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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Mãos vazias

Eu estava pensando no quanto eu gasto tempo vendo gameplays, não quero criticar quem o faz, até porque eu mesma faço e muito. Passo muito tempo vendo jogos de pes, gartic, uno e outros jogos aleatórios, e sem entrar na discussão sobre o uso do tempo, eu comecei a refletir sobre a minha posição nesse meu novo vício, eu sou apenas uma espectadora.

Ao invés de jogar, eu fico assistindo a outros jogadores. E notei que isso se aplica a outras coisas em minha vida, sempre que trabalham aqui em casa, um pedreiro, por exemplo, eu fico assistindo seu trabalho, talvez eu já seja capaz de construir uma casa sozinha.

E quantas vezes em nossas vidas, em várias áreas temos sidos meros espectadores? A vida vai passando e nós vamos apenas observando. Eu não conseguiria listar o tanto de coisas que já assisti, não listando cada vídeo, mas coisas, sejam os jogos, a reforma da minha cozinha, a construção da casa da minha tia, e tantas outras coisas. Quanto a lista de realizações, eu não teria muitos itens.

Eu costumava ter um mural de fotos, e nele tinha também trechos de algumas músicas, entre elas “nunca mais serei aquela que se fez seca vendo a vida passar pela janela”, e quantas vezes nos temos posto nessa posição. E perdemos tempo apenas observando a nossa vida, deixando-a correr da forma que ela vem a nós. Sem nenhum esforço em mudá-la, ou ainda que não mudando, dar a nossa cara à nova realidade.

E isso está, muitas vezes, presente em nossa vida com Cristo. Aceitamos a Jesus, entramos para uma comunidade evangélica, e vamos frequentando a igreja, frequentando, frequentando e nada acontece. Nossa vida não muda, nós não frutificamos, ninguém é alcançado por meio nós, não tomamos responsabilidades no serviço, e continuamos a apenas frequentar cultos.

A bíblia relata uma parábola em que um senhor viaja e deixa seus servos responsáveis por suas riquezas, quando ele retorna, procura pelos resultados do seu tempo fora. Há servos que multiplicaram a riqueza do senhor, que investiram, correram atrás, mas um dos servos nada fez, e na hora da chamada, nada tinha para entregar ao seu senhor. (Mt 25)

Qual dos servos nós temos sido? Se tentássemos fazer uma lista das nossas realizações em nossa caminhada com Cristo, será que teríamos sucesso? Temos pelo menos um item? Ou você acha que ir à igreja é o máximo que pode fazer? 

Não precisamos de uma lista, também não precisamos nos destacar, tentar ser o melhor, o irmão que mais traz visitantes ou coisa do tipo. Mas precisamos sair da janela. Parar de apenas olhar e trabalhar em favor do reino. Mostrar Cristo onde formos, para que cada ambiente em que você for seja mudado pela presença de Cristo através de você. Quem sabe ajudando sua igreja assumindo um novo cargo. Visitando os irmãos doentes. Evangelizando. Deus não nos chamou para preencher os bancos da igreja ou uma lista de membros, Ele quer agir em ti e através de ti.

Levante-se, moça ou moço, e vamos rever isso. Sair da Janela, ter um novo relacionamento com Deus, e dizer ao seu pastor que ele pode contar com você também.

Ariane Machado

domingo, 9 de outubro de 2016

Do início ao fim




Para todo escritor, ou que ao menos tentam, existe uma beleza encantadora na escrita, na criação, no poder de fazer arte. E, não sei se já notaram, mas repetidas vezes eu exalto Deus como autor e escritor. Porque eu tento, miseravelmente, descrever um pouco sobre Ele, e tudo o que Ele já fez foi descrevendo sobre ele mesmo.

“Os céus declaram a glória de Deus”, nos disse o salmista, e assim é. Por mais palavras que usemos, só descrevemos um pouco do que já nos foi mostrado e é mostrado todo dia, desde o nascer do sol e cada manifestação da glória de Deus. E além dos céus, da natureza e toda a criação, a vida anuncia algo. Todo dia, cada vida, de alguma forma anuncia um pouco de Deus.

Eu trago hoje, uma reflexão sobre uma música do Rodolfo Abrantes, que me veio à memória nesses dias, regravada por Gabriel Guedes. E a música consegue andar rapidamente de um polo ao outro do novo testamento, ou talvez, desde a profecia de Isaías sobre o nascimento de Jesus, até a profecia de João sobre a segunda vinda de Cristo.

E ouso fazer uma caminhada um pouco mais cumprida, iniciando em Gênesis. Como já disse, todo dia a glória de Deus é declarada, e desde o início, por sua autoria maravilhosa, seus planos são apresentados à humanidade.

Com início no Éden, na escrita sucinta de Moisés, temos vislumbres do paraíso, a perfeição, onde não havia choro nem ranger de dentes, como também, aperfeiçoado, será na nova Jerusalém. Ainda em Gênesis, vislumbramos num retrato parecido, a espera por um filho prometido, um filho que viria a ser sacrificado, numa amostra de Deus de que suas promessas são cumpridas, e de que é o Deus provedor de resposta e socorro.

Então, num enredo perfeito, Deus aponta para a promessa do céu e a promessa do resgatador. No livro do profeta Isaías, inspirando o compositor dessa música, Deus nos dá com clareza um relato prévio da vinda de seu filho.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Isaías 9:6


O céu começa a se abrir, o menino que veio a nós, como homem, como menino, viveu entre nós, morreu por nós e abriu o novo caminho para termos acesso ao Pai, retorna. Todo joelho se dobra diante do Maravilhoso Jesus, diante de sua soberania e poder, e a glória ao Príncipe, que não foi dada ao garoto, em vez disso o humilharam, rejeitaram e o mataram, é agora dada. Em sua segunda vinda, não mais para salvar Jerusalém, mas para resgatar a nós salvos, para a Nova Jerusalém.

Depois dos relatos de um paraíso, um jardim preparado para a comunhão entre o homem e Deus, entraremos então pelas portas da cidade, onde haverá não apenas um jardim, mas uma cidade adornada para a eternidade, para a completude do plano de Deus, para a plena comunhão, a concretização de tudo o que os 66 livros da bíblia apontam. Enfim, o encontro real e pleno da noiva com o noivo.

Ariane Machado

domingo, 25 de setembro de 2016

Reincidentes por gerações


“Você não sabia com quem estava, Israel? Você não conheceu quem te salvou? Quem te protegeu, te cuidou, te amou. Oh Israel, para onde olhaste por todo esse tempo? Oh noiva, o que impediu de seus olhos ver o agir de Deus? Seus ouvidos, para que servem, se não podem ouvir a voz do teu Pai? Oh regatado povo, o que fazes? ”

Essas linhas podiam ser direcionadas ao histórico povo de Israel, e como podia. Na verdade, em outras palavras, de diversas formas foram ditas sim. Ditas para o povo que viu Deus de perto, o povo resgatado, como um filho órfão que recebeu um nome, ganhou um Pai, um novo caminho a trilhar e um glorioso futuro lhes foi prometido.

Mas diversas vezes esse mesmo povo foi advertido. Pessoas que viveram as maravilhas de Deus, mas lhe viraram as costas incansavelmente. Se Deus não respondia, se a resposta não os agradava, se Deus “ousava demorar”, ou sem motivo algum. Bastava ter diante de si culturas, povos e divindades diferentes, que Israel abandonava o Deus que os amava, deles cuidava e protegia, e se curvava a deuses pagãos.

E com a mesma facilidade que o povo que andou ao lado de Deus abriu mão dele, isso se repetiu no novo testamento. Pedro, um dos discípulos mais próximo de Cristo o negou, trocando-o, não por deuses, mas por sua vida. E também outros que andaram com Jesus, pessoas que ouviram suas palavras, presenciaram seus milagres, comeram com ele, mas perderam suas esperanças e voltaram a suas velhas vidas diante da morte do Mestre. Como que não conheciam aquele a quem seguiram e ouviram.

E assim também foi com a igreja, não nós ainda, mas a igreja admoestada por Paulo, a igreja que recebeu cartas dele as advertindo acerca da entronização dele ou de Apolo, em Corinto. Ou a entronização da lei por parte do povo salvo pela graça, em Galácia, Assim foi em cada cidade, em cada tempo, o povo de Deus se afastando Dele. A nação sobre a qual Deus sempre esteve presente, fosse numa coluna de fogo, nas palavras de um profeta, na personificação do Filho, ou na presença do Santo Espírito, sempre encontrou um jeito de colocá-lo em segundo plano e se fazer escravo.

E mesmo fora das páginas da bíblia a história se repete, “Por isso ainda faço denúncias contra vocês, diz o Senhor, e farei contra os seus descendentes” (Jeremias 2:9 NVI), porque nós, descendência, repetimos os mesmos erros de nossos pais. A bíblia diz que é sábio aquele que aprende com a desgraça do tolo, mas ainda não vi a geração que usa as lições dos outros para trilhar o caminho de Deus. Pelo contrário, cada geração insiste em errar de igual modo, insiste em ter suas próprias experiências, entregando-se a qualquer coisa além de Deus, aprisionando-se a qualquer coisa que atravesse o nosso caminho.

Somos mais uma geração a quem as palavras do início desse texto se adequam, um povo que não conhece o seu Deus, mas se deixa ser servo de seus próprios desejos. Uma noiva insensível à voz de Deus, uma noiva manchada, uma noiva que não se preserva para o seu noivo, que nem mesmo conhece a imensidão do amor dele. Mas se entrega à menor das ofertas.

Conheçamos o nosso Deus, oh igreja, e saberemos que ainda há chance de sermos somente dEle, que a impureza do nosso vestido pode ser limpa com o sangue do Cordeiro. E podemos ser livres de amarras. Uma noiva pronta para a chegada do Santo Noivo.

Ariane Machado

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Coração igual ao de Deus

Crescemos ouvindo que a volta de Jesus está próxima, tenha você 12 anos ou esteja passando dos 70. A sua geração podia ser a última, como também se ouviu sobre a geração dos meus pais, e com ameaças mais específicas como o fim dos tempos previsto para os anos 2000, a minha certamente foi a que chegou mais perto de ser a última. E assim temos gerações e mais gerações à sombra de uma espera.

Mas há outros itens numa lista, talvez, imensa de dizeres que são apontados a cada geração, especificando essas proposições a cada um de nossos antepassados, depois para nós, e mais tarde para os que ainda virão.

Ouvi há pouco tempo que somos uma “Geração que não sente a dor do coração de Deus”, e pensei no quanto precisamos estar conectados a Deus, e decidi procurar por exemplos, exemplos de eras em que havia uma relação de intimidade com Deus, de gerações que eram uma com Deus, não analisando o mundo em geral, mas no mínimo em seu povo.

E igual a cada geração que é mais uma candidata a ser a última, percebi que a nossa, e cada uma das anteriores não sentiam a dor do coração de Deus. Podemos tentar comparar os novos aos velhos costumes e quais se adequam mais aos padrões de Deus, mas não importa o resultado de sua comparação, tenho certeza de que ele tem muito mais a ver com a moral aceitável a cada época, do que com o relacionamento com Deus.

A geração de Moisés, o povo que teve um dos maiores líderes da história do povo de Deus, homens e mulheres que viveram os maiores sinais do poder Divino, pessoas que caminharam dia e noite com os símbolos mais “palpáveis” da presença de Deus – a nuvem e a coluna de fogo. A geração de quem, talvez, Deus esteve mais perto, tentando dia e noite torná-los conhecedores de suas alegrias e dores, de seus desejos para seu povo.

Mas ainda assim, não conseguiram viver a promessa de Deus, seus sentidos estavam muito mais voltados para si, para a saudade do Egito, para o imediatismo, do que para Deus e não viram o Seu coração chorar quando, diante da menor ausência de sua voz, optaram por criar um deus para si. Não entenderam que Deus sofria em castiga-los, fazendo-os passar 40 anos longe de sua promessa. Não viram que Deus se irava ao vê-los o rejeitando.

E mais tarde, em cada geração. As gerações descritas em Juízes, incapazes de permanecerem no caminho de Deus sem o braço forte de um líder. As gerações dos profetas que, mesmo ouvindo deles sobre a ira de Deus, seguida por uma nova chance de reconciliação, foram incapazes de entender a imensidão do amor de Deus e seu chamado a uma caminhada segura com ele.

E nessa brincadeira de comparação, percebi que podemos ser incomparáveis, podemos ser a primeira Geração que sente a dor do coração de Deus. Não um só patriarca a quem Deus pode chamar de amigo, não só um líder manso e corajoso, não só um rei que entre quedas e recomeços foi um homem segundo o coração de Deus, não só um profeta capaz de pôr em risco sua própria vida – na pessoa de Daniel – ou abrir mão do que quer que tenha sonhado para si, para sentir de fisicamente a dor de Deus – como na história de Oséias.

Mais do que homens e mulheres isolados na história, podemos ser uma igreja que chora antes de dormir porque alguém necessita de cuidado e não fomos capazes de dar, podemos ser o povo que dobra nossos joelhos juntos orando por uma nação, podemos ser a geração que não se aquieta enquanto não pode fazer algo em favor do outro, enquanto não pode viver na prática o amor do Pai.


Não isolados em cada individualidade, mas enfim, olhando juntos para o mesmo alvo, buscando individualmente nos achegarmos a Deus, realmente preocupados com o que Deus sente. Em intimidade com Deus, conhecendo a sua palavra, podemos sentir o que Deus sente, sendo um com ele e um com a sua igreja. Podemos ser uma geração diferente, a primeira que chora a dor de Deus, que se ira junto com ele quando as coisas parecem erradas demais, que se alegra festivamente diante de uma única alma resgatada, que ama o tanto quanto o nosso coração for capaz de conter. Podemos ser a geração que tem o coração de Deus.

Ariane Machado