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quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Amor, apesar do pecado


    O amor de Deus é único e tem características que vão além e é ,às vezes, até antagônico ao amor que nós somos capazes de viver e de expressar, em nosso amor egoísta, limitado e dependente. De forma que quando somos apresentados ao amor de Deus nós chegamos a questionar "como pode?", como Ele pode me amar apesar de quem eu sou e do que faço? Como ele pode me amar nesse nível e tamanho que somos incapazes de dimensionar? E às vezes ainda em nossa vaidade nos pensamos dignos desse amor, e apontamos para o outro perguntando "aquele que está naquela condição... como pode?".

    Mas o amor de Deus não é como o nosso. E que bom que não é, ou seríamos todos rejeitados. Porque para início de conversa, achamos que o outro precisa ser merecedor para receber o nosso amor, o outro precisa ser digno, ter méritos, preencher requisitos que o tornem aptos do nosso amor. E agora está em alta a palavra reciprocidade, se eu não receber de volta na mesma medida, acabou, o outro não merece mais o meu amor. E assim vamos criando barreiras para vivenciar e dedicar o amor aos outros, porque o nosso amor é vaidoso, e falho. 

    E essas barreiras são transferidas para Cristo, como Ele pode me amar, se eu não mereço? Como Ele pode me amar se eu não sou reciproca na medida que Ele me ama? Como eu posso ser amada se eu peco? Se o meu pecado faz separação entre eu e Deus?

    O amor de Deus, no entanto, é perfeito, afinal, Ele é o próprio amor. Eu não sei se Deus tem células, mas se tem, todas as células de seu ser são compostas de amor. Deus é amor, e Ele ama de uma maneira que nenhum de nós é capaz, ao ponto de ser possível a Ele amar a mim e a você.

    Um amor que nos constrange, porque Ele nos olha em nosso mais vergonhoso estado de pecado, de miséria, de palavras malditas, de sentimentos ruins, de atitudes vergonhosas, e Ele nos ama. Um amor que não se deixa levar pela falta de reciprocidade porque ele não nos ama porque nós o amamos primeiro  (I João 4:19), pelo contrário, Ele nos ama porque sua natureza é amar, nos ama porque Ele nos fez de maneira especial, Ele nos ama porque Ele nos separou para si, e mesmo diante do nosso pecado e falhas, ele permanece amando.

    Ele permanece amando porque Ele é fiel a si mesmo, e Ele é amor, de maneira inalterável, Ele ama. Ele permanece amando também porque Ele nunca foi pego de surpresa com o nosso pecado, de forma que o fizesse ficar decepcionado conosco, abalando o seu amor. Mas ele nos criou, nos sustenta, criou uma resposta de amor ao nosso pecado, completamente consciente de nossos vacilos acidentais, e de nossos erros cometidos deliberadamente por causa da maldade de nosso coração.

    Ele conhece exatamente a dimensão e a realidade de nossos pecados, de como esses pecados nos afastam dele, pecados que têm ferido a outras pessoas, ferido os nossos próprios corações e traçando uma inimizade profunda com ele, e sua resposta de amor tem o tamanho perfeito capaz de transpor qualquer profundidade de pecado, liberando sobre aquele que é tocado por esse amor e se volta para ele em fé com arrependimento, o perdão que é suficiente para qualquer pecado ser anulado e ser jogado no mar do esquecimento.

    É realmente constrangedor pensar em quem somos, e em quem muitas vezes insistimos em ser, apesar de todo esse amor, mas é também reconfortante saber que o amor de Deus permanece, e ele nos transforma para uma nova vida.

    Podemos não ter uma resposta que faça sentido sobre porque o Deus Todo-Poderoso tem por nós esse amor perfeito, mas devemos ter a certeza de que seu amor é inalterável, incondicional e constante, apesar de nós. E esse amor é o que nos garante vida, perdão, salvação, a condição de filhos, e a promessa de eternidade.

domingo, 7 de agosto de 2022

Histórias de dores




Quantas feridas
Quantas palavras malditas
Ou palavras não ditas....

Tantas famílias
Abraços negados,
Agressões veladas,
Laços desfeitos

Corações dilacerados
Respirações ofegantes
A ansiedade domina

Domina a esperança que se vai
Futuro parece que não há...
Desistir é um caminho?
'Eu já não aguento'
Onde encontrar forças?
Nos abraços negados...?
A família... um refúgio?

Não...

Muitas vezes a família, o motivo
A família que agrediu a infância
Que conturbou a adolescência
Os sonhos, roubou
Entulhou problemas
Anulou o valor de um pai, de uma mãe
E a criança sozinha
Não sabe em quem confiar

Todo amanhecer é pesado demais
Os sorrisos que me dão, posso confiar?
O que escondem de mim? Parece zombaria
Sozinho se vê
Já não sabe quem ser
E o alívio, onde encontrar?

'Vinde a mim', diz uma voz
Mas confiar não é opção
'Vinde a mim você que está cansado'
Sou eu, cansado e sobrecarregado
Mas há lugar onde descansar?
Há lugar em que meus músculos possam relaxar?
A respiração enfim pode acalmar?
'Vinde a mim.... Eu te aliviarei'
Essa voz... De onde vem?
A essa altura, quem olharia para mim?

Seu Pai!

Aquele que me roubou a alegria?
Um outro Pai
O Pai do Céu, o Pai Celeste
O Deus Pai
Aquele que é 'manso e humilde'
E ele é meu pai?
Sim, desde que você creu

'Ao que creu, deu o direito de ser filho'
Filho de Deus
E não há mais distancia
Vivemos como desprezados
Vestimos a história que o mundo nos impôs
Mas somos filhos
Filho amado, em quem Ele tem prazer
A quem muito ama

Com os olhos mergulhados na dor,
Somos cegos
Enterrados nas armadilhas das lembranças,
Nos fazemos prisioneiros
Mas na verdade, somos Filhos

Lança fora o que passou
Fora não...
Lança sobre Ele as dores
Ofusca o que ainda vê em casa
Desvia e olhar
E olha para Ele,
Corre para Deus
E se encontra nos braços desse Pai
Num abraço onde há amor
Onde há liberdade
E promessas fies!
Uma nova história!
Uma história de filhos,
De filhos amados.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Alegrem-se sempre!



Para os hebreus, o nome de Deus era impronunciável, tal o temor e a distância que deveria ter do Glorioso Deus. Entrar no Santo dos Santos era digno de morte, não pelo homem, mas o próprio Deus sentenciava a pena. Mas um novo tempo foi instaurado, o acesso foi-nos dado, e podemos chama-lo de Amigo. 

Jesus conquista e garante isso para nós, mas ainda assim, muitos de nós escolhemos nos manter distantes. E os motivos são diversos. 

Há quem valorize os cultos, mas fora do ambiente da igreja não existe a menor comunhão, há quem não valorize coisa alguma, basta ter levantado a mão num domingo à noite há sei lá quanto tempo. Há os que escolhem orar, mas tem uma dificuldade tão grande, que suas orações não parecem uma conversar com seu Amigo e Salvador, mas com alguém de 500 anos atrás com uma linguagem super rebuscada e distante, tentando impressionar Deus com o que não é. Ou ora, e sabe muito bem usar as palavras, mas faz de suas orações momentos apenas de lamentação, e se a vida vai bem, acabou-se a comunhão. 

Venho lembra-los de que a oração é um momento de comunhão, um momento de alegria. Poder ter acesso a Deus é uma conquista, não nossa, mas um presente conquistado na cruz e que foi posto em nossas mãos e negligenciamos diariamente. 

Falar com Deus é um momento de encontro com nosso melhor amigo! É melhor do que o encontro pós-jogo para resenhar sobre cada lance, o que sabemos fazer tão bem. É melhor do que o encontro pós-culto que planejamos e ansiamos e sabemos que vai ser muito bom. É melhor do que aquele encontrão com os amigos que você não vê há 1 ou 5 anos. 

É um encontro com Deus! Nosso Senhor, sim, mas também nosso amigo! Olha o que você tem! Olha com quem você está falando! Ou com quem pode estar falando... É uma dadiva! Um presente! Um presente de Deus para nós, precisamos dar valor. 

Não guardando em uma caixinha para que não se quebre a qual apenas olhamos de longe, ou guardamos no fundo de uma gaveta com todo o cuidado. É um presente daqueles que abrimos cheios de ansiedade e usamos da primeira oportunidade, e deixa eu te contar, a oportunidade é hoje, é agora. É amanhã de novo, mas o agora ainda é a melhor oportunidade. Mas com alegria, como quem sabe o valor daquele momento. 

Alegrem-se sempre e orem continuadamente. (I Tessalonicenses 5:16, 17), não é à toa que Paulo põe os dois conselhos juntos. 

É claro que não excluo o arrependimento, as dores, os pedidos da oração. Mas não é apenas isso. A oração também é um lugar de alegria sim! 

Alegrem-se no Senhor! (Filipenses 4:4)

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Um nascimento sacrificial

O sacrifício de Jesus pela salvação da humanidade não se inicia na cruz, nem mesmo em sua prisão no Getsêmani, ou na angustiante oração sozinho que travou pouco antes da prisão. O episódio da ultima ceia, certamente carregou em si a dor da despedida, acompanhada da ansiedade pelo que haveria de vir, que Cristo já antevia. Tão pouco começou três anos antes, com o início de seu ministério e seus 40 dias de fome e sede no deserto.

"No princípio era o Verbo, [...] e o Verbo era Deus", se sua vida não iniciou em sua humanidade, o seu conhecer também antecede tal período, ao longo de sua existência Jesus tinha conhecimento do que haveria de suportar em carne por amor à humanidade, mas sem experimentar. Sem um corpo físico ou nossas emoções imperfeitas e conflitantes.

Mas então, ele nasceu. Grande alegria sobre toda a terra, a noite mais aguardada pelos céus e pela terra chegou! A estrela brilhou e indicou o caminho, os magos viajaram para o adorar, os pastores, os anjos, o ancião Simeão, e quem quer que estivesse atento soube, o grande dia chegou! A libertação para Israel chegou! Um novo tempo foi instaurado! Para Herodes era uma ameaça, ora, um novo Rei nasceu! E para Jesus...

Bom, era um novo tempo também para ele. Aquele a quem "pertence o mundo e tudo o que nele existe", que tem todo o poder, agora chorava na tentativa de informar à sua mãe que tinha fome, uma nova sensação que nunca experimentara, uma incapacidade que lhe privava de falar, pegar os objetos com segurança, levantar e andar em suas próprias pernas, que roubava-lhe toda a autonomia, mesmo tendo ainda todo o poder ao alcance de suas mãos

A humanidade é a imagem e semelhança de Deus e fruto do seu amor, mas submeter-se a viver sendo como sua criação é descrito por Paulo como humilhação. Jesus se humilhou, Jesus se limitou, se privou, se submeteu a dores e dificuldades, que sua natureza divina nunca lhe permitira sentir.

A vida de Jesus não foi um conto de fadas até chegar aos históricos, grandiosos e imponentes dias de sua morte e ressurreição. Jesus veio ao mundo colocando-se numa sociedade dominada pelo império romano, que sofria com os abusos de Roma, passando por dificuldade financeiras, e não na capital, mas numa cidade pequena e pobre. Uma cidade com problemas de abastecimento de água, numa época sem metade das comodidades a que temos acesso. Mas ele experimentou das mesmas aflições pelas quais passamos ao longo da vida.

O simples nascimento foi um expressão de amor, mas como a bíblia declara o amor é sofredor, mesmo o perfeito amor é acompanhado de sofrimento. A noite que hoje comemoramos com luzinhas, as mais fartas comidas, as pessoas mais amadas, e regada de presentes, em sua versão original foi desconhecida para a quase todos, num ambiente que não foi preparado para tal, sob a companhia de animais, rejeitado desde já pelo dono da pousada que não recebeu seus pais Maria e José, e já caçado pelo Rei Herodes.

O início do sofrimento de Jesus é marcado pelo inicio de sua vida humana, mas acompanhado da melhor revelação de Deus, a manifestação da graça, da verdade e principalmente do Amor de Deus. Estava se cumprindo seu plano perfeito.

Ariane Machado

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Por um olhar



Estava pensando sobre a criação, Deus não criou o homem antes de tudo, mas depois que o céu azul já estava estabelecido sobre a terra, e as árvores, grandes ou pequenas, floridas ou cheias de frutos já tomavam seu lugar em todo o horizonte, e os animais cheio de cores, formas e costumes diferentes, se exibiam pomposos por toda parte e só então, pôs o homem no meio de tudo isso.

Em comparação, temos à nossa volta um trânsito louco, cheio de gente correndo, xingando quando alguém passa cortando, a fumaça da indústria enegrecendo o céu azul da criação.

Por resultado há suicídios, depressão, ansiedade, stress, loucura, a loucura da alma que adoece, adoece ao olhar para fora de si e ver a doença do mundo.

Ah, o jardim do Éden, fotografia da perfeição, a paisagem de total antítese com o mundo de hoje. Deus criou um paraíso à nossa volta, para que o paraíso se estendesse em nosso ser.

“Os olhos são a janela de nossa alma”, Deus já sabia disso, afinal o que há que ele não saiba? E porque Ele sabia que olhar para a criação, a revelação de si mesmo, nos faria melhor do que o mundo é capaz de nos tornar, ele nos envolveu com a sua glória, não com luz, poder e grandeza, mas aquilo que precisávamos ter em nosso ser, doçura, beleza, nobreza e paz.

Mas, mesmo hoje em meio a todo recurso causador de males, ainda há uma noite estrelada, a cada anoitecer, para apaziguar as tristezas da alma, aproximar-nos do autor da nossa paz. E em cada litoral, há um céu que se encontra com o mar, em sincronia e infinitude, desfazendo cada nó que envolve a nossa alma, ou na complexidade das relações, mas que podem nos lembrar ainda sobre o amor e fidelidade, ou o laço e o carinho.

As sutilezas na criação e no cuidado de Deus a nós, já são suficientes para nos pegar no colo, arrastar-nos para longe do que o nossos olhos estão tão acostumados a ver, e então sarar as nossas feridas, recuperando em nós a nossa própria humanidade roubada pela podridão estampada ao alcance dos nossos olhos.

Mas os olhos que vêem numa janela voltada para os céus, ah, esse tem uma alma continuamente resgatada de volta para Deus.

Ariane Machado

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Me concede uma dança?


Dançar para Deus é um momento ímpar. Concentrar cada movimento seu para a adoração a Deus, a música que saí da sua garganta, o movimento dos braços e mãos exaltando Ele, as passadas e impulsos com os pés, a leveza revelada em cada movimento, e até o pulsar do coração que se acelera à medida em que nos movemos, rodamos, pulamos ou corremos é incrível.

A dança se revela como uma linda forma de adoração. Onde há completa entrega, de cada parte de si.

Porém, melhor do que dançar para Ele, é dançar com Ele. Imagine o Dono do Universo se inclinando para ti e lhe convidando a bailar contigo. As mãos que pintaram o pôr do sol, estão agora em tuas mãos, e lhe envolvendo em seus braços. Os olhos que conhece com exatidão o brilho das estrelas, agora te olham nos olhos. Face a face com o Rei da Glória.

Como Deus se inclina para ouvir o nosso clamor, creio que dedica o mesmo interesse para os nossos momentos de adoração, ele se inclina com atenção para ouvir o nosso louvor, e aprecia com fascínio a nossa arte dedicada a Ele.

Mas muito mais do que olhar para nós, ele quer estar conosco. Deus não nos fez para nos admirar lá do céu. Deus anseia por relacionamento, Deus deseja estar conosco, Ele quer que alcancemos a sua presença, Ele quer nos receber nos mais altos céus, e nos acolher em seu palácio, talvez até na sala do trono, e bailar conosco enquanto os anjos cantam em seu louvor.

Ora, como dançar com Deus enquanto sua presença é apenas espiritual? Um dos sentimentos mais claros que eu encontro na dança é a felicidade, cada movimento, cada rodopio que dou, eu me sinto feliz, e estar em Deus é isso, é ter a nossa felicidade dependente dEle, saber que Ele proverá a nossa felicidade, e nossa boca não a conterá, e se derramará em sorrisos, transbordando até mesmo no olhar.

Antes de a felicidade chegar, porém, precisamos nos derramar em amor, um pouco de amor pela música talvez, mas com certeza, amor por aquele a quem adoramos. Precisamos amar aquele a quem dedicamos o nosso louvor, ou não passará de uma música vazia, ou uma dança sem alma. A nossa adoração precisa ser iniciada por amor, desenvolvida em amor, e continuada porque à medida que amamos, Ele nos ama de volta, e a nossa única resposta possível é dedicar-lhe mais amor, e somos invadidos por ainda mais amor vindo dos céus, e assim progredimos para a eternidade.

E como regra de qualquer dança, seja a valsa, tango ou forró, você precisa confiar no par. E quem é o nosso par nessa dança de adoração senão o mesmo alvo deste louvor? E como não confiar naquele que tem os céus e a terra sobre o seu domínio?

Então vamos entregar-nos em louvor e amor ao nosso Deus, confiando a Ele o nosso corpo, nosso espírito e nosso coração, e nos alegrarmos em sua presença, louvando a Ele com cada parte de nosso ser e dançar nos braços do Pai da criação.

Ariane Machado


terça-feira, 2 de maio de 2017

Encontrando o Autor



De todas as belezas criadas por Deus, a que mais me encanta e me leva a todas as noites busca-la, é o céu negro coroado de estrelas. Mas em cada noite, e a cada estrela eu peço ao Senhor que elas me direcionem a Ele. E em mais um desses pedidos, eu pude entender algo que o Senhor sussurrava a mim, insistentemente.

“Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas”


Eu clamava “que olhar as estrelas me levem a ver o seu Criador, Senhor” e clamor crescia para “que olhar cada criação me leve a ver o Criador, Senhor” e conclui olhando para o homem.

“Que ao olhar para o homem, eu encontre a Ti, Criador, na beleza da criação, na complexidade do sistema nervoso, em cada toque do seu amor. E na bondade de quem, com amor, oferece um abraço, um carinho. Mas que eu também consiga notar a sua ausência num rosto sem paz ou alegria, num coração sem amor.”

O versículo escrito por Paulo faz de Cristo o motivo, a razão, o alvo, certamente, o foco. Nada mais importa que vejamos, por que Jesus é o foco. E entendendo isso, eu posso olhar para uma criança que brinca feliz e encontrar Jesus nela, a alegria que vem dos céus, a leveza e inocência da infância que tanto tem a ver com o Reino de Deus. Posso olhar para um casal apaixonado e ver o amor, que procede do próprio Amor, ou a compaixão do Pai em um olhar, sorriso ou abraço.

Mas posso também não encontrar a leveza em um coração amargurado, e como pessoas que têm Jesus como Centro, responsabilizar-nos por fazer Cristo ser achado também nesse coração. E ainda no que é acompanhado por tristezas, dores e vícios.

Se tudo vem dEle e para Ele é, eu entendo que aquele que destoa desta “regra” não alegra o coração de Deus, e se para isso fomos criados, não alegra também ao de quem se esquiva desta equação. E não posso, portanto, ser egoísta ao ponto de não me esforçar e, nem ao menos, importar-me em fazer Cristo conhecido por esses.

Preciso, por certo, apresentar o foco para aquele que anda perdido e gritar “Ei, você sem amor, eis aqui o Amor”, “E você sem esperança, eis a Esperança para você”. E, incansavelmente, ter Deus como centro de nossas vidas, encontrá-lo em todo tempo, e levá-lo aos que não o receberam. Zelando para que tudo seja porque dele, por Ele e para Ele, a começar pela minha própria vida.

Ariane Machado

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Não escolha ser órfão




Há algum tempo eu trouxe uma música do Estevão Queiroga, exaltando o amor de Deus. Mas não foi o bastante para que eu parasse de refletir a respeito dessa música. E me lembrei que toda situação tem dois lados, mesmo quando podemos ver o amor maravilhoso de Deus, há o alvo do amor, capaz de ter uma postura completamente avessa.

“Quando o pai se senta pra brincar com o filho”



Eu ouvi essa música incontáveis vezes, e só conseguia ver esse amor maravilhoso do Pai que se dedica em amor e atenção ao seu filho. Mas, e quando o filho não se senta ao lado de seu pai, para compartilhar nesse momento e sentimento?

Me surpreendi ao me ver nessa situação. Não tenho uma clara e real memória disso, mas por terem me contado, sei que eu era essa filha que se nega a sentar-se com seu pai, e aproveitar dessa construção de amor.

Eu era nova, uma criança com seus, talvez, dois anos de idade. Meu pai tentava chamar a minha atenção, conquistar-me para perto dele, mas eu me afastava, preferia brincar sozinha, a estar com ele. E eu tinha ali um pai, se dedicando, demonstrando amor, mas era uma criança, com o coração (por alguma razão) endurecido com relação ao meu pai.

E assim é o ser humano, e a razão é conhecida por todos, tem por nome pecado. O pecado transformou crianças puras e inocentes, em corações endurecidos, desconfiados, capazes de rejeitar o amor. Deus pai, desde a criação busca sentar-se com seus filhos. Adão, com a inocência de um coração puro, teve o privilégio de passar suas tardes com o seu Pai, caminhar com ele, conversar com ele, compartilhar do amor dele.

Mas o pecado nos rasgou a relação. Da mesma maneira que eu rejeitava o meu pai, um adolescente muitas vezes rejeita o conselho ou o carinho do pai, um jovem exige que seu pai “não se meta em sua vida”, e geração após geração, o homem se nega a sentar-se com o Pai celestial.

Deus nos chama para perto, ele nos busca. Ele nos dá noite após noite, um espetáculo de lindas e reluzentes estrelas e nos chama a prestar atenção, a calarmos e vermos o seu cuidado, mas nos negamos a dar-lhe a devida atenção. Ele nos dá relacionamentos com nossas familias e amigos e diz que é apenas uma amostra do que podemos ter com ele, mas o ignoramos mais uma vez. E até mesmo quando vamos à igreja, ele nos acompanha até lá, senta-se para nos ouvir, mas nos distraímos durante o louvor preocupados com o baterista que errou o ritmo, ou o cantor que falhou quando subiu demais numa nota.

Quando o pai se senta pra brincar com o filho, ele nos convida a sentar-se com ele, e aproveitar do derramamento do seu grandioso amor. Não continue a rejeitar o seu pai, e não escolha ser órfão quando há um Pai cheio de amor esperando por você. Sente-se com o nosso Pai, e o conheça, o sinta, o ame de volta.

Ariane Machado

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Pelos olhos de Deus

Oi, vamos conversar sobre autoestima? É incrível o tanto de vezes que nos vemos preocupados com o que os outros acham e pensam a nosso respeito. Seja sobre a nossa aparência, ou nossas atitudes e ideias. O mundo, a mídia, os grupos realmente tentam nos levar a isso, insistentemente tentam imprimir em nós seus conceitos e nos mostrar que o que os outros pensam é realmente importante.

E como consequência, temos elevados índices de suicídio, diversas doenças causadas pela não aceitação de si próprio, na busca frenética de ser quem querem que sejamos. Mas deixa eu te contar duas coisas, uma é que nós realmente não somos perfeitos, e como não somos! Há tantas falhas em nós, personalidades difíceis, costumes e manias não muito admiráveis e tantos outras características que nos afastam da perfeição.

A segunda coisa, no entanto, não é uma má notícia, mas uma forte verdade que muda tudo. Apesar das inúmeras falhas, nós somos muito mais do que a mídia divulga, do que as pessoas comentam, e até mesmo do que nós pensamos.

Ainda que pensemos que somos a pessoa que mais nos conheçamos, estamos enganados. Eu sei apenas como estou, e o mesmo vale para você. Quem somos, apenas Deus conhece. Porque nossa visão é limitada pelo tempo, e assim temos o passado que talvez nos encha de orgulho ou até mesmo de vergonha, temos o presente, com o qual brigamos muitas vezes, na tentativa de sermos melhores do que somos hoje, e o futuro que é uma grande incógnita. Mas para Deus não há essas barreiras.

Ele sabe hoje, quem somos em totalidade, com tudo o que passou e passará por nós. E ainda independente de todas essas coisas. Em Jesus, não importa a nossa cor, gênero, peso, altura, nacionalidade, ou coisa alguma, porque aos que o recebem, e nele creem, deu o direito de sermos filhos de Deus (João 1:12). O passado é apagado, as falhas perdoadas, e a aparência transformada, ainda que o mundo tente ignorar, somos filhos de Deus.

Jesus também vem nos chamar de amigos, então pouco importa os defeitos que o mundo procura em nós, se somos transformados em Cristo, novas criaturas de Deus. Não precisamos ouvir o que o mundo diz, até porque eles não são donos da verdade, e se hoje eles dizem que características são as melhores, daqui a pouco tudo muda, e criam novos parâmetros, e ninguém nunca é suficiente. E em Cristo também não somos, mas pelo Santo Espírito em nós, somos muito mais do que somos capazes de ser.

Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Todo ser humano foi planejado cheio de valor, apesar de danificados pelo pecado, Jesus nos restaura, nos faz de novo, resgatando nossa identidade e nossa natureza de filhos. E a partir daí, só importa o que Deus pensa de nós, ainda que por vezes nos vejamos tentados a agradar os olhos dos outros, só Deus vai ver quem realmente somos, apenas ele é capaz de ver isso, e reconhecer Jesus em nós, porque o somos graças a Ele, e sua graça derramada sobre nós.

Então, não nos deixemos ser guiados pelos espelhos que o mundo espalha pelo caminho, tentando nos adequar a eles e nos oprimir, se não nos adequarmos. Mas olhemos para Deus, e sejamos como ele, vivendo realmente a nossa identidade de filhos, à imagem do Pai. E para isso, aprendamos com ele, a amar com Jesus amou, e a frutificar as sementes que vêm do Espírito Santo.

Ariane Machado

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Um Rei ao nosso lado



"Quando o pai se senta pra brincar com o filho
Quando o rei se curva pra beijar o servo
Quando o autor se põe no próprio livro
Só pra morrer ali e por alguém mudar o fim

Quando a herança fica para o escravo
Quando é esquecida a dívida do pobre
Quando o troféu reluz e dá seu brilho
Às mãos do que perdeu, mas recebeu do que venceu

É disso que eu falo quando canto
E quando escrevo sobre o amor
É nisso que eu penso quando vejo
E quando sinto esse amor"

É isso que se lê nas palavras de Paulo aos Romanos “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” Ainda longe se sermos filhos e até mesmo servos, Cristo veio fazer parte da história para morrer por um simples ‘alguém’, como fala o compositor. Nós escravos, fomos acrescentados ao testamento do dono de absolutamente tudo, de toda a terra, de cada animal e toda riqueza. Pobres que já haviam perdido suas vidas em garantia de uma dívida que nunca poderia ser paga por nós, nos vimos livres da dívida que foi quitada pela vida de outro, uma dívida esquecida.

E se não bastasse toda essa inversão, e ir de encontro a todos os exemplos de amor já mostrados, revelando um amor perfeito, maior do que toda prova já dada, ‘o rei se curva para beijar o servo’ – canta Estevão. E eu costumo imaginar que quando nos entregamos a Deus em louvor, ou em oração, como diz o salmista, Deus se inclina para nos ouvir (Salmos 40). Talvez ele pare toda e qualquer agitação no céu, ou ele pare até o tempo, e dedica atenção para nós, que nada merecemos.

E feitos filhos, por meio de Jesus, Deus realmente se torna nosso Pai. Não um nome no registro de cada novo cristão, mas um Pai particular de cada um de nós, um Pai que nos conhece de perto, no íntimo, e que deseja ser conhecido. Um Pai que dedica tempo a suas crianças, e cuida e as ama de perto.

A letra desta canção revela o amor do evangelho, o amor através do qual o Deus Filho veio morrer por nós, e o qual veio manifestar. Não somos criaturas maravilhosas que mereceram ser amadas por Deus, mas em lugar disso, éramos os mais miseráveis, indignos do troféu, do perdão, da herança e até mesmo do amor. Perdidos e condenados, para quem já não se via esperança. Mas ainda assim, amados pelo próprio amor.

E "quando os galhos dão sua sombra ao machado", e Cristo vem salvar aqueles mesmos que o matariam, e pelos quais morreria. Isso é um amor maravilhoso e tremendo, que se distancia de todos os conceitos.

"É isso que me explica
Me intriga
À entrega desse amor"

Ariane Machado

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Abba...

Abba, eu pertenço a Ti
Sou integralmente de sua propriedade
Completamente entregue em Tuas mãos.
Não uma parte apenas
Não condicionada a coisa alguma
Mas me derramo inteiramente em tuas mãos
Minhas vontades agora, são as vontades que Tu plantaste em mim,
Os meus sonhos vêm de Ti.

Eu sou do meu Amado
Meu coração Te pertence
E cada sorriso meu foi plantado em meus lábios por Ti.
Tu reinas em mim
E já não há espaço para glorificar a nenhum outro
Sou completamente Tua.

Eu entrego a minha vida em Tuas mãos
Os meus dias são seus
Minha esperança está em Ti
O meu louvor vai ao encontro do Teu trono
As minhas orações são ouvidas pelo meu Amado
Meu maior desejo é encontrar-me contigo

Todos os meus medos se vão
A minha confiança está em Ti
Tu me conheces pelo nome
E o Teu amor me chama para perto
As tuas asas me protegem
E quem sou eu senão a menor que todos?
Mas amada sua
Filha de Deus

Ariane Machado

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Olhai para os pequenos detalhes



Eu tenho visto muito, nos dias de hoje, a igreja clamando pelo sobrenatural. A igreja tem pautado sua estrutura, sua visão, sua mensagem nos mistérios de Deus. E muitas estão repletas de mensagens em línguas estranhas, visões, sonhos, profecias e tanto mais.

Não as critico, a bíblia realmente fala acerca de tudo isso, e creio que o Senhor se revela a nós de tantas formas, conforme a sua vontade. Mas a minha oração nesses dias tem sido diferente.

Eu tenho orado para que eu encontre o Senhor numa simples noite, sem nenhum espetáculo espiritual, mas em tão somente olhar para as estrelas no céu. Eu quero olhar para a linda e grande lua cheia e encontrar o Criador em sua beleza. Quero ver a natureza de Deus traçada na sutileza da lua nova.

Eu quero ouvir uma canção a Deus no som das ondas do mar, e junto com ele adorar a Deus, rendendo-lhe graças. Eu quero ser levada à presença do Pai pelo soprar do vento que se apresenta nas praias.

Eu quero que o meu anseio por Deus, a minha procura pelo Pai seja tanta que eu O encontre em toda parte. Que onde quer que eu olhe lá Ele esteja. E o meu clamor por sua presença seja tão grande, que eu não precise de um evento ou um espetáculo que o meu coração humano possa desejar, mas que em tudo que me rodeia, e em cada obra do Pai, ele se revele a mim.

Que eu possa sentir o teu toque, o teu amor e o teu cuidado, não apenas quando alguém for curado, ou grandes eventos se revelarem, mas que quando a chuva vier a cair, eu veja que Ele está a regar a terra em nosso cuidado. E quando o sol nascer, eu encontre o seu amor manifestado através dos raios que retornam para nos aquecer e iluminar.

Porque a sua criação realmente o revela. E há assinaturas suas em cada uma de suas obras. “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”, declara o salmista, e ele continua dizendo que “não há linguagem ou fala onde não se ouça a sua voz”, então eu clamo para que os meus olhos e os meus ouvidos não se percam, e não deixem que a voz do Senhor passe despercebido. Que eu não espere pelo ressoar dos trovões para me lembrar que o céu fala do Senhor, mas que a todo instante eu me encha dEle ao contempla-lo nas pequenas coisas.

Olhe pela janela e encontre o Senhor Deus à sua volta! Espero que os prédios não sejam tantos para o afastar da criação, e os fios em nossas cidades não nos tire a beleza do céu. Olhe ao seu redor, e ouça Deus dizer “Te amo, filho”, seja grato a Ele, seja cheio do seu amor, e lhe responda de volta “Eu amo você, Paizinho”.

Ariane Machado

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Esperança viva

Se tem uma coisa no mundo que precisamos ter certeza, absoluta certa, precisamos estar completamente certos disso de forma que não sobrem brechas para dúvidas, é a certeza da segunda volta de Cristo. Dou graças a Deus, porque eu não consigo ter nenhuma dúvida a respeito dessa verdade. E nesse ano eu tenho sido levada a pensar sobre o céu, e tenho um texto sobre o céu e o anseio por ele bem AQUI.

Num dia desses, eu acordei com uma certeza muito forte, que confirma toda a certeza da qual falei a cima, não apenas de que Jesus vai voltar. Mas que Jesus vai voltar logo, em breve, daqui a pouquinho. E eu sei que isso foi anunciado lá pelos profetas, mesmo antes de Jesus vir a primeira vez, sei que o Novo Testamento, que foi escrito há um tempão também anunciou isso, e também nossos avós já ouviram sobre isso quando eles tinham a nossa idade, e isso tem sido muito repetido, mas não é como um folclore, lenda ou mitologia. Temos insistido em falar porque é a única certeza que temos sobre o mundo.

"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. ” Mateus 24:30


Porque tudo está completamente incerto, quem sai não sabe se voltará; você talvez já desistiu dos teus sonhos de infância há tanto tempo e já pôs outro sonho no lugar, e mais outro e o que você está fazendo agora talvez não tenha a ver com nenhum desses sonhos, mas é o seu sonho hoje. E da nossa economia nada sabemos, apenas que vai mal. E tem todas as outras coisas que são completamente incertas, mas podemos nos assegurar numa verdade que não muda, que é a nossa esperança. Jesus virá.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma ESPERANÇA VIVA, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma HERANÇA que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos CÉUS para vocês que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até chegar a SALVAÇÃO PRESTES A SER REVELADA NO ÚLTIMO TEMPO. ”1 Pedro 1:3-5


E eu tenho contemplado, pela fé, que esse dia está realmente próximo. Recentemente ouvi um pastor brincando que somos a geração que talvez vai ter a oportunidade de dizer para Paulo que vivemos a volta de Cristo, dizer para a geração que andou lado a lado com Cristo “sabe aquilo que você mais ansiou na vida? Aquilo pelo que você acordava cada dia? Eu vi!” (Palavras minhas) Esses caras emblemáticos da bíblia tiveram a oportunidade de viver e ver coisas extraordinárias, mas eles não viveram nos dias em que Jesus voltaria, e cara, eu creio que nós estamos vivendo esses dias.

Essa verdade é muito real, e muito forte, precisamos ter o cuidado para que isso não seja apenas um detalhe sobre o evangelho, mas que seja como um fogo que arde em nossos corações. Um fogo que nos deixa constantemente alertas para estarmos pronto quando a trombeta tocar. Um fogo que nos deixe ansiosos para ouvir esse soar.

Max Lucado disse em algum de seus livros “Ame como se não houvesse amanhã”, e assim deve ser a nossa vida, porque esperamos mesmo que talvez não haja, e se não houver, precisamos ter amado a Deus com todo nosso ser, entendimento, forças, ações, palavras, com tudo o que somos, precisamos viver prontos para a volta de Cristo como se não fossemos ter a chance de consertar, de pedir perdão mais uma vez, de voltar atrás, “e se houver um amanhã” – completa Lucado – “ame novamente”. Devemos estar prontos, com uma vida em santidade e intimidade com Deus, crendo que Jesus pode voltar ainda hoje, e se o ultimo dia só for amanhã, precisamos estar prontos de novo, em cada novo dia, preparado para encontrar com o nosso Salvador.

Ariane Machado

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Um convite no olhar

Há alguns meses eu conheci uma pessoa (conheci me inscrevendo entre os outros tantos seguidores que ela tem, não nos conhecemos, só eu a conheço), e foi incrível o quanto me encantei com o seu encantamento.

Já tem um tempo que gostaria de falar dela, mesmo a conhecendo tão pouco, porque eu realmente tenho dificuldade em apontar objetos ou pessoas e relaciona-las à fé, ou melhor, eu tenho dificuldade em objetivar ou personificar a fé. Porque somos perigosos e instáveis. Nós, seres humanos somos incrivelmente instáveis, e temos uma necessidade absurda de tornar as coisas palpáveis. E como eu não sei lidar com isso, não queria dar-lhes esse trabalho.

Quero deixar claro que não estou exaltando uma pessoa, é muito perigoso quando fazemos isso, e colocamos alguém num pedestal, como alguém que não erra e tal. Quero apenas compartilhar a admiração por alguém, alguém que (ao menos no aspecto sobre o qual falarei) poderia, como Paulo, chamar-nos para imitá-la. E é bom termos bons exemplos.

Lhes apresento Roberta Vicente. Não sei muito sobre ela, a conheci testemunhando sobre a reação de sua família à sua conversão, e logo vi uma fé admirável. Mas o que realmente me trouxe a escrever sobre ela foi eu ter me encantado com o encantamento dela por Jesus. Sério! É possível ver que ela realmente conheceu Jesus em sua forma de falar. O seu sorriso apresenta alguém que teve um encontro com Cristo e foi mudada por ele. O olhar dela diz que ela O ama.

Eu percebi que tenho 21 anos frequentando uma igreja, mas provavelmente as pessoas não me veem muito falando sobre Jesus, e quando o faço, não veem brilho nos meus olhos, um sorriso apaixonado em meu rosto. Não que eu não ame Jesus, mas é que o ‘costume’ nos faz perder o brilho, o encantamento, a paixão.

Digo paixão sim, porque já fui uma adolescente apaixonada e ouvi um amigo meu concordar que eu realmente estava apaixonada, ele disse que via meus olhos brilhar quando eu falava do tal rapaz. Mas nunca houve alguém que me dissesse que dava para ver o quanto eu sou apaixonada por Jesus.

Eu tenho servido incansavelmente (mesmo cansada) no serviço de Cristo. Eu tenho aprendido sobre ele há muito tempo. Eu tenho tentado levar outras pessoas a também servirem e aprenderem sobre esse Jesus, seja com os meus textos aqui, ou nos meus trabalhos na igreja, ou ainda quando tento evangelizar meus amigos. Mas eu tenho pensado que talvez eu não os esteja levando a se apaixonarem por Ele porque não há brilho em meus olhos.

Ela fala de Deus como Pai, não como alguém que sabe que Ele é pai somente porque a bíblia nos diz e nos garante isso, mas como alguém que tem experimentado ser abraçada por esse pai. Seu amigo Jesus não parece ser apenas garantido pelo versículo que diz “Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno. ” (João 15:14), mas como alguém que tem experimentado da confiança e intimidade com esse amigo que é realmente um homem, que verdadeiramente nos ama e nos quer ter como amigos.

E acompanhar os vídeos da Roberta tem me levado a questionar o que eu tenho feito, e ainda mais o que eu sinto e o quanto esse sentir influencia e muda a minha vida. E se nada faz em minha vida, o que fará sobre a vida dos outros? Nada. Mas o brilho no olhar dela, ao falar de Jesus em seus vídeos, tem me levado a alguma coisa, a pensar, questionar, mudar. Não para que mais tarde alguém escreva sobre o brilho em meus olhos, mas para que nada seja em vão. Para que o meu serviço e o meu aprendizado não sejam em vão, para que mais tarde eu não perceba que nunca fui capaz de inspirar alguém a buscar o Cristo que tanto tento anunciar.

“Sedes meus imitadores como também eu sou de Cristo”, afirmou Paulo com ousadia. Os olhos de Roberta Vicente têm me dito o mesmo, e lhes convido a também buscar aproximar-se e apaixonar-se continuamente pelo nosso Senhor Jesus. 

Ariane Machado

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

E viu Deus que era bom


“Alegre-se o Senhor em seus feitos”, diz o salmista no capítulo 104 do livro de Salmos. Nos versículos anteriores o autor brinca com o livro de Gênesis. Se com seriedade e com o fim de informar-nos, Moisés descreve a criação, brincando com as palavras, e com a beleza da poesia, Davi exalta a Deus descrevendo com beleza a criação.

A separação das águas, o poder de Deus sobre a gravidade e o cuidado divino sobre suas criaturas, provendo-lhes seus alimentos e o sopro que sustenta as suas vidas. Que beleza é esse salmo! “E viu Deus que era bom” é a frase repetida em Gênesis, ao fim de cada dia da criação. “Alegre-se o Senhor em seus feitos”, assim encerra, Davi, sua descrição da grandeza do Deus criador.

E ele realmente viu que era bom, agradou-se, alegrou-se e ainda se alegra diante de sua criação. Criaturas obedientes que vivem para exaltar e anunciar seu Criador. Como poderia Deus não se alegrar diante de um projeto tão belo e bem-sucedido?!

Mas na extensa lista de feitos de Deus, há uma obra que não está presa à sua vontade, e tem o poder de escolher alegrá-lo ou não, bendizê-lo ou não, adorá-lo ou não, anuncia-lo ou não. Você.

O Senhor, nosso Criador assumiu o risco. O risco de ser rejeitado, desprezado, o risco de não ter alegria em nós, sua mais preciosa criação. Ele escolheu o risco de perder-nos para nós mesmos, porque quando escolhemos Ele, Ah! Quando escolhemos Ele, o cheiro da nossa adoração é melhor do que a das mais belas flores! As cores da nossa exaltação são mais belas do que as do pôr do sol! O som de nossa canção é mais harmônico do que o canto dos pássaros!

Davi continua o capítulo declarando: “Cantarei ao senhor toda a minha vida, louvarei ao meu Deus enquanto eu viver”. Davi, repetidas vezes, errou em suas escolhas, mas ele alegrou o coração do Pai ao ponto de ser chamado ‘segundo o coração de Deus’. E foi assim porque ele escolheu alegrar ao Senhor. Que esse seja também o nosso querer. Ainda que tenhamos o entristecido ontem, façamos valer a pena o risco que Deus escolheu correr por nós. Ame-O o tanto quanto for possível retribuir o amor dele por nós. Sirva-O o tanto quanto Jesus serviu a nós. Alegre-O, exalte-O e adore-O.

Ariane Machado

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Satisfaçam o país e o Pai


A redação do enem, realizado no último fim de semana, tinha como proposta o desenvolvimento de caminhos para combater a intolerância religiosa, e certamente as discriminações e crimes de ódio que têm como motivação a diferença de credos.

Eu não tenho uma resposta que abrace a toda a sociedade. Não tenho uma proposta social para resolver esse problema. Eu também não tenho conselhos que satisfaçam aos espíritas, budistas, islãs e às mais diversas crenças, porque na verdade eu pouco conheço delas.

Mas eu conheço a cerca do evangelho, me entristeço em saber da triste realidade, que é a presença de muitos que levam o nome de cristãos nos índices dessa prática. Sejam em conflitos como os que geraram a divisão das Irlandas, ou nos mais sutis comentários e comportamentos segregando aqueles que têm a fé firmada em outrem que não Jesus, nosso Salvador.

O caminho para que não haja intolerância é também o centro do evangelho, o sentimento mais precioso e que é também o motivo da nossa salvação. O sentimento que o próprio Deus é, e por meio dele desenvolveu o plano de salvação para a humanidade. Eu falo acerca do amor.

Pelo amor de Deus por nós, recebemos hoje o dom da salvação. E vendo e aprendendo desse amor, Jesus, a personificação do amor, nos ordena apenas duas coisas. E sobre elas está firmada o evangelho. 1. Amarás a Deus sobre todas as coisas. 2. Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O segundo mandamento não impõe condições, não é se ele estiver na mesma igreja que nós, nem mesmo sob a mesma fé.

Ame ao ser humano como você se ama, diz o mandamento. Ame aos cristãos como a si mesmo, ame aos islãs como a si mesmo, ame aos judeus como a si mesmo, ame também aos de religião afro descendente como a si mesmo, ame ainda os budistas como a si mesmo, e aos seguidores de toda e qualquer crença como a si mesmo e, não menos importante, ame aos que em nada crêem como a si mesmo. 

"Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" ( I João 4:8) E de forma inversa, quem conhece o Deus do amor certamente ama. É claro que não amamos automaticamente ao conhecermos Jesus, mas conhecer a imensidão do seu amor, perceber a grandeza do amor que recebemos dele, nos leva a transbordar desse amor. E portanto amar. Amar a cada uma das pessoas supracitadas. Não compartilhar da fé delas, não participar de seus rituais, nem mesmo deixar de buscar alcançá-las para Cristo. Mas não por meio de acusações, não se achando superior, ou ainda implicando com suas práticas. Mas amando.

Talvez não com o seu próprio amor, porque, às vezes, simplesmente é difícil demais, mas com o amor do Pai. Apresentando o Pai. Compartilhando o Pai. Quem sabe sem palavra alguma, mas amando em ações, dividindo, perdoando, compartilhando, exalando a bondade, a doçura, a mansidão, a graça de Cristo.

Não resolvemos assim nenhum problema do Brasil, mas eu e você estaremos fazendo a nossa parte, e sendo tolerantes como o país espera, e amorosos como o Senhor ordena.

Ariane Machado