um desses 365 dias, e promete estar em cada um dos próximos.

Agradeço a Deus por esse veículo no qual trago um pouco da palavra dele, que tive o prazer de iniciar neste ano, e de compartilhar com vocês as palavras que Ele me tem dado e me levado a refletir e ser edificada nele. E agradeço a cada um de vocês, muitos eu nem conheço, mas tem me acompanhado e me ajudado a levar esse projeto em frente.

Obrigada.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Onde encontrar o Senhor

Eu tenho sempre a preocupação de não ouvir músicas apenas por ouvir, mas dar atenção à sua poesia, tentar entender o que o seu compositor queria dizer ou o que ela me faz sentir. Seja ela “gospel” ou o que quer que seja.

Alguns cantores “gospel” atuais têm buscado uma linha de composição um tanto diferente. Em vez das costumeiras citações da bíblia, ou exaltação do que Deus pode fazer, alguns trazem reflexões que, às vezes, nem mesmo falam em Deus, mas que é possível ver os ensinamentos e princípios bíblicos permeando por entre algumas frases que, a princípio, parecem ser apenas diversão.

E há ainda casos, contrariando a toda teoria sobre o quanto é errado escutar músicas do mundo, em que você sabe que a canção não é evangélica, não traz consigo valores bíblicos, mas você não consegue ver nela o seu valor real, porque você consegue encontrar Deus nela, e às vezes de forma muito forte, mais forte do que o romantismo, ou a revolta contra o sistema tensionado pelo compositor.

Eu percebi isso com muita clareza depois de ver alguns textos no blog Minha Vida Cristã interpretando músicas seculares. E me dei conta de que realmente há composições que têm muito de Deus, mesmo quando não veem do interior de uma igreja. Mateus Machado, escritor do MVC usa algumas músicas do Charlie Brown Jr para falar disso, e a música “longe de você”, para mim, é muito forte uma descrição da procura de Deus e do encontro com Ele.



Eu sou apaixonada por músicas de adoração, aquelas que te levam direto ao trono de Deus, que nos aproximam dEle, revelando Ele em sua letra. Músicas que vão ao íntimo de nosso ser e nos "desarmam" completamente, nos levando a chegar à presença de Deus sem reservas, sem defesas. E muitas das músicas que ouço são assim, porque vejo nelas um valor muito grande na adoração.

Mas na medida em que dizemos que devemos pregar muito mais com a vida do que palavras, encontrar músicas que parecem ser simples entretenimento cheias de princípios me parece uma riqueza. Porquê da mesma forma que, às vezes, não encontraremos alguém disposto a ouvir o evangelho, e pela nossa vida de amor, mansidão e misericórdia lhes revelaremos o Pai, assim também haverá pessoas que não estarão dispostas a ouvir músicas que exaltem a Deus com clareza, e na sutileza de uma música com princípios divinos Deus lhes será revelado.

E até mesmo numa música secular, porque Deus age de formas inexplicáveis. E como ele alimentou uma multidão através de uma criança, e antes havia falado com um homem através de uma jumenta, esse nosso Deus Maravilhoso e Inexplicável pode se revelar da maneira que lhe convém. E é interessante a frequência que se pode encontrá-lo fora do padrão gospel. Basta que estejamos atentos à revelação de sua glória.

Não podemos limitar o nosso Deus às quatro paredes de nossas igrejas, Ele está presente em toda parte, e se revela em todo tempo. Às vezes tão alto como o som de trovões ou o sino de uma igreja, mas em outras, Ele é tão sutil que somente se estivermos atentos o encontraremos.

Ariane Machado

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Esperança viva

Se tem uma coisa no mundo que precisamos ter certeza, absoluta certa, precisamos estar completamente certos disso de forma que não sobrem brechas para dúvidas, é a certeza da segunda volta de Cristo. Dou graças a Deus, porque eu não consigo ter nenhuma dúvida a respeito dessa verdade. E nesse ano eu tenho sido levada a pensar sobre o céu, e tenho um texto sobre o céu e o anseio por ele bem AQUI.

Num dia desses, eu acordei com uma certeza muito forte, que confirma toda a certeza da qual falei a cima, não apenas de que Jesus vai voltar. Mas que Jesus vai voltar logo, em breve, daqui a pouquinho. E eu sei que isso foi anunciado lá pelos profetas, mesmo antes de Jesus vir a primeira vez, sei que o Novo Testamento, que foi escrito há um tempão também anunciou isso, e também nossos avós já ouviram sobre isso quando eles tinham a nossa idade, e isso tem sido muito repetido, mas não é como um folclore, lenda ou mitologia. Temos insistido em falar porque é a única certeza que temos sobre o mundo.

"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. ” Mateus 24:30


Porque tudo está completamente incerto, quem sai não sabe se voltará; você talvez já desistiu dos teus sonhos de infância há tanto tempo e já pôs outro sonho no lugar, e mais outro e o que você está fazendo agora talvez não tenha a ver com nenhum desses sonhos, mas é o seu sonho hoje. E da nossa economia nada sabemos, apenas que vai mal. E tem todas as outras coisas que são completamente incertas, mas podemos nos assegurar numa verdade que não muda, que é a nossa esperança. Jesus virá.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma ESPERANÇA VIVA, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma HERANÇA que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos CÉUS para vocês que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até chegar a SALVAÇÃO PRESTES A SER REVELADA NO ÚLTIMO TEMPO. ”1 Pedro 1:3-5


E eu tenho contemplado, pela fé, que esse dia está realmente próximo. Recentemente ouvi um pastor brincando que somos a geração que talvez vai ter a oportunidade de dizer para Paulo que vivemos a volta de Cristo, dizer para a geração que andou lado a lado com Cristo “sabe aquilo que você mais ansiou na vida? Aquilo pelo que você acordava cada dia? Eu vi!” (Palavras minhas) Esses caras emblemáticos da bíblia tiveram a oportunidade de viver e ver coisas extraordinárias, mas eles não viveram nos dias em que Jesus voltaria, e cara, eu creio que nós estamos vivendo esses dias.

Essa verdade é muito real, e muito forte, precisamos ter o cuidado para que isso não seja apenas um detalhe sobre o evangelho, mas que seja como um fogo que arde em nossos corações. Um fogo que nos deixa constantemente alertas para estarmos pronto quando a trombeta tocar. Um fogo que nos deixe ansiosos para ouvir esse soar.

Max Lucado disse em algum de seus livros “Ame como se não houvesse amanhã”, e assim deve ser a nossa vida, porque esperamos mesmo que talvez não haja, e se não houver, precisamos ter amado a Deus com todo nosso ser, entendimento, forças, ações, palavras, com tudo o que somos, precisamos viver prontos para a volta de Cristo como se não fossemos ter a chance de consertar, de pedir perdão mais uma vez, de voltar atrás, “e se houver um amanhã” – completa Lucado – “ame novamente”. Devemos estar prontos, com uma vida em santidade e intimidade com Deus, crendo que Jesus pode voltar ainda hoje, e se o ultimo dia só for amanhã, precisamos estar prontos de novo, em cada novo dia, preparado para encontrar com o nosso Salvador.

Ariane Machado

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Satisfaçam o país e o Pai


A redação do enem, realizado no último fim de semana, tinha como proposta o desenvolvimento de caminhos para combater a intolerância religiosa, e certamente as discriminações e crimes de ódio que têm como motivação a diferença de credos.

Eu não tenho uma resposta que abrace a toda a sociedade. Não tenho uma proposta social para resolver esse problema. Eu também não tenho conselhos que satisfaçam aos espíritas, budistas, islãs e às mais diversas crenças, porque na verdade eu pouco conheço delas.

Mas eu conheço a cerca do evangelho, me entristeço em saber da triste realidade, que é a presença de muitos que levam o nome de cristãos nos índices dessa prática. Sejam em conflitos como os que geraram a divisão das Irlandas, ou nos mais sutis comentários e comportamentos segregando aqueles que têm a fé firmada em outrem que não Jesus, nosso Salvador.

O caminho para que não haja intolerância é também o centro do evangelho, o sentimento mais precioso e que é também o motivo da nossa salvação. O sentimento que o próprio Deus é, e por meio dele desenvolveu o plano de salvação para a humanidade. Eu falo acerca do amor.

Pelo amor de Deus por nós, recebemos hoje o dom da salvação. E vendo e aprendendo desse amor, Jesus, a personificação do amor, nos ordena apenas duas coisas. E sobre elas está firmada o evangelho. 1. Amarás a Deus sobre todas as coisas. 2. Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O segundo mandamento não impõe condições, não é se ele estiver na mesma igreja que nós, nem mesmo sob a mesma fé.

Ame ao ser humano como você se ama, diz o mandamento. Ame aos cristãos como a si mesmo, ame aos islãs como a si mesmo, ame aos judeus como a si mesmo, ame também aos de religião afro descendente como a si mesmo, ame ainda os budistas como a si mesmo, e aos seguidores de toda e qualquer crença como a si mesmo e, não menos importante, ame aos que em nada crêem como a si mesmo. 

"Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" ( I João 4:8) E de forma inversa, quem conhece o Deus do amor certamente ama. É claro que não amamos automaticamente ao conhecermos Jesus, mas conhecer a imensidão do seu amor, perceber a grandeza do amor que recebemos dele, nos leva a transbordar desse amor. E portanto amar. Amar a cada uma das pessoas supracitadas. Não compartilhar da fé delas, não participar de seus rituais, nem mesmo deixar de buscar alcançá-las para Cristo. Mas não por meio de acusações, não se achando superior, ou ainda implicando com suas práticas. Mas amando.

Talvez não com o seu próprio amor, porque, às vezes, simplesmente é difícil demais, mas com o amor do Pai. Apresentando o Pai. Compartilhando o Pai. Quem sabe sem palavra alguma, mas amando em ações, dividindo, perdoando, compartilhando, exalando a bondade, a doçura, a mansidão, a graça de Cristo.

Não resolvemos assim nenhum problema do Brasil, mas eu e você estaremos fazendo a nossa parte, e sendo tolerantes como o país espera, e amorosos como o Senhor ordena.

Ariane Machado

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Mais um dia de menino(a)

Quem não for como criança não entrará no reino dos céus, Jesus nos ensinou isso, mas como ser como criança se nem as nossas crianças estão sendo crianças? Infâncias roubadas pela violência, pelos maus tratos, pela criminalidade, ou de forma sutil, meninas deixando de ser crianças para viver uma sensualidade que ainda não é para elas, e meninos buscando uma vida de conquistas cada vez mais cedo.

As bonecas têm sido deixadas de lado tão cedo, e os carrinhos já não tem serventia. Correr na rua para gritar “um, dois, três, salve eu!” a cada rodada de esconde-esconde já não tem sentido para a maioria das crianças, brincar de dono da rua, ou baleado é para poucos. Não vou nem culpar a “geração de cara enterrada no celular”, mas ao afastamento da inocência, culpo as preocupações que têm chegado antes da hora, e a infância se vai.

Nós mais velhos, temos, talvez, vivido sérios demais, com preocupações demais, mesmo tendo nos esbaldado nas brincadeiras que tínhamos, mas as deixamos de lado. Assumimos o disfarce de adultos, pegamos todas essas responsabilidades, e a maioria das evidências das crianças que fomos é apagada. Talvez voltem à tona ao olharmos as fotos, ou nas reuniões de família. Mas você se lembra da criança que costumava ser?

A bíblia nos instrui a sermos como crianças não para vivermos brincando de boneca, carrinho, comidinha e outras brincadeiras. Creio que a bíblia se refere à leveza das crianças, à facilidade que elas têm em perdoar, em esquecer, deixar ‘pra lá’, e seguir. Não se prender a aparências, ao que o outro falou, e tantas coisas que limitam os adultos.

Talvez “ser como criança” seja sobre o amor também, a sinceridade com a qual a criança ama, e se entrega, confia. Deus nos convida a ser suas crianças, seus filhos. Confiarmos nele como uma criança confia em seu pai, olhar para ele com a admiração que uma criança olha para seus pais, desejando ser como eles, e ele realmente nos convida a ser como Ele. A depender dele, a entregar-nos a ele.



Eu vos trouxe um vídeo, O outro pequeno príncipe – feito por Bianca Mol, e não sei se ela é cristã, qual a sua fé, mas não precisamos e não devemos ficar presos achando que só podemos aprender com o que é “gospel”. Acho os vídeos dela cheios de beleza e fofura, e os convido a assistir aos outros!

Nesse vídeo, a Bianca nos apresenta uma criança, um menino sonhador, cheio de imaginação, inocente, leve, que só queira ajudar as pessoas, viajar e certamente se divertir, e ele o faz por anos, mas a vida adulta chega até ele, como a todos nós. E o pequeno príncipe já não se lembra de quem foi o pequeno príncipe menino, já não lembra o que ele fez, o que ele sonhou, e quem ele era em essência, o que o movia. As responsabilidades, o dia a dia, a rotina, o tempo, os anos deixam essas coisas descoloridas.

O personagem da Bianca precisa de um novo príncipe para lembrar-lhe de quem ele fora um dia, uma criança como ele. Simplesmente para ver beleza dos nossos dias já devíamos esforçar-nos em manter-nos criança, para ter o encanto dos seus olhos. E ainda mais nós, que nos baseamos na palavra de Deus, devemos nos fazer como crianças, todo dia, e renovar os nossos sonhos, nossa fé, nosso amor pelo Pai, e entregar-nos a ele dia após dia. Não esquecendo da criança que nós fomos, e nem de quem queremos ser, parecidos com o nosso Pai Celestial.

Ariane Machado

domingo, 9 de outubro de 2016

Do início ao fim




Para todo escritor, ou que ao menos tentam, existe uma beleza encantadora na escrita, na criação, no poder de fazer arte. E, não sei se já notaram, mas repetidas vezes eu exalto Deus como autor e escritor. Porque eu tento, miseravelmente, descrever um pouco sobre Ele, e tudo o que Ele já fez foi descrevendo sobre ele mesmo.

“Os céus declaram a glória de Deus”, nos disse o salmista, e assim é. Por mais palavras que usemos, só descrevemos um pouco do que já nos foi mostrado e é mostrado todo dia, desde o nascer do sol e cada manifestação da glória de Deus. E além dos céus, da natureza e toda a criação, a vida anuncia algo. Todo dia, cada vida, de alguma forma anuncia um pouco de Deus.

Eu trago hoje, uma reflexão sobre uma música do Rodolfo Abrantes, que me veio à memória nesses dias, regravada por Gabriel Guedes. E a música consegue andar rapidamente de um polo ao outro do novo testamento, ou talvez, desde a profecia de Isaías sobre o nascimento de Jesus, até a profecia de João sobre a segunda vinda de Cristo.

E ouso fazer uma caminhada um pouco mais cumprida, iniciando em Gênesis. Como já disse, todo dia a glória de Deus é declarada, e desde o início, por sua autoria maravilhosa, seus planos são apresentados à humanidade.

Com início no Éden, na escrita sucinta de Moisés, temos vislumbres do paraíso, a perfeição, onde não havia choro nem ranger de dentes, como também, aperfeiçoado, será na nova Jerusalém. Ainda em Gênesis, vislumbramos num retrato parecido, a espera por um filho prometido, um filho que viria a ser sacrificado, numa amostra de Deus de que suas promessas são cumpridas, e de que é o Deus provedor de resposta e socorro.

Então, num enredo perfeito, Deus aponta para a promessa do céu e a promessa do resgatador. No livro do profeta Isaías, inspirando o compositor dessa música, Deus nos dá com clareza um relato prévio da vinda de seu filho.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Isaías 9:6


O céu começa a se abrir, o menino que veio a nós, como homem, como menino, viveu entre nós, morreu por nós e abriu o novo caminho para termos acesso ao Pai, retorna. Todo joelho se dobra diante do Maravilhoso Jesus, diante de sua soberania e poder, e a glória ao Príncipe, que não foi dada ao garoto, em vez disso o humilharam, rejeitaram e o mataram, é agora dada. Em sua segunda vinda, não mais para salvar Jerusalém, mas para resgatar a nós salvos, para a Nova Jerusalém.

Depois dos relatos de um paraíso, um jardim preparado para a comunhão entre o homem e Deus, entraremos então pelas portas da cidade, onde haverá não apenas um jardim, mas uma cidade adornada para a eternidade, para a completude do plano de Deus, para a plena comunhão, a concretização de tudo o que os 66 livros da bíblia apontam. Enfim, o encontro real e pleno da noiva com o noivo.

Ariane Machado

domingo, 25 de setembro de 2016

Reincidentes por gerações


“Você não sabia com quem estava, Israel? Você não conheceu quem te salvou? Quem te protegeu, te cuidou, te amou. Oh Israel, para onde olhaste por todo esse tempo? Oh noiva, o que impediu de seus olhos ver o agir de Deus? Seus ouvidos, para que servem, se não podem ouvir a voz do teu Pai? Oh regatado povo, o que fazes? ”

Essas linhas podiam ser direcionadas ao histórico povo de Israel, e como podia. Na verdade, em outras palavras, de diversas formas foram ditas sim. Ditas para o povo que viu Deus de perto, o povo resgatado, como um filho órfão que recebeu um nome, ganhou um Pai, um novo caminho a trilhar e um glorioso futuro lhes foi prometido.

Mas diversas vezes esse mesmo povo foi advertido. Pessoas que viveram as maravilhas de Deus, mas lhe viraram as costas incansavelmente. Se Deus não respondia, se a resposta não os agradava, se Deus “ousava demorar”, ou sem motivo algum. Bastava ter diante de si culturas, povos e divindades diferentes, que Israel abandonava o Deus que os amava, deles cuidava e protegia, e se curvava a deuses pagãos.

E com a mesma facilidade que o povo que andou ao lado de Deus abriu mão dele, isso se repetiu no novo testamento. Pedro, um dos discípulos mais próximo de Cristo o negou, trocando-o, não por deuses, mas por sua vida. E também outros que andaram com Jesus, pessoas que ouviram suas palavras, presenciaram seus milagres, comeram com ele, mas perderam suas esperanças e voltaram a suas velhas vidas diante da morte do Mestre. Como que não conheciam aquele a quem seguiram e ouviram.

E assim também foi com a igreja, não nós ainda, mas a igreja admoestada por Paulo, a igreja que recebeu cartas dele as advertindo acerca da entronização dele ou de Apolo, em Corinto. Ou a entronização da lei por parte do povo salvo pela graça, em Galácia, Assim foi em cada cidade, em cada tempo, o povo de Deus se afastando Dele. A nação sobre a qual Deus sempre esteve presente, fosse numa coluna de fogo, nas palavras de um profeta, na personificação do Filho, ou na presença do Santo Espírito, sempre encontrou um jeito de colocá-lo em segundo plano e se fazer escravo.

E mesmo fora das páginas da bíblia a história se repete, “Por isso ainda faço denúncias contra vocês, diz o Senhor, e farei contra os seus descendentes” (Jeremias 2:9 NVI), porque nós, descendência, repetimos os mesmos erros de nossos pais. A bíblia diz que é sábio aquele que aprende com a desgraça do tolo, mas ainda não vi a geração que usa as lições dos outros para trilhar o caminho de Deus. Pelo contrário, cada geração insiste em errar de igual modo, insiste em ter suas próprias experiências, entregando-se a qualquer coisa além de Deus, aprisionando-se a qualquer coisa que atravesse o nosso caminho.

Somos mais uma geração a quem as palavras do início desse texto se adequam, um povo que não conhece o seu Deus, mas se deixa ser servo de seus próprios desejos. Uma noiva insensível à voz de Deus, uma noiva manchada, uma noiva que não se preserva para o seu noivo, que nem mesmo conhece a imensidão do amor dele. Mas se entrega à menor das ofertas.

Conheçamos o nosso Deus, oh igreja, e saberemos que ainda há chance de sermos somente dEle, que a impureza do nosso vestido pode ser limpa com o sangue do Cordeiro. E podemos ser livres de amarras. Uma noiva pronta para a chegada do Santo Noivo.

Ariane Machado

domingo, 3 de julho de 2016

O que queres de mim, Senhor?



“O que queres de mim, Senhor? Queres que eu te siga por toda a minha vida? Sim, eu quero fazê-lo, mas há momentos em que meus passos não percorrem os teus caminhos. Por vezes me perco no que outros esperam de mim, e perco de vista a tua vontade, os teus caminhos; deixo de priorizar a Tua vontade, para adequar-me a vontades que deveriam estar tão abaixo da sua, que é soberana e perfeita. E quantas vezes não é o meu próprio ego que me desvia do caminho? Tentando saciar desejos pessoais, ou perdido em minha ansiedade. Então me volto para ti e peço perdão. Certo de que ele virá, não porque mereço, mas por sua misericórdia e amor.

O que queres de mim, Senhor? Queres me enviar aonde a terra não é fértil, mas existe o desejo verdadeiro de conhecer-te? Sim, Senhor, eu quero fazê-lo, tento ir, tento falar, mas há momentos em que me calo quando apenas um nome seria usado pelo Teu poder – Jesus Cristo. Ora, quantas oportunidades eu deixo passar, paralisada pela falta de jeito com as palavras, quando na verdade sei que o Senhor mesmo se revelará através de mim, que o Senhor falará através de mim, que é o Santo Espirito quem mesmo faz a obra. Mas eu quero ir, Senhor, quero fazer a Tua vontade, quero viver para Ti, quero falar de Ti. E ainda pergunto, Senhor, reconhecendo que quero fazer o que Tu queres. Sei que o Teu desejo para a minha vida é a felicidade. E pergunto ainda: O que queres de mim?

O que queres de mim, Senhor? Queres que eu Te entregue as minhas mãos, meu coração, meu pensar e meu falar? Sim, Senhor, eu quero fazê-lo, mas há momentos em que é tão difícil negar-me a mim mesmo e seguir-te, que eu somente poderia voltar-me para Ti em oração e clamar: Senhor, ajuda-me para que eu Te siga por toda a minha vida e jamais meus pés se desviem dos Teus caminhos; fortalece-me, para que eu mostre o Teu amor ao mundo com humildade e mansidão; guia-me, para que eu possa ir onde Tu queres que eu vá e ali pregue a Tua palavra.

E ainda Senhor, aumenta a minha fé em Ti, para que haja entrega a ti de minhas mãos, meu coração, meu pensar e do meu falar, e eu possa estar pronto para ouvir de Ti a resposta quando falar.”

Quantas vezes palavras como essas fazem parte de nossa oração? Quantas vezes perguntamos com insistência, “O que queres de mim, Senhor?”. Temos entendido/ escutado a resposta que vem de Deus? Como ao final da oração acima, precisamos estar tão entregues nas mãos de Deus, que saberemos sua resposta. Que sonharemos os seus sonhos, que teremos impresso em nossos corações a ardente urgência para realizar o propósito dele para nós.

Que estejamos tão conectados a Ele, firmes em fé, que nada possa ser capaz de impedir os nossos pés de trilhar os caminhos do Pai. Nem os outros com suas propostas, nem nós mesmos com nossas urgências e ansiedades, nem “a tribulação, ou a angustia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada”, “nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem altura, nem profundidade, nem qualquer criatura” tenham o poder de afastar-nos do Seu caminho e de Seu propósito. (Romanos 8)

O que queres de mim, Senhor? São meus dias? O meu tempo? Meu coração? Minha vida? Gratidão? O que podemos dar a Deus que Ele já não tenha? O que ele ainda não encontra em todo universo? Nada lhe falta, mas falta a mim, falta a você, falta à humanidade. Falta ao homem reconhecer e agradecer, com mais que palavras, pelo sustento de Deus, falta-nos agradecer pelo sacrifício de Jesus por nós, falta-nos retribuir, ainda que de forma insignificante. Falta-nos dá-lhe o que um dia ele nos deu. Se com a vida Ele nos serviu, e nos trouxe a salvação, com nossas vidas o sirvamos. Se da vida Ele abriu mão por nós, vamos renunciar a nossa, e entregar a Deus, para a satisfação de Seu coração.


Ariane Machado e Floripes de Jesus

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A intimidade que se foi


E de repente nos damos conta de que nossa intimidade com Deus já não é mais a mesma. Batalhas e batalhas travadas, e a gente se dá conta que temos perdido repetidas vezes. A rotina nos vence, nos levando à uma vida de ações automáticas, lembrando apenas do urgente, deixando coisas essenciais para depois, quando se vê, já se foram dias sem buscar a Deus, dias sem nada mais que uma oração rápida, só para “bater o ponto” com Deus, quando na verdade sentimos que nossas palavras nem chegaram ao céu, mas é uma rotina.

E quando a batalha que perdemos é para a procrastinação, o “depois eu faço” torna-se a frase mais recorrente em nosso dia. Vou orar, mas primeiro vou checar o whatsapp e todos os outros meios de comunicação, a oração depois eu faço. Mas agora vou comer, a leitura da bíblia depois eu faço. Já estou atrasada para a faculdade/ trabalho/ escola, as coisas de Deus, depois eu faço, quando chegar, ou antes de dormir. Até que nos sobrem poucos minutos antes que desistamos pela sobrecarga de sono, ou nos lembremos apenas quando os olhos já estão fechados, “então deixa para amanhã”.

Preguiça, falta de prioridades, rotina, descuido, o que seja, a lista de batalhas que perdemos talvez seja imensa, deixando nossa intimidade com Deus em planos cada vez mais distantes. E quando nos damos conta, olhamos para trás e invejamos de nós mesmo esse aspecto da vida que um dia tivemos.

Talvez cheios de saudosismo, estamos lembrando agora como era a nossa vida de oração, a ansiedade que tínhamos em dobrar os nossos joelhos e buscar a presença de Deus. Ou a facilidade que tínhamos em falar com Ele, a naturalidade com que as palavras saiam de nossa boca, a facilidade com a qual elas nasciam em nossos corações. E agora, o quão difícil tem sido articular as mais “bobas” frases, na falha tentativa de falar com o Pai.

O que foi mais importante que ousou tomar o lugar de Deus em nossa vida? O que aconteceu que não notamos quando essa intimidade se esvaiu de nossas mãos?

E engatinhando, tentamos tropegadamente retomar a um relacionamento com o nosso Deus. Mas talvez, tão feridos por essas batalhas, cansados dessa exaustiva rotina, envergonhados pelo abismo que se estabeleceu entre nós e Ele, não conseguimos fazer nada além de clamar por misericórdia e nos perder novamente em tudo que nos afastou do Pai.

O que fazer? Como retornar a Ele? Podemos mesmo recomeçar? Sim, podemos recomeçar, Deus nos dá um novo começo. A ira que sente diante de nosso pecado, ou a tristeza que o toma diante de nosso desprezo, são deixados de lado e dão lugar às qualidades que o compõe. Ele nos olha com amor e com misericórdia, e enquanto há vida, Ele está disposto a nos dar aquilo que não merecemos, não nos vê com os olhos do mundo, olhos que sempre procuram por merecimento, pois seu amor é tão grande. Ele não está disposto a nos perder para a rotina e distrações, e ele não apenas nos aceita de novo, mas nos chama para voltar a Ele, e restaurar a nossa história com ele.

Ele já sabia quem éramos, o quão pecador é o ser humano, e através da morte de Jesus temos um recomeço, seu sangue lava-nos os pecados, mas também a negligência a Ele, e todas as desculpas. Precisamos, claro, querer ter um padrão de vida diferente, não estou dizendo que seja fácil, nem mesmo da noite para o dia. Não vamos passar de “crentes-distantes-de-Deus”, a mestres da intimidade, passando horas diante da presença de Deus, em intimidade, mas precisamos desejar e buscar viver mais do que o que temos vivido.

Precisamos colocar Deus em seu devido lugar em nossa vida, precisamos que Deus esteja no centro de nossas decisões, na posição mais alta que há em nosso coração, ou continuaremos a nos afastar do Pai, e não nos daremos conta da distância que vem se estabelecendo. Se nunca tivemos intimidade com Deus, ainda que nosso íntimo grite, mande mensagens, outdoor e até mesmo sinal de fumaça, seremos incapazes de entender que a falta que nossa alma sente é de Deus.

Porém, Deus não desiste de nós, Ele nos chama, insiste incansavelmente. Mesmo diante de nosso silêncio, mesmo diante de nossas desculpas, Deus deseja se relacionar conosco. E o mais interessante é que toda essa insistência não é porque Ele precisa de mim ou de você, Ele insiste porque sabe que ninguém no mundo tem para nós o que Ele tem; ninguém no mundo se importa conosco como Ele se importa; ninguém no mundo tem os planos de paz e perfeição que Ele tem para nós; ninguém no mundo poderá nos dá a recompensa que Ele promete para nós; ninguém além dele pode preencher o vazio que há em nós; ninguém no mundo insistirá o tanto que Ele insiste; ninguém no mundo nos ama como Ele.

Então, não sei onde ou o que cada um está fazendo agora, mas vamos parar um pouquinho, só alguns minutos, repensar a nossa atual relação com Deus, e dedicar alguns minutinhos a falar com Ele, entrar em sua presença em oração. Na próxima oportunidade lhe cante um louvor, decida adorá-lo, trazê-lo mais para seu dia, trazê-lo de volta para a sua vida.

Ariane Machado

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Quem me vê, o que vê?

Certa vez, um amigo meu brincou que era impossível que uma mulher passe por um carro e não se olhe nele. Talvez não seja uma regra, e não precisa ser num carro, mas temos uma imensa atração pelo que possa refletir a nossa imagem. Seja para ver se estamos gorda ou magra, penteada ou desconstruída, bem maquiada ou precisando de retoques, e sei que muitos homens também não perdem a chance de conferir os cabelos, ou ter certeza de que os músculos estão suficientemente à mostra.

Não é a minha intenção discutir vaidade, apesar de Salomão alertarmo-nos de que tudo é vaidade, não creio que a intenção dele fosse de que nos afastássemos completamente dos espelhos que nos cercam. Além de toda a sua beleza, o que você vê ao encarar o espelho? A quem ele revela?

Encare os seus olhos no espelho, o que ele diz sobre você? Talvez ele apresente um olhar cansado, quem sabe exausto, de alguém que insiste em sustentar suas cargas com seus ombros, atropelando diversas noites passadas em claro tentando resolver problemas que não estão ao seu alcance. Talvez ele apresente um olhar desconfiado, de quem não consegue confiar em ninguém, de alguém que sempre espera ser traído, que não aceita ser amado, e que não ama. Talvez o olhar que você encontre, traga marcas de raiva, de rancor, dando amostras de alguém que não perdoa, que guarda mágoas, e as carrega, amontoando-as às dores anteriores, e se enterrando no que os outros lhe causa.

Problemas para nos exaurir realmente encontraremos, pessoas que tentarão minar nossa confiança certamente passarão por nosso caminho, e mágoas serão muitas vezes difíceis de evitar, mas precisamos resistir e vencer cada uma dessas coisas, e tantas mais que nos virão. Mantendo em nossos olhos o olhar de Cristo. Precisamos ser indivíduos que sabem entregar ao Pai o seu caminho, e suas aflições, tendo nEle esperança. Sejamos aqueles que confiam, que entregam tudo às mãos de nosso Deus, e descansa na sua graça. Pessoas que carregam a leveza do perdão. Mais do que isso, esforcemo-nos a carregar em nosso olhar amor, o amor que não procura merecimento nos outros, mas lhes oferece a graça, olhos que não vêm as diferenças, mas que exalam misericórdia. Olhos cheios de mansidão e cuidado.

Olhemos a nossa boca em nosso espelho, e vemos o que? Lábios que exalam mal dizeres, talvez, denegrindo pessoas, desejando-lhes maus caminhos, minando as esperanças do outros ou acabando com o sorriso de qualquer um que ouse parecer feliz. Quando deveríamos ver lábios que sorriem, alegres com a felicidade que vem do céu, pautados na paz que excede o entender. Devemos ter em nossa boca palavras que abençoa, lançando paz sobre os povos, multiplicando os sorrisos. Lábios que exaltam a Deus, através dos quais outros ouçam palavras de amor, de onde se ecoa adoração a Deus, através de louvores.

E o que dizer das mãos que se exibem a esse espelho? O quão distante das obras do Criador elas estão? Ou por onde caminham os pés que se exibem ao espelho agora? Se parecem com os pés de Cristo? 

Eu posso ver os meus cabelos cacheados diante do espelho, talvez você veja a sua careca, ou seus longos cabelos lisos. O sorriso largo se exibe ao espelho, ou o seu sorriso tímido, ou até nenhum sorriso, apenas um rosto pensativo. Os olhos cansados ou alegres.

Mas além da fisionomia, além da aparencia, além do que lembra o seu pai e sua mãe. Há em nossa imagem diante do espelho o que lembre o Pai Celestial? Mais do que isso, somos capazes de ver Cristo em nós?

Que como Jesus respondeu a seu discípulo, também possamos dizer, não por sua divindade (não a temos), mas por parecermos com ele, “Quem me vê, vê o Pai” (João 14:9).

Ariane Machado

quarta-feira, 30 de março de 2016

A caminho da santidade

Todos nós aprendemos que precisamos ser santos. Sereis santos porque Eu sou Santo (I Pedro 1:16), diz o Senhor. Somos seres maculados, e precisamos abrir mão das coisas pecaminosas para podermos estar na presença do Deus Santo. Somos cobrados diariamente para que sejamos pessoas que refletem a imagem de Deus, inclusive sua santidade. Somos instruídos a nos abster dos prazeres carnais, a sabermos filtrar o que nos convêm do que não devemos participar.

Mas saber tomar essas decisões não vem do nada. Não nos basta ser convertido para sermos santos. Somos sim transformados em espírito, e somos novas criaturas (II Corintios 5:17), mas a nossa carne permanece pecaminosa, e a partir daí começa nossa caminhada em busca da santificação.

Considero importante lembrar-nos de que a santidade não nos torna salvos, apesar de a bíblia nos alertar de que sem a salvação não veremos a Deus (Hebreus 12:14), a salvação não vem a partir da santidade. Mas em lugar disso, a santidade vem a partir da salvação. Se Jesus é o caminho para a salvação, digo-lhes que Ele é também o caminho para a santidade.

A santidade é uma característica daquele que é salvo, e por isso a bíblia nos chama para sermos santos, porque se estamos na igreja e temos dificuldade em apresentar as características de Deus e parecermos mais com Cristo do que com os que vivem pela carne, há um problema em nosso frequentar a igreja.

Ser santo é ser parecido com aquele que é Santo, e portanto, parecer com Cristo. Ele é o caminho para o Pai e também o caminho para a santidade. A igreja não é o caminho, a igreja é um lugar de adoração, casa de oração, plataforma da manifestação de Deus, ambiente de comunhão. Mas quem nos leva a uma vida diferente do mundo é Cristo.

Ele nos chama para uma vida de envolvimento com Ele. E na relação de envolvimento com Ele aprenderemos sobre Ele, teremos forjado em nós o seu caráter. A proximidade com Deus nos levará a amá-lo mais, e consequentemente desejar conhecê-lo mais, e o parecer com Ele virá logo depois.

A cobrança para que apresentemos a pureza de Deus ao mundo é completamente válida, mas antes de sairmos das quatro paredes do templo e mostrarmos essa natureza aos homens, precisamos nos dedicar em outras quatro paredes. Precisamos nos envolver com Deus numa vida de oração, dentro de nossa própria intimidade. Buscando nos aperfeiçoar no conhecer a Cristo em nossas busca diária.

Mais do que o servir a Deus, preparando a casa para o receber como fez Marta em Lucas 10, precisamos aquietar-nos como fez Maria, nos sentar aos pés do Senhor e aprender dele. É necessário que, mais do que carregar uma placa identificado-nos como cristãos, carreguemos em nós ações condizentes à natureza de Cristo, e isso será possível, apenas, a partir de uma convivência de intimidade com Cristo.

Essa é então a rota para a santidade. O cultivar do conhecer Cristo. O envolvimento que temos com Ele em nossa busca por sua presença. Marta achou que o servir bastava, ela lhe ofereceu hospedagem e se preocupou em acomodá-lo e deixá-lo confortável, mas Jesus afirmou que quem escolheu a melhor parte foi sua irmã Maria, e essa ninguém lhe tiraria.

Ter boas atitutes aos olhos de Deus baseadas apenas no que outros estão fazendo é como folhas, que diante dos ventos se vão. Mas se suas boas atitutes forem fruto do aprendizado e de se assemelhar a Cristo esse ficará firmado e não lhe será tirado. Então porque não paramos de insistir em tentar ser quem ainda não é, e invertimos nosso tempo em nos envolver e aprofundarmos em Cristo para o servir melhor?

Ariane Machado