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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

O que pensam sobre ti 💛​



"Porque eu sei bem os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais."
Jeremias 29:11

Porque Deus precisa nos dizer que não nos quer fazer mal? Acho que por duas razões.
1. Porque precisamos aprender a confiar nele. É importante sabermos que Ele quer o nosso bem, que estar com ele é seguro e é bom.
2. Porque nós mesmos, às vezes, temos pensamentos ruins a nosso respeito, e precisamos lembrar que Ele quer nosso bem até mais do que nós mesmos.

Dizem que "Aceitamos o amor que achamos merecer", se eu não sei o que Deus pensa a meu respeito, aceito qualquer outro pensamento, aceito a opressão e os julgamentos dos outros, tomo para mim os pesos que o mundo coloca sobre os meus ombros, limito a minha vida ao que os meu olhos vêm que posso ser, chegar ou merecer, aceito a minha própria falta de amor e a dureza contra mim, até mesmo aceito as sugestões de morte.
Pensamentos de morte que assolam a nossa geração, no entanto, não são bem vindos à mente de Deus, Ele tem pensamos de paz, "planos de nos fazer prosperar".
A bíblia diz também que os sonhos e planos de Deus são melhores e mais altos do que os nossos próprios pensamentos sobre nós. Aceite, trilhe, tome posse do que Deus preparou para você!
Eu sei que não é tão fácil assim...
Não estamos falando de um simples desprazer da vida ou se si, mas de disfunções psicológicas que afetam realmente o pensar, que te inundam com mentiras, com desesperança. Saiba que são mentiras. O que diz que não há mais jeito é mentira. O que lhe diz que não há mais ninguém é mentira. Que não há esperança, é mentira. Porque quem bem sabe o que tem para ti não é a sua mente cansada, a sua alma oprimida, ou seus olhos marejados de lágrimas.
Mas o Deus Criador dos céus e da terra! Seu Criador, meu Criador, que muito lhe ama diz: Eu sei os pensamentos que tenho a vosso respeito.
E não são de sofrimento, não são desesperança, desespero, angústia ou morte, não é o mal que dizem de você, não é o mal que você pensa de você... Os pensamentos que Deus tem a seu respeito são pensamentos de paz. São mudança de vida! São bons caminhos. Vida. Esperança.
Ele nos oferta, se você está cansado, o meu fardo é leve. Se você tem sede, Jesus é a água da vida. Se você tem fome, ele é o pão da vida. Se há incertezas, ele é a rocha segura. Se está fraco, Ele fortalece. Se há morte, ele dá vida.
Entregue a ele a sua dor, e troque pela paz que Ele lhe oferece.
Procure ajuda.
Aceite Ajuda.
Você não está só.
 

domingo, 7 de agosto de 2022

Histórias de dores




Quantas feridas
Quantas palavras malditas
Ou palavras não ditas....

Tantas famílias
Abraços negados,
Agressões veladas,
Laços desfeitos

Corações dilacerados
Respirações ofegantes
A ansiedade domina

Domina a esperança que se vai
Futuro parece que não há...
Desistir é um caminho?
'Eu já não aguento'
Onde encontrar forças?
Nos abraços negados...?
A família... um refúgio?

Não...

Muitas vezes a família, o motivo
A família que agrediu a infância
Que conturbou a adolescência
Os sonhos, roubou
Entulhou problemas
Anulou o valor de um pai, de uma mãe
E a criança sozinha
Não sabe em quem confiar

Todo amanhecer é pesado demais
Os sorrisos que me dão, posso confiar?
O que escondem de mim? Parece zombaria
Sozinho se vê
Já não sabe quem ser
E o alívio, onde encontrar?

'Vinde a mim', diz uma voz
Mas confiar não é opção
'Vinde a mim você que está cansado'
Sou eu, cansado e sobrecarregado
Mas há lugar onde descansar?
Há lugar em que meus músculos possam relaxar?
A respiração enfim pode acalmar?
'Vinde a mim.... Eu te aliviarei'
Essa voz... De onde vem?
A essa altura, quem olharia para mim?

Seu Pai!

Aquele que me roubou a alegria?
Um outro Pai
O Pai do Céu, o Pai Celeste
O Deus Pai
Aquele que é 'manso e humilde'
E ele é meu pai?
Sim, desde que você creu

'Ao que creu, deu o direito de ser filho'
Filho de Deus
E não há mais distancia
Vivemos como desprezados
Vestimos a história que o mundo nos impôs
Mas somos filhos
Filho amado, em quem Ele tem prazer
A quem muito ama

Com os olhos mergulhados na dor,
Somos cegos
Enterrados nas armadilhas das lembranças,
Nos fazemos prisioneiros
Mas na verdade, somos Filhos

Lança fora o que passou
Fora não...
Lança sobre Ele as dores
Ofusca o que ainda vê em casa
Desvia e olhar
E olha para Ele,
Corre para Deus
E se encontra nos braços desse Pai
Num abraço onde há amor
Onde há liberdade
E promessas fies!
Uma nova história!
Uma história de filhos,
De filhos amados.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Fonte dos desejos


Quantas vezes nos vemos diante de situações em que gostaríamos de que, por um segundo, uma moedinha jogada no fundo de uma fonte realmente nos garantisse um desejo realizado. Ah, quão bom seria se fosse tão fácil, uma única moedinha de qualquer valor, e “zas!”, problema resolvido, confusão desfeita, sonho realizado, ou o que quer que fosse o nosso problema.

Porém, os autores de ficção inventaram algo melhor que uma fonte de desejo, em vez de um único desejo, poderíamos esfregar uma lâmpada e trazer a nós um gênio, ele então realizaria não um, nem dois, mas três desejos. Não precisaríamos nos limitar ao mais urgente ou importante, poderíamos ter um pouco de tudo.

Mas, alguns têm falado de um gênio sem limites, uma fonte de desejos alimentada não por moedas, mas por fé. Sim, depois de nos iludirem nos livros infantis e diversos filmes com diferentes versões daquele que realizaria as nossas vontades, trouxeram para a vida real.

Na verdade, essa fonte de desejos existe, ele só não é uma fonte, como dizem. Não basta jogar um pouco de fé e “zas!”, oração atendida. Ele é capaz de fazer mais do que qualquer criação das histórias infantis, Ele vai além do que qualquer ser humano já foi capaz de desejar. Sim, eu falo de Deus, não aquele que você acha está esperando a sua próxima lista de pedidos, eu falo do Deus que está ansioso esperando que você fale com ele, com alguns pedidos talvez, mas com a gratidão pelos que já realizou, e a confiança apesar dos que não saíram bem como você queria.

Eu falo do Deus que, mesmo tendo o mundo sob seus pés, e o domínio sobre os anjos e cada animal da terra e mar, deseja que você fale com Ele. Isso mesmo, só fale. Fale como foi o seu dia, como foi difícil aquela situação mais cedo, conte para Ele o que você sentiu naquela hora, mas lembre-se também de falar daquele momento em que notou o sol, e como você achou bonito o céu hoje, e agradeça por aquele passarinho que você ouviu e parecia estar cantando especialmente para você.

Conte para Ele os seus sonhos, o que você está planejando para o fim de semana, e sobre aquilo que você está planejando comprar, não, não se preocupe, ele não acha isso bobo. Na verdade, Ele é um Pai muito dedicado, e fica encantado quando você mostra interesse por ele, e quando você gasta tempo contando suas coisas para ele, ele também tem interesse por você.

Ele não é uma fonte sem vida que está lá apenas para te realizar, Ele é uma pessoa que deseja se relacionar contigo. Ah, como Ele deseja isso! Ele quer amar-te e ser amado por ti. Ele quer a sua companhia, e também estar contigo. Ele também quer te fazer feliz, realizando alguns desejos seus, mas principalmente realizando os dele, e na hora dele, porque Ele sabe exatamente o que você precisa, e qual o momento ideal. Fale com Ele, confie nele, e se entregue a Jesus Cristo por completo.

Ariane Machado

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Um Rei ao nosso lado



"Quando o pai se senta pra brincar com o filho
Quando o rei se curva pra beijar o servo
Quando o autor se põe no próprio livro
Só pra morrer ali e por alguém mudar o fim

Quando a herança fica para o escravo
Quando é esquecida a dívida do pobre
Quando o troféu reluz e dá seu brilho
Às mãos do que perdeu, mas recebeu do que venceu

É disso que eu falo quando canto
E quando escrevo sobre o amor
É nisso que eu penso quando vejo
E quando sinto esse amor"

É isso que se lê nas palavras de Paulo aos Romanos “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” Ainda longe se sermos filhos e até mesmo servos, Cristo veio fazer parte da história para morrer por um simples ‘alguém’, como fala o compositor. Nós escravos, fomos acrescentados ao testamento do dono de absolutamente tudo, de toda a terra, de cada animal e toda riqueza. Pobres que já haviam perdido suas vidas em garantia de uma dívida que nunca poderia ser paga por nós, nos vimos livres da dívida que foi quitada pela vida de outro, uma dívida esquecida.

E se não bastasse toda essa inversão, e ir de encontro a todos os exemplos de amor já mostrados, revelando um amor perfeito, maior do que toda prova já dada, ‘o rei se curva para beijar o servo’ – canta Estevão. E eu costumo imaginar que quando nos entregamos a Deus em louvor, ou em oração, como diz o salmista, Deus se inclina para nos ouvir (Salmos 40). Talvez ele pare toda e qualquer agitação no céu, ou ele pare até o tempo, e dedica atenção para nós, que nada merecemos.

E feitos filhos, por meio de Jesus, Deus realmente se torna nosso Pai. Não um nome no registro de cada novo cristão, mas um Pai particular de cada um de nós, um Pai que nos conhece de perto, no íntimo, e que deseja ser conhecido. Um Pai que dedica tempo a suas crianças, e cuida e as ama de perto.

A letra desta canção revela o amor do evangelho, o amor através do qual o Deus Filho veio morrer por nós, e o qual veio manifestar. Não somos criaturas maravilhosas que mereceram ser amadas por Deus, mas em lugar disso, éramos os mais miseráveis, indignos do troféu, do perdão, da herança e até mesmo do amor. Perdidos e condenados, para quem já não se via esperança. Mas ainda assim, amados pelo próprio amor.

E "quando os galhos dão sua sombra ao machado", e Cristo vem salvar aqueles mesmos que o matariam, e pelos quais morreria. Isso é um amor maravilhoso e tremendo, que se distancia de todos os conceitos.

"É isso que me explica
Me intriga
À entrega desse amor"

Ariane Machado

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Olhai para os pequenos detalhes



Eu tenho visto muito, nos dias de hoje, a igreja clamando pelo sobrenatural. A igreja tem pautado sua estrutura, sua visão, sua mensagem nos mistérios de Deus. E muitas estão repletas de mensagens em línguas estranhas, visões, sonhos, profecias e tanto mais.

Não as critico, a bíblia realmente fala acerca de tudo isso, e creio que o Senhor se revela a nós de tantas formas, conforme a sua vontade. Mas a minha oração nesses dias tem sido diferente.

Eu tenho orado para que eu encontre o Senhor numa simples noite, sem nenhum espetáculo espiritual, mas em tão somente olhar para as estrelas no céu. Eu quero olhar para a linda e grande lua cheia e encontrar o Criador em sua beleza. Quero ver a natureza de Deus traçada na sutileza da lua nova.

Eu quero ouvir uma canção a Deus no som das ondas do mar, e junto com ele adorar a Deus, rendendo-lhe graças. Eu quero ser levada à presença do Pai pelo soprar do vento que se apresenta nas praias.

Eu quero que o meu anseio por Deus, a minha procura pelo Pai seja tanta que eu O encontre em toda parte. Que onde quer que eu olhe lá Ele esteja. E o meu clamor por sua presença seja tão grande, que eu não precise de um evento ou um espetáculo que o meu coração humano possa desejar, mas que em tudo que me rodeia, e em cada obra do Pai, ele se revele a mim.

Que eu possa sentir o teu toque, o teu amor e o teu cuidado, não apenas quando alguém for curado, ou grandes eventos se revelarem, mas que quando a chuva vier a cair, eu veja que Ele está a regar a terra em nosso cuidado. E quando o sol nascer, eu encontre o seu amor manifestado através dos raios que retornam para nos aquecer e iluminar.

Porque a sua criação realmente o revela. E há assinaturas suas em cada uma de suas obras. “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”, declara o salmista, e ele continua dizendo que “não há linguagem ou fala onde não se ouça a sua voz”, então eu clamo para que os meus olhos e os meus ouvidos não se percam, e não deixem que a voz do Senhor passe despercebido. Que eu não espere pelo ressoar dos trovões para me lembrar que o céu fala do Senhor, mas que a todo instante eu me encha dEle ao contempla-lo nas pequenas coisas.

Olhe pela janela e encontre o Senhor Deus à sua volta! Espero que os prédios não sejam tantos para o afastar da criação, e os fios em nossas cidades não nos tire a beleza do céu. Olhe ao seu redor, e ouça Deus dizer “Te amo, filho”, seja grato a Ele, seja cheio do seu amor, e lhe responda de volta “Eu amo você, Paizinho”.

Ariane Machado

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

E viu Deus que era bom


“Alegre-se o Senhor em seus feitos”, diz o salmista no capítulo 104 do livro de Salmos. Nos versículos anteriores o autor brinca com o livro de Gênesis. Se com seriedade e com o fim de informar-nos, Moisés descreve a criação, brincando com as palavras, e com a beleza da poesia, Davi exalta a Deus descrevendo com beleza a criação.

A separação das águas, o poder de Deus sobre a gravidade e o cuidado divino sobre suas criaturas, provendo-lhes seus alimentos e o sopro que sustenta as suas vidas. Que beleza é esse salmo! “E viu Deus que era bom” é a frase repetida em Gênesis, ao fim de cada dia da criação. “Alegre-se o Senhor em seus feitos”, assim encerra, Davi, sua descrição da grandeza do Deus criador.

E ele realmente viu que era bom, agradou-se, alegrou-se e ainda se alegra diante de sua criação. Criaturas obedientes que vivem para exaltar e anunciar seu Criador. Como poderia Deus não se alegrar diante de um projeto tão belo e bem-sucedido?!

Mas na extensa lista de feitos de Deus, há uma obra que não está presa à sua vontade, e tem o poder de escolher alegrá-lo ou não, bendizê-lo ou não, adorá-lo ou não, anuncia-lo ou não. Você.

O Senhor, nosso Criador assumiu o risco. O risco de ser rejeitado, desprezado, o risco de não ter alegria em nós, sua mais preciosa criação. Ele escolheu o risco de perder-nos para nós mesmos, porque quando escolhemos Ele, Ah! Quando escolhemos Ele, o cheiro da nossa adoração é melhor do que a das mais belas flores! As cores da nossa exaltação são mais belas do que as do pôr do sol! O som de nossa canção é mais harmônico do que o canto dos pássaros!

Davi continua o capítulo declarando: “Cantarei ao senhor toda a minha vida, louvarei ao meu Deus enquanto eu viver”. Davi, repetidas vezes, errou em suas escolhas, mas ele alegrou o coração do Pai ao ponto de ser chamado ‘segundo o coração de Deus’. E foi assim porque ele escolheu alegrar ao Senhor. Que esse seja também o nosso querer. Ainda que tenhamos o entristecido ontem, façamos valer a pena o risco que Deus escolheu correr por nós. Ame-O o tanto quanto for possível retribuir o amor dele por nós. Sirva-O o tanto quanto Jesus serviu a nós. Alegre-O, exalte-O e adore-O.

Ariane Machado

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Um momento consigo

Certamente estamos cansados de ouvir sobre a ironia que é o tanto que este século está globalizado e conectado e o tanto que estamos distantes. Mas espero possibilitar uma nova fresta por onde olhar para esse escancarado problema.

Muito mais do que por passarmos tempo demais com o grupo do celular do que com o velho grupo de amigos face-a-face, o problema está em passarmos tanto tempo com tudo que está ao nosso alcance graças a tecnologia, que esquecemos do que temos sem nada. Do que temos ao deitar na cama, quando as luzes se apagam e cada um dos amigos virtuais se calam. O silêncio se instala e logo percebemos um outro personagem. Mas não temos tempo para ouvi-lo, saber suas necessidades, seus clamores. Se ouvimos, ignoramos, lembrando que o mundo tem muito mais exigências, que se ignoradas chovem sobre nós acusações. A verdade é que temos medo de conviver com a nossa solidão e por isso passamos tanto tempo procurando pessoas online para interagir e mesmo quando não há nada para fazer estamos rolando o nosso feed porque precisamos estar conectados e a ordem é não se sentir sozinho. 

E não necessariamente há um erro em querermos estar próximos de outras pessoas, ainda que virtualmente, mas o fato é que para nos adequarmos a todos, e ficarmos dentro dos padrões das redes esquecemos de nós e ainda mais de Deus. E já nem lutamos para satisfazer-nos, mas para satisfazer aos nossos grupos, à família, e ao bando de desconhecidos que nos acompanham em cada rede social. Diminuindo nossas paixões a nada, nossas necessidades, nossas loucuras.

O maior causador de estarmos tão distantes uns dos outros é por estarmos distantes de nós mesmos. Tão preocupados em seguir o que o mundo dita, seja no cabelo, na cor do cabelo, no corte do cabelo, o tamanho do cabelo, o que usa no cabelo, o tamanho da cintura, o tamanho do salto, o tamanho do short, a hora que sai, a hora que chega, para onde vai, com quem vai, e tanto mais que tem sido vivido pensando no que vão falar, se vão reparar, se vai agradar. Que até mesmo quando surgem novas vertentes de comportamento, um padrão que é só seu, logo vira de todos, porque se eu costumava viver esperando agradar e receber um elogio, agora quero incomodar, sendo diferente, e olha lá!, está todo mundo igual de novo, só que igual de outro jeito. E nessa correria para saber o que nos é ditado, esquecemos de ditar para nós mesmos a nossa vontade.

Ora mais que contradição, o que uma crente, acostumada a pregar a vontade de Deus está falando sobre fazermos a nossa própria vontade? Talvez esteja se perguntando. Ora, se foi o próprio Deus quem nos fez diferentes, nos deu temperamentos diferentes, gostos diferentes, vontades diferentes, emoções e reações diferentes para cada coisa, porque manter meu pensamento engessado nos moldes da sociedade numa falsa liberdade?

Se fosse intuito de Deus fazer-nos seguir iguais, ele nos faria iguais, obedientes robôs. Resolveríamos os problemas da humanidade, iríamos todos para o céu e tchau, boa noite.

Mas não, ele ama ver a sua criatividade em ação, inventar um penteado novo, usar as combinações mais improváveis para as suas roupas, criar soluções ousadas para os problemas, ele mesmo não é assim? Criador, criativo, pintor, autor magnifico de todas as coisas. Foi ousado para escolher as cores do pôr do sol e testa uma nova tela a cada dia, deu um som diferente para cada ave, e você realmente espera que Ele não espere nada de nós além de imitações baratas uns dos outros?

Imagem e semelhança dele, não para sermos todos iguais, moldados na mesma forma manchada e limitada, NÃO! Semelhantes a ele na ousadia de ir além. Igual a ele em decidir ser compositor do canto dos pássaros quando muitos esperariam a figura de um monarca ditador.

Em vez de viver à sombra da criatividade do outro, ou reprimido pelo olhar dos que oprimem suas próprias criações. Substituindo a pressão das cobranças que te atormentam noite e dia, seja livre em Deus.

Afastemo-nos das imposições opressoras do mundo, afastemo-nos da aparência do mundo, e caminhemos em liberdade com Cristo, à sua imagem.

Não estou pregando, ou insinuando que há liberdade para tudo, mas há liberdade para tudo em Deus.

Quando alguém decide gritar sua liberdade ao mundo geralmente confunde liberdade com rebeldia, e daí querem ir contra tudo e todos, e sua liberdade se esvai ao se ver preso a tantas coisas. Mas quero convidar-nos, sim, a mim também, a experimentarmos da liberdade em Deus. Uma liberdade combinada à sabedoria, sabendo sabiamente o que escolher.

Se Deus, em sua infinita sabedoria fez-nos criativos, diferentes, e sábios, porquê nos reprimir em prol do outro? Não tenha medo de passar um tempo com o som do seu silêncio, pense sobre as suas necessidades, ame o que você tem e tudo que você é. Acredite: não precisa da aprovação dos outros para tudo, antes de manter um perfil impecável, mantenha-se bem consigo mesmo, seja você. E se houver dificuldades nisso, não hesite em conversar com alguém, lembre-se que falar é sempre a melhor solução, não é besteira, procure ajuda. Ainda que não saiba existe muita gente torcendo por você!

Ariane Machado e Jéssica Vieira

domingo, 25 de setembro de 2016

Reincidentes por gerações


“Você não sabia com quem estava, Israel? Você não conheceu quem te salvou? Quem te protegeu, te cuidou, te amou. Oh Israel, para onde olhaste por todo esse tempo? Oh noiva, o que impediu de seus olhos ver o agir de Deus? Seus ouvidos, para que servem, se não podem ouvir a voz do teu Pai? Oh regatado povo, o que fazes? ”

Essas linhas podiam ser direcionadas ao histórico povo de Israel, e como podia. Na verdade, em outras palavras, de diversas formas foram ditas sim. Ditas para o povo que viu Deus de perto, o povo resgatado, como um filho órfão que recebeu um nome, ganhou um Pai, um novo caminho a trilhar e um glorioso futuro lhes foi prometido.

Mas diversas vezes esse mesmo povo foi advertido. Pessoas que viveram as maravilhas de Deus, mas lhe viraram as costas incansavelmente. Se Deus não respondia, se a resposta não os agradava, se Deus “ousava demorar”, ou sem motivo algum. Bastava ter diante de si culturas, povos e divindades diferentes, que Israel abandonava o Deus que os amava, deles cuidava e protegia, e se curvava a deuses pagãos.

E com a mesma facilidade que o povo que andou ao lado de Deus abriu mão dele, isso se repetiu no novo testamento. Pedro, um dos discípulos mais próximo de Cristo o negou, trocando-o, não por deuses, mas por sua vida. E também outros que andaram com Jesus, pessoas que ouviram suas palavras, presenciaram seus milagres, comeram com ele, mas perderam suas esperanças e voltaram a suas velhas vidas diante da morte do Mestre. Como que não conheciam aquele a quem seguiram e ouviram.

E assim também foi com a igreja, não nós ainda, mas a igreja admoestada por Paulo, a igreja que recebeu cartas dele as advertindo acerca da entronização dele ou de Apolo, em Corinto. Ou a entronização da lei por parte do povo salvo pela graça, em Galácia, Assim foi em cada cidade, em cada tempo, o povo de Deus se afastando Dele. A nação sobre a qual Deus sempre esteve presente, fosse numa coluna de fogo, nas palavras de um profeta, na personificação do Filho, ou na presença do Santo Espírito, sempre encontrou um jeito de colocá-lo em segundo plano e se fazer escravo.

E mesmo fora das páginas da bíblia a história se repete, “Por isso ainda faço denúncias contra vocês, diz o Senhor, e farei contra os seus descendentes” (Jeremias 2:9 NVI), porque nós, descendência, repetimos os mesmos erros de nossos pais. A bíblia diz que é sábio aquele que aprende com a desgraça do tolo, mas ainda não vi a geração que usa as lições dos outros para trilhar o caminho de Deus. Pelo contrário, cada geração insiste em errar de igual modo, insiste em ter suas próprias experiências, entregando-se a qualquer coisa além de Deus, aprisionando-se a qualquer coisa que atravesse o nosso caminho.

Somos mais uma geração a quem as palavras do início desse texto se adequam, um povo que não conhece o seu Deus, mas se deixa ser servo de seus próprios desejos. Uma noiva insensível à voz de Deus, uma noiva manchada, uma noiva que não se preserva para o seu noivo, que nem mesmo conhece a imensidão do amor dele. Mas se entrega à menor das ofertas.

Conheçamos o nosso Deus, oh igreja, e saberemos que ainda há chance de sermos somente dEle, que a impureza do nosso vestido pode ser limpa com o sangue do Cordeiro. E podemos ser livres de amarras. Uma noiva pronta para a chegada do Santo Noivo.

Ariane Machado

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Coração igual ao de Deus

Crescemos ouvindo que a volta de Jesus está próxima, tenha você 12 anos ou esteja passando dos 70. A sua geração podia ser a última, como também se ouviu sobre a geração dos meus pais, e com ameaças mais específicas como o fim dos tempos previsto para os anos 2000, a minha certamente foi a que chegou mais perto de ser a última. E assim temos gerações e mais gerações à sombra de uma espera.

Mas há outros itens numa lista, talvez, imensa de dizeres que são apontados a cada geração, especificando essas proposições a cada um de nossos antepassados, depois para nós, e mais tarde para os que ainda virão.

Ouvi há pouco tempo que somos uma “Geração que não sente a dor do coração de Deus”, e pensei no quanto precisamos estar conectados a Deus, e decidi procurar por exemplos, exemplos de eras em que havia uma relação de intimidade com Deus, de gerações que eram uma com Deus, não analisando o mundo em geral, mas no mínimo em seu povo.

E igual a cada geração que é mais uma candidata a ser a última, percebi que a nossa, e cada uma das anteriores não sentiam a dor do coração de Deus. Podemos tentar comparar os novos aos velhos costumes e quais se adequam mais aos padrões de Deus, mas não importa o resultado de sua comparação, tenho certeza de que ele tem muito mais a ver com a moral aceitável a cada época, do que com o relacionamento com Deus.

A geração de Moisés, o povo que teve um dos maiores líderes da história do povo de Deus, homens e mulheres que viveram os maiores sinais do poder Divino, pessoas que caminharam dia e noite com os símbolos mais “palpáveis” da presença de Deus – a nuvem e a coluna de fogo. A geração de quem, talvez, Deus esteve mais perto, tentando dia e noite torná-los conhecedores de suas alegrias e dores, de seus desejos para seu povo.

Mas ainda assim, não conseguiram viver a promessa de Deus, seus sentidos estavam muito mais voltados para si, para a saudade do Egito, para o imediatismo, do que para Deus e não viram o Seu coração chorar quando, diante da menor ausência de sua voz, optaram por criar um deus para si. Não entenderam que Deus sofria em castiga-los, fazendo-os passar 40 anos longe de sua promessa. Não viram que Deus se irava ao vê-los o rejeitando.

E mais tarde, em cada geração. As gerações descritas em Juízes, incapazes de permanecerem no caminho de Deus sem o braço forte de um líder. As gerações dos profetas que, mesmo ouvindo deles sobre a ira de Deus, seguida por uma nova chance de reconciliação, foram incapazes de entender a imensidão do amor de Deus e seu chamado a uma caminhada segura com ele.

E nessa brincadeira de comparação, percebi que podemos ser incomparáveis, podemos ser a primeira Geração que sente a dor do coração de Deus. Não um só patriarca a quem Deus pode chamar de amigo, não só um líder manso e corajoso, não só um rei que entre quedas e recomeços foi um homem segundo o coração de Deus, não só um profeta capaz de pôr em risco sua própria vida – na pessoa de Daniel – ou abrir mão do que quer que tenha sonhado para si, para sentir de fisicamente a dor de Deus – como na história de Oséias.

Mais do que homens e mulheres isolados na história, podemos ser uma igreja que chora antes de dormir porque alguém necessita de cuidado e não fomos capazes de dar, podemos ser o povo que dobra nossos joelhos juntos orando por uma nação, podemos ser a geração que não se aquieta enquanto não pode fazer algo em favor do outro, enquanto não pode viver na prática o amor do Pai.


Não isolados em cada individualidade, mas enfim, olhando juntos para o mesmo alvo, buscando individualmente nos achegarmos a Deus, realmente preocupados com o que Deus sente. Em intimidade com Deus, conhecendo a sua palavra, podemos sentir o que Deus sente, sendo um com ele e um com a sua igreja. Podemos ser uma geração diferente, a primeira que chora a dor de Deus, que se ira junto com ele quando as coisas parecem erradas demais, que se alegra festivamente diante de uma única alma resgatada, que ama o tanto quanto o nosso coração for capaz de conter. Podemos ser a geração que tem o coração de Deus.

Ariane Machado

domingo, 3 de julho de 2016

O que queres de mim, Senhor?



“O que queres de mim, Senhor? Queres que eu te siga por toda a minha vida? Sim, eu quero fazê-lo, mas há momentos em que meus passos não percorrem os teus caminhos. Por vezes me perco no que outros esperam de mim, e perco de vista a tua vontade, os teus caminhos; deixo de priorizar a Tua vontade, para adequar-me a vontades que deveriam estar tão abaixo da sua, que é soberana e perfeita. E quantas vezes não é o meu próprio ego que me desvia do caminho? Tentando saciar desejos pessoais, ou perdido em minha ansiedade. Então me volto para ti e peço perdão. Certo de que ele virá, não porque mereço, mas por sua misericórdia e amor.

O que queres de mim, Senhor? Queres me enviar aonde a terra não é fértil, mas existe o desejo verdadeiro de conhecer-te? Sim, Senhor, eu quero fazê-lo, tento ir, tento falar, mas há momentos em que me calo quando apenas um nome seria usado pelo Teu poder – Jesus Cristo. Ora, quantas oportunidades eu deixo passar, paralisada pela falta de jeito com as palavras, quando na verdade sei que o Senhor mesmo se revelará através de mim, que o Senhor falará através de mim, que é o Santo Espirito quem mesmo faz a obra. Mas eu quero ir, Senhor, quero fazer a Tua vontade, quero viver para Ti, quero falar de Ti. E ainda pergunto, Senhor, reconhecendo que quero fazer o que Tu queres. Sei que o Teu desejo para a minha vida é a felicidade. E pergunto ainda: O que queres de mim?

O que queres de mim, Senhor? Queres que eu Te entregue as minhas mãos, meu coração, meu pensar e meu falar? Sim, Senhor, eu quero fazê-lo, mas há momentos em que é tão difícil negar-me a mim mesmo e seguir-te, que eu somente poderia voltar-me para Ti em oração e clamar: Senhor, ajuda-me para que eu Te siga por toda a minha vida e jamais meus pés se desviem dos Teus caminhos; fortalece-me, para que eu mostre o Teu amor ao mundo com humildade e mansidão; guia-me, para que eu possa ir onde Tu queres que eu vá e ali pregue a Tua palavra.

E ainda Senhor, aumenta a minha fé em Ti, para que haja entrega a ti de minhas mãos, meu coração, meu pensar e do meu falar, e eu possa estar pronto para ouvir de Ti a resposta quando falar.”

Quantas vezes palavras como essas fazem parte de nossa oração? Quantas vezes perguntamos com insistência, “O que queres de mim, Senhor?”. Temos entendido/ escutado a resposta que vem de Deus? Como ao final da oração acima, precisamos estar tão entregues nas mãos de Deus, que saberemos sua resposta. Que sonharemos os seus sonhos, que teremos impresso em nossos corações a ardente urgência para realizar o propósito dele para nós.

Que estejamos tão conectados a Ele, firmes em fé, que nada possa ser capaz de impedir os nossos pés de trilhar os caminhos do Pai. Nem os outros com suas propostas, nem nós mesmos com nossas urgências e ansiedades, nem “a tribulação, ou a angustia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada”, “nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem altura, nem profundidade, nem qualquer criatura” tenham o poder de afastar-nos do Seu caminho e de Seu propósito. (Romanos 8)

O que queres de mim, Senhor? São meus dias? O meu tempo? Meu coração? Minha vida? Gratidão? O que podemos dar a Deus que Ele já não tenha? O que ele ainda não encontra em todo universo? Nada lhe falta, mas falta a mim, falta a você, falta à humanidade. Falta ao homem reconhecer e agradecer, com mais que palavras, pelo sustento de Deus, falta-nos agradecer pelo sacrifício de Jesus por nós, falta-nos retribuir, ainda que de forma insignificante. Falta-nos dá-lhe o que um dia ele nos deu. Se com a vida Ele nos serviu, e nos trouxe a salvação, com nossas vidas o sirvamos. Se da vida Ele abriu mão por nós, vamos renunciar a nossa, e entregar a Deus, para a satisfação de Seu coração.


Ariane Machado e Floripes de Jesus

terça-feira, 24 de maio de 2016

Alheios à segregação

Numa sociedade dividida em “brancos x negros”, “heterossexuais x homossexuais”, “machistas x feministas” de que lado fica o cristão? Muito vem sendo discutido sobre os preconceitos e discriminações sofridas pela minoria, sobre a imposição de um sistema organizado em prol dos brancos, heterossexuais, machistas e cristãos. Com o assunto em pauta, muitas organizações têm crescido ou sendo criadas diante desse panorama, na tentativa de que as vozes que têm clamado não se calem, mas tomem proporções ainda maiores, sejam ouvidas, e tragam resultados.

Dentro da política, há representantes e militantes desses grupos. E se não bastasse toda a atual conjuntura dos pró-impeachment contra o pró-governo, a sociedade vem se dividindo baseada nos partidos em vez das causas, e lembrando-se de lutar por cores e legendas, em vez de lutar por pessoas.

Reconheço que, teoricamente, nós cristãos somos os heterossexuais, cristãos, e rotulados de machistas. Admito que, numa sociedade historicamente cristã, leis e um pouco da moral que paira sobre nossa cultura ainda tem um pouco dos nossos princípios. Mas isso já vem mudando, e diante de todas essas discussões e de uma sociedade fragmentada, de que lado estamos eu e você?

A vida do cristão tem uma base e inspiração, nossa vida é parecer com Cristo, imitar seus princípios e ações. Não podemos passar toda a vida frequentando uma igreja, sem nunca questionar o nosso olhar ao outro, e se nossas atitudes condizem com as de Jesus. A passagem de Jesus aqui na Terra foi marcada por sua postura diante dos chamados “minoria”, se Ele viesse aqui em nossos dias, por certo Ele não negaria sua presença a estes, na verdade seria com esses que ele jantaria, seria a esses que ele chamaria para senta-se com ele.

Seu olhar de graça pousou sobre os que eram julgados pela sociedade, seu cuidado se estendeu aos rejeitados, o seu amor alcançou aqueles que eram vítima dos olhares, dos julgamentos, dos mal falares.

Nós cristãos temos em nosso olhar a graciosidade de nosso Mestre ou insistimos em acusar, tal qual faziam os fariseus?

O evangelho é baseado no amor, é ele quem deve reger as nossas vidas. Não inspirados por partidos ou conceitos. Não guiados pelo que parece mais apropriado, mas sabendo o que é o certo. Não digo os ideais certos, ou escolhas certas a respeito de sexualidade ou defesa de gêneros, mas o amor, que une todas as coisas, e é capaz de passar por cima das diferenças.

Seguindo o exemplo do próprio amor, precisamos abrir mão do que nos parece adequado, e amar. Desfazer as diferenças e até nos colocar no lugar dos outros.

As pessoas têm questionado nós cristãos, nossos valores e atitudes, porque nós não temos, de forma geral, refletido aquilo que esperam de nós. E esperam, não desconectados de tudo, mas porque conhecem aquele que é a pedra fundamental de nossa crença.

Exibir o nome de cristão como um qualificador de quem nós somos não tem o menor sentido se antes da posição de cristão não assumirmos atitudes como as de Cristo. É impressionante ler textos como o da mulher adultera, no qual Jesus, agindo contrário aos costumes e ao que esperavam, com graça lhe defende frente aos acusadores. O “super pecado” do adultério nada é diante de uma vida, uma pessoa digna de amor, que não deve ser julgada por suas paixões e escolhas. Julgada por outros também cheios de paixões e escolhas diferente dos outros.

A postura de ninguém nunca vai agradar a todos, e ninguém está vivendo para agradar a nós crentes e nossas crenças, mas nós vivemos para agradar ao nosso Pai Celestial. O que ele espera de nós não é que forcemos aos outros a agrada-lo, mas que glorifiquemos a ele, exalando o amor que Ele um dia exalou através da morte de Seu Filho em nosso favor.

O reino de Deus é sobre servir, sem procurar pelo maior ou melhor; é sobre amar, sem procurar por motivos; é sobre doar-se, sem esperar retribuição. Até porque, fomos alcançados pelo amor de Deus quando deveríamos receber qualquer coisa, menos a dedicação do seu amor, nele encontramos perdão quando de forma alguma fomos dignos, Dele recebemos a salvação, sem qualquer merecimento.

Aprendendo com ele, reflitamos a sua imagem, reproduzamos os seus ensinamentos. E ajudando não só a minoria, mas façamos com que as vozes de nenhum cidadão se cale, mas cada vida, cada grupo encontre em nós uma fonte de amor, de misericórdia, de graça, encontrem em nós paz, carinho, cuidado, respeito. Que sejamos a continuidade do que Cristo foi em seus 33 anos na terra.

Ariane Machado

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Perdidos no serviço


Há sempre uma preocupação quando alguém está sem uma função na casa de Deus. Quando a pessoa parece desconectada, apesar de estar sempre presente, não tem uma responsabilidade, não está no louvor, ou no ministério de dança, não está em nenhuma liderança, nem faz parte do grupo de peças. Uma preocupação válida, porque ter funções realmente nos torna mais envolvidos.

Mas existe o caminho inverso, que é quando nos atolamos de serviços. O louvor já não é o bastante, e nos tornamos professor de ebd, e assumimos uma célula, e de repente estamos perdidos entre tantas tarefas. Essa não é uma crítica, na verdade, creio que Deus se alegra em ver pessoas dispostas a ajudar no funcionamento de sua obra. Se alegra em ver pessoas envolvidas e cumprindo suas funções, baseadas em seus dons, talentos e disponibilidade.

Acredito, no entanto, que até mesmo o serviço a Deus deve ser dosado. Não que haja um limite de cargos e ministérios para cada cristão, mas o serviço não é o item número um em nosso relacionamento com Deus, e ele não pode atrapalhar os demais itens.

Costumamos ouvir que a bíblia tem resposta para tudo, e ela realmente trás reflexões sobre os mais diversos assuntos. E creia, ela nos alerta a cuidarmos para que o serviço não engula a nossa intimidade com Deus.

Servir é muito bom e muito útil, mas Deus não quer que sejamos apenas servos, ele deseja chamar-nos e tornar-nos também amigos seus (João 15:15). Nesse texto ele não só nos chama para sermos seus amigos, mas ele mostra o que diferencia um do outro, o servo apenas está preocupado em cumprir suas funções, já o amigo o conhece.

Em Lucas 10:38-42, podemos contemplar o servo e o amigo. Representados nas pessoas de Marta e Maria, vemos duas atitudes diferentes, e a advertência de Deus, para escolhermos a melhor parte.

Marta foi como o servo, ela se dispôs a receber Jesus em sua casa, cuidou em deixar o ambiente confortável para ele, talvez servir-lhe um bolo, um suco. Marta o queria agradar. Não creio que ela estava errada, servir a Cristo faz parte da caminhada com Ele. Porém, Marta se perdeu no serviço, ela se preocupou demasiadamente em cuidar do Mestre, que se esqueceu de cuidar de seu relacionamento com Ele.

Maria, diferente da irmã, abriu mão de todas as tarefas, aproveitando a presença do Filho de Deus em sua casa, ela sentou-se a ouvir e “conhecer aquilo que Cristo ouvia de seu Pai”. Talvez Maria servia a Cristo, quem sabe ela falava dele à outras pessoas, talvez ela mostrava o amor de Cristo através de sua vida ajudando quem precisava. Mas Maria sabia que aquele momento era o tempo de adorar a Deus e conhecê-lo.

Servir é importante e faz parte de nossa vida com Deus, mas Ele deseja ser conhecido por nós e adorado por nós. Há momentos em que precisamos entregar tudo a Deus, desligarmos-nos de toda preocupação, e nos ligar apenas a Deus. Ainda que nosso irmão questione “O Senhor não se importa que a minha irmã me deixe sozinha com todo esse trabalho?” (v. 40), é o seu momento de conhecer mais o Senhor, é o seu momento de entrega.

Precisamos investir nosso tempo na adoração a Deus e em aprender dEle. Para não corrermos o risco de viver no meio da igreja e não ser amigo de Deus. Para não vivermos com os santos, e descobrir que não somos santos, porque não conhecemos aquele que é Santo. Para não descobrirmos que depois de tanto tempo na igreja, nunca caminhamos com ela em direção a Cristo.

Continue a servir, e se não serve, preocupe-se sim em trabalhar para a obra de Deus, cooperando com as atividades da igreja, mas nos lembremos sempre que o servir não é o bastante.

Em Mateus 7, Jesus mostra mais uma vez que o serviço não é o bastante, dizendo nos versículos 22 e 23:
“Muitos dirão a mim naquele dia: ‘Senhor, Senhor! Não temos nós profetizado em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios? E, em teu nome, não realizamos muitos milagres?’ Então lhes declararei: Nunca os conheci. Afastai-vos da minha presença, vós que praticais o mal. O sábio e o insensato”.
Busquemos então conhecer a Cristo, e ser conhecido dEle.

Ariane Machado

domingo, 17 de abril de 2016

O altar da nova aliança

A adoração está intimamente ligada ao altar. No tempo da lei, os filhos de Deus o adoravam através do sacrifício de animais num altar, ofertando-lhe um carneiro ou pombo, por exemplo, em gratidão ou remissão de pecado. Entregando a Deus como cheiro suave sua adoração. 

Nos evangelhos, vemos que os judeus deslocavam-se em direção a Jerusalém para participar das celebrações e adorações do calendário judaico. Ainda no evangelho, no livro de João, capítulo 4, vemos que, diferente deles, o lugar de adoração escolhido pelos samaritanos era o monte Gerezim. No diálogo descrito nesse mesmo capítulo, Jesus fala que era chegado o tempo em que estar em Jerusalém ou no monte não fariam diferença, importa que o adoremos em espírito.

Ora, onde está o espírito? O que nos torna eternos e passivos de receber a salvação é justamente o espírito que há em nós. Entendemos, portanto, que o lugar físico é apenas um detalhe diante da adoração a Deus.

Algumas pessoas têm pregado que estar no templo não é importante, mas a bíblia nos adverte da necessidade de congregarmos, e estarmos em comunhão com os irmãos. Porém, é importante saber que a igreja não é para nós como Jerusalém ou Gerezim eram para os nossos antepassados. Na igreja há adoração sim, há louvor, há gratidão, mas não no altar de pedras no interior do templo, nela há adoração porque os adoradores estão lá, pessoas que têm um espírito que é o altar de Deus.

Em vez de pedras, fogo e um animal, Deus deseja receber as nossas vidas em dedicação e completa entrega a ele. O nosso viver é a nova oferta para Deus, é através da forma que vivemos que mostramos nossa gratidão a Ele, seja dentro ou fora do templo. Nossa vida de entrega a Deus não é vivida apenas nas horas em que estamos no culto, nem mesmo nos tantos serviços da igreja, sejam no templo ou na comunidade. Mas onde quer que estejamos, “quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. (Coríntios 10:31)

O nosso espírito é o novo altar na nova aliança. “Nem nesse monte, nem em Jerusalém”, não na igreja, não na presença do pastor ou dos irmãos, mas em qualquer espaço físico no qual estivermos, o lugar de encontro com Deus é o nosso espírito.

Todo homem tem acesso ao Pai, quem quer que seja pode procurá-lo e o encontrará, basta que nosso espírito deseje encontrá-lo. É através dele que podemos cultivar uma vida em comunhão com o Senhor. Dedicando continuamente o nosso viver para uma vida com Deus. Para sermos verdadeiros adoradores.

E estar na presença de Deus não é qualquer coisa. Apesar de, talvez, o Deus que exigia diversos passos para a purificação e exigências para a santidade parecer mais flexível, devemos lembrar que o nosso Deus não muda, e o altar para a Sua adoração precisa de cuidados. Da mesma forma que Ele recusou o sacrifício de Caim (Gênesis 4) e a oferta de Ananias e Safira (Atos 6), Ele pode recusar a nossa oferta. Deus é o mesmo Deus Santo de outrora, e é necessário que busquemos santidade, e busquemos viver conforme a sua vontade para o adorarmos em verdade.

O altar da adoração de Deus em nossas vidas precisa, talvez, ser restaurado. Há quanto tempo você não o usa? Há quanto tempo tempos usado apenas o palco de nossas igrejas, pensando ser o altar? Nem em Jerusalém nem no monte Gerezim, Deus deseja ser adorado, louvado e estar em comunhão conosco através de nosso espírito e verdade, por uma vida de entrega a Ele, uma vida de integridade e sinceridade em Sua Gloriosa Presença.

Deus nos abençoe, e restaure e purifique o Seu altar em nossas vidas.


Ariane Machado

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Liberdade liberdade

“Uns nascem com a liberdade no sonho, outros com a liberdade no sangue” - diz uma das propagandas de uma nova novela da globo. Nós nascemos com a liberdade no espirito, acredito eu, e tal qual os sonhadores de liberdade e até mesmo como os ícones que lutaram por sua própria liberdade ou de seu grupo, precisamos ansiar, sonhar e lutar por ela. Mais até do que qualquer utopico revolucionista, pois não lutamos por alguns dias de sossego, mas numa busca espiritual, focando no que é eterno.

Fomos feitos para ser livres. O próprio Deus nos concedeu o livre arbítrio, deu a nós o dominio sobre a terra e tudo o que nela há, sopremacia sobre os animais, até mesmo os selvagens, nos fez conhecer até mesmo sobre as estações e nos deu complexos neurônios para pensarmos e criamos como nenhuma outra criatura. O nosso espírito vem dele, e nele há liberdade. Mas, enganados pela mentira, tornamo-nos prisioneiros do pecado.

Todas as gerações desde Adão nasceram na escravidão, castigados todos por um. Como os escravos que costumavam ser prisioneiros de guerra, o primeiro casal perdeu no primeiro encontro com a possibilidade de desobederecem a Deus. Eles pecaram, e conderam a si e a cada geração seguinte. O ser humano teve seu espírito acorrentado ao pecado.

Aliado a essas cadeias, há a escuridão. Os negros escravos no Brasil e os prisioneisos de guerra aprisionados por todo mundo em diferentes culturas sabiam que estavam cativos, sabiam que estavam submetidos a um trabalho forçado ao qual não podiam dizer ‘não’, ‘talvez’ e nem mesmo ‘espere’. Mas o pecado não trouxe apenas correntes, trouxe também vendas, e com o engano apresenta uma falsa liberdade. Muita gente não vê que está cativo porque dessa escuridão que lhes cega as vistas, e a ilusão de uma falsa e passageira alegria e conforto.

Em toda cultura de escravidão os presos costumam lutar por sua liberdade. Todos sempre buscam uma fuga. Mas como muitos não sabem nem mesmo que estão presos, porque hão de fugir? Ou para onde irão? E quem há de os libertar?

Eu te apresento Jesus, aquele que é a luz do mundo (João 8:12). Não falo de uma simples lâmpada, nem mesmo do grande sol. Mas de uma luz capaz de trazer clareza às correntes espirituais. A luz de Jesus não é para iluminar uma casa ou o dia, mas dissipa as trevas. E torna visível a escravidão que se instaurou na humanidade. Torna claro aquilo que o pecado tentou esconder. Exibe as correntes, mas exibe também aquele que nos ama e que pode nos salvar.

Descoberta a situação de cárcere diante do pecado, há uma nova necessidade. A pessoa que reconhece que tem estado em cativeiro precisa agora ser livre, e a palavra nos revela que a liberdade é alcançada pelo conhecimento da verdade. Ora, mas que verdade? Na mesma palavra encontramos que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida.

Nele está a libertação do espirito, e ele é o próprio caminho, o caminho para uma vida de liberdade, uma vida na presença daquele que nos amou, daquele que traçou o plano de libertação e salvação para nós, Jesus é o caminho para Deus. E nele e com ele, libertos e sarados teremos a vida eterna. (João 14:6).

Nosso espirito, que vem de Deus, vem em liberdade e para a liberdade ele deseja retornar, e portanto, precisamos nós, buscando a Deus, sabermos se já estamos livres, ou se ainda estamos acorrentados aos vícios e aos falsos prazeres, ou acorrentados em nós mesmos, cativo de nossas próprias vontades, vontades transbordantes de orgulho, cobiça e egoismo. Não nos conformando com essa situação, mas buscando em Deus a libertação para uma vida de alegria plena e liberdade real, para uma vida com Cristo. Diante da presença de Deus, aquele que nos faz livres. “E onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade" (2 Coríntios 3:17b).

Ariane Machado 

domingo, 20 de março de 2016

O que Jesus encontra no Templo

Há uma passagem bíblia, bastante conhecida, que descreve uma ida de Jesus ao templo, e Jesus chegou na casa de Deus e se indignou com o pessoal que estava vendendo e trocando dinheiro no templo, três livros descrevem essa cena, mas João fala um pouco mais, ele vai além da revolta de Jesus e ele mostra o amor de Jesus pela casa do Pai.

Creio que o problema não estava na presença do dinheiro ou dos bois e aves no pátio do templo, mas Jesus deixa claro que aquele lugar é a casa do Pai, um lugar de oração e adoração, o que incomoda Jesus por certo não são as mesas no templo, mas o coração daqueles que vendiam, pessoas que estavam buscando interesses próprios e desconexos com o lugar onde estavam.

A bíblia não é como uma simples literatura, contando histórias para o deleite e passatempo, mas são histórias que apontam para Deus e para a sua vontade. Passagens que apresentam o que agrada ou não o coração de Deus e como devemos parecer. E essa passagem nos instrui a não sermos como aqueles mercadores.

Dizem que a igreja é como um hospital, chegamos a ela cheios de feridas, mas também cheios de erros, com corações egoístas e orgulhosos, e não tem mal algum em chegar assim, foi para esses mesmo que Jesus veio, para os doentes espirituais e não os sãos (Marcos 2:17), mas não devemos permanecer como entramos, Deus quer gerar mudança em nossas vidas.

O mundo é gerido por interesses individuais, mesmo que faça mal ao outro e até mesmo a si, o que ansiamos e lutamos, quando somos guiados pela carne, é pela realização de nossos desejos, desejos que às vezes são passageiros, e não trazem benefício. Mas no mundo corrompido o homem tornou-se deus de seu próprio mundo, e fez-se centro do universo.

E corrompidos dessa forma adentramos a igreja, moldados pelos pensamentos deste século é que chegamos a Deus. Por sua grandiosa misericórdia, e seu inexplicável amor Ele nos aceita, mas Seu desejo é transformar nossas vidas, nos moldar de volta à perfeição que Ele deu vida no Éden, nos tirar do trono de nossas vidas. Porque se o buscamos e reconhecemos como Salvador de nossas vidas, é Ele quem deve reinar sobre nós, ou ir à uma igreja e se dizer “crente” não faz sentido.

Mas Jesus chega à casa de Seu Pai, e como naquela Páscoa em Jerusalém, ele encontra interesses próprios, ele encontra pessoas distantes de sua vontade, pessoas que não receberam um novo coração porque estão aprisionados por si mesmos, na busca de satisfazer o próprio coração. O lugar da adoração de Deus tem estado repleto de pessoas que adoram a si mesmos.

E talvez a mesma ira que Jesus demonstrou naquele dia lhe sobrevém novamente, e novamente, porque a situação insiste em se repetir, mas em vez de lhe fazer um chicote de cordas e expulsar-nos, Jesus nos dá uma nova chance. Ele espera que os nossos ouvidos estejam atentos ao que Ele tem falado dia após dia através de nossos pastores e o busquemos afim de uma mudança.

Creio que além da ira venha sobre Ele tristeza. Porque Deus tem um amor tão grande por nós que ver a qualquer um de nós distantes dele o entristece, e ver pessoas para quem ele tem ministrados continuamente, pessoas que frequentam a sua casa, pessoas que ele tem convidado a se envolver, a se entregar, insistindo em andar em seus próprios caminhos.

É como aconteceu com o povo de Israel em diversos momentos, um povo escolhido, um povo que conhecia a Deus de perto, que conhecia seu poder e conhecia sua vontade, mas este era um povo que vivia a escolher a si mesmos e os desejos de seus corações. E com a geração que deixou o Egito, Deus se irou de tal forma que não os permitiu chegar à terra prometida. Mas essas escolhas se repetiram diversas vezes e Deus se irava, mas entristecia o seu coração. Muitas vezes através dos profetas ele falou da destruição que cairia sobre o povo, mas Deus sempre falava de arrependimento.

Não é Seu prazer nos castigar. É claro que Deus é justo, o que plantamos colhemos, falhas merecem correções, mas Deus é misericordioso e Ele nos dá novas chances. Ele nos deu uma nova chance ontem, a qual já deixamos escorrer de nossos dedos, e Ele nos dá uma nova oportunidade hoje. A oportunidade de olhar para Ele, a oportunidade de conhecê-lo, de o entronizar, de o servirmos. É incrível o quanto Deus insiste em nós e acredita em nós. E Ele nos chama para um arrependimento.

O rei Davi teve um histórico terrível de erros dentro de sua casa, mas foi chamado de “homem segundo o coração de Deus”, porque Davi aproveitou as oportunidades que Deus lhe deu, e O pôs no trono de seu coração, Davi deixou que Deus reinasse em sua vida. Quando ele caia, cego por seus desejos, ele reconhecia e corria de volta para os caminhos e para os braços de Deus, e o Pai o aceitava, e Ele nos espera e nos aceita de volta.

Jesus tem estado em nosso meio, o que Ele tem encontrado? Verdadeiros adoradores ou novas versões daqueles mercadores? Desde que você chegou à casa de Deus quanta mudança houve em sua vida? Ou temos nos apegado demais aos nossos desejos e nos deixado dominar pelo egoismo? O Senhor quer encontrar corações quebrantados, pessoas transformadas em sua casa. A casa que Ele tanto ama.

Ariane Machado

terça-feira, 15 de março de 2016

Vida de oração

A oração é de vital importância para a vida com Cristo. A vida cristã não é uma vida de igreja, ou um relacionamento com as outras pessoas que têm uma vida de igreja, ser cristão não começa no congregar, no evangelizar, nem no falar sobre Deus. Ser cristão é ter Jesus como seu Salvador, crer nele e cultivar um relacionamento com Deus.

Deus não é um poder superior e distante, tirano com os humanos. Ele é o Criador que deseja estar com sua criação. O Criador que fez de nós seus amigos, filhos, noiva. Ele não é um substância poderosa, mas é uma pessoa. Um pessoa com sentimentos, pensamentos, e que deseja relacionamento, como todas as pessoas desejam.

Nunca foi o desejo de Deus estar distante da humanidade, mas desde o início, desde o primeiro casal Deus buscou ter intimidade com nós. E em toda nossa história Ele volta a nos chamar e insiste em estar conosco. E um dos meios disso é a oração. 

Orar não é somente fazer pedidos a Deus e agradecer pelos que Ele já realizou, não é um lugar de troca. A oração é o que nutre o nosso relacionamento com Deus e o faz crescer, aprofundar-se em raiz, e florescer em parecer com Jesus. O relacionamento que Ele deseja ter conosco crescerá na medida em que oramos.

A oração deve ser um momento de entrega, não uma conversa com um chefe ou alguém distante, procurando por palavras bonitas e nos distanciando de quem realmente somos e de Deus. A oração é uma conversa sincera, uma conversa que não vem do aprendizado de conceitos, mas da entrega de um coração. Entregando-o como ele está.

Às vezes, dizemos que não sabemos orar, por falhar diante da tentativa de orar como as pessoas que admiramos em nossa igrejas ou grande pregadores, baseando-nos na eloquência de orações públicas. Mas Deus não está interessado no quão vasto é o nosso vocabulário ou o quão bonito nós oramos, o interesse de Deus não está na aparência, se aparentamos ser cultos e muito menos formais, seu interesse está no nosso interior.

Deus deseja que nos derramemos diante dele em oração, que nossa oração seja uma adoração. Que apresentemos a Ele nosso coração, nossas alegrias, nossas dores, nossas conquistas e infelicidades. Que haja confiança em nossas palavras. Que o quão rápido corremos para contar nossa nova conquista à um amigo, corramos para Ele, Ele quer ser nosso amigo, e ele tem nos chamado dessa forma. Ele espera que como vamos aos nossos pais pedir ajuda, pessamos a Ele, como pedimos um conselho, pessamos a Ele, e o tenhamos como nosso Pai, assumindo a posição de filhos Seus. E que ansiemos em estar em sua presença e declarar nosso amor por Ele, como uma noiva, sua igreja.

Mesmo nos colocando em nossa lugar no relacionamento com Deus, às vezes, nada sai de nossos lábios, talvez por um coração aflito, ou apenas por falta de prática, mas Deus deseja que rendemos a Ele nosso coração, e mesmo no silêncio de nossa voz ele ouve o clamor e a entrega de nosso coração, através do Santo Espirito de Deus que intercede por nós e apresenta a Ele nossas necessidades.

A medida em q falamos mais com Deus, melhor falaremos com Deus, crescendo em intimidade. Ainda que hoje apenas balbuciemos pedido e um rápido e sem jeito louvor a Deus durante nossa oração, não nos envergonhemos, mas pela perseverança, alcançaremos novos níveis de intimidade com Deus, e conversar com Ele não será um desafio e muito menos gerado por uma falsa obrigação, mas um desejo ardente, talvez como a ansiedade de uma noiva por seu noivo, e natural como conversar como um amigo. Aprofundando nossa vida com Deus, através de uma vida de oração. 

Ariane Machado

segunda-feira, 7 de março de 2016

Reconstruídos por Deus

Somos feitura das poderosas mãos de Deus. Criados a partir do barro. Chegando ao final da criação, Deus pôs seus pés na terra, pôs as mãos no pó, com elas moldou a primeira vida humana, tal qual um oleiro molda o barro para fabricar seus vasos. A partir do pó da terra o fez, à sua imagem e semelhança. E da mesma matéria somos cada um de nós.

Não como cada uma outra de suas criações, não pelo som de sua voz, mas pelo toque de suas mãos. Na criação do homem não houve um “haja”, mas em seu lugar ouviu-se “façamos”. Não é fruto da palavra, mas da ação de Deus. Como um oleiro fez sua obra prima, sujando de barro as suas mãos, o moldou conforme o seu querer, conforme a sua imagem, conforme o seu caráter.

Mas a obra perfeita, a coroa da criação foi tocada, ela já não segue o molde de Deus. Destruídas pelo pecado, e voltando a pecar cada dia mais. A imagem de Cristo gravada na criação já não é vista tão fácil, nós mesmos por vezes não nos conhecemos assim. Os seres que deveriam revelar a natureza de Deus, tem se mostrado muitas vezes incapaz de se parecer com Ele. De revelar em suas atitudes o amor que Ele tem, de revelar o seu perdão, sua paciência, sua doçura, sua mansidão. A criatura já não se parece com seu Criador, e o que podemos fazer? O barro não corrige a si mesmo.

Às vezes, as pessoas retardam seu encontro com Cristo argumentando que precisam mudar, deixar a vida que levam pra então buscar Jesus. Mas em nós mesmo não há a mudança necessária para estar em Cristo e com Cristo. Somos incapazes disso. Não de mudar, mas de voltarmos a perfeição que Deus criou, e de ser, de alguma forma, dignos de ir à presença de Deus.

E diante dessa nossa limitação, Deus apresenta mais uma faceta de quem Ele é. Em Jeremias 18, Deus leva o profeta para ver o trabalho de um oleiro, e lhe diz que como o oleiro faz com o barro, ele pode fazer com o povo de Israel. E somos hoje o seu povo, e quem se achegar a Ele será parte do povo Dele. E a esse povo Ele pode restaurar. Com essa palavra dada a nós através de Jeremias, Deus quer estabelecer conosco uma relação de Oleiro e Vaso.

Nós, vasos, perdemos a aparência do molde que nos fez. Perdemos as características que nos foi dada na criação. Mas Deus pode nos refazer. Ele não desiste de nós por termos sido marcados pelo mundo, porque Ele nos ama. Ele é um Deus que tem em sua essência o amor. Ele é o próprio amor. E desde que Ele pôs suas mãos no barro para fazer o primeiro de nós, Ele tem um amor sem medidas para conosco.

Diante da relação Oleiro-Vaso, Deus nos mostra que Ele não nos castiga ou abandona por termos nos perdido na caminhada. Mas seu desejo é nos restaurar. Não apenas nos perdoar e salvar, mas fazer de nós novas criaturas. Quebrar o vaso imperfeito que somos e refazer-nos.

É um processo que pode ser muito doloroso, mas que com Deus podemos alcançar. Se tentarmos por nós mesmos mudar, na verdade nem saberemos onde chegar, sem ter Deus como modelo. Mas Ele quer fazer de nós novamente sua imagem. Ele quer forjar em nós o seu caráter. Foi gravado em nossa modelagem as características de Deus, e ele deseja que realmente o mostremos ao mundo.

O vaso perfeito criado no sexto dia da criação foi retorcido, perdeu o formato que o oleiro desenhou, e Ele nos quer restaurar. Mas existem pessoas apegadas demais a suas novas formas. Pessoas que até estão na igreja, que têm uma rotina de cultos e outros trabalhos da igreja, mas que não carregam a imagem de Deus. Carregam a imagem que lhe foi gravada na medida que os anos passaram, depois das magoas, das decepções, dos pecados, marcas que nos afastam da aparência de Cristo, mas marcas às quais muitas vezes temos nos apegado.

Para a restauração do vaso, o Oleiro precisa quebrá-lo, destruir o modelo imperfeito, para começar de novo. E precisamos estar dispostos a ser quebrados. Depois de tudo o que passamos e vivemos, parece impossível que sejamos amor em meio à tanta raiva, parece impossível que sejamos mansos diante de tanta grosseria, pacificadores em meio tantos conflitos, que desacreditamos que podemos realmente ter o caráter de Deus, então preferimos o conforto do que eu já conheço de mim, mesmo que tão diferente de Deus.

Mas Deus quer produzir mudança em nós, e essa mudança é real. Ele pode nos fazer outros. Novas criaturas que carregam consigo as características de Deus. Novas criaturas que são capazes de ser bons em meio a tanta maldade. Novas criaturas que conseguem viver o amor, e ser luz e sal da terra.

E se seguimos a Cristo, precisamos estar dispostos a andar na contra mão, a ser o que o mundo não tem sido, e que o mundo não espera de nós. Precisamos ser semelhantes ao nosso mestre, refeitos pelo oleiro. Com sua inexplicável graça, Deus nos aceita da forma que estamos, sujos e quebrados, e gera em nós a mudança. 

Ariane Machado

sexta-feira, 4 de março de 2016

Porque antes já recebemos


Estamos inseridos numa cultura na qual ganhamos a partir daquilo que oferecemos, seja em dinheiro, seja em agrados, “é dando que se recebe”. Conquistamos as pessoas com o que lhe entregamos de nós, e então recebemos, numa espécie de troca. Vivemos com intensidade as culturas de nossos meios sociais e parece que esquecemos que as regras que regem o mundo espiritual são diferentes.
Muitos têm deixado de ver os dízimos como uma devolução em gratidão daquilo que recebemos, e acham que é um argumento para o momento no qual queiramos cobrar uma dívida de Deus conosco, acreditando, erroneamente, que Deus nos deve algo, e que alguma coisa que vem dele possa ser comprado. Oferecendo canções pensando agradar a Deus, para receber dEle bênçãos. Quem sabe distorcendo as práticas da vida cristã para adaptar à sua vontade, ou talvez apenas vitimados de más interpretações.
O livramento a Paulo e Silas na prisão, por exemplo, servindo de argumento para mostrar que se louvarmos seremos atendidos. Paulo e Silas não cantaram a Deus como uma senha para que a cadeia se abrisse, eles estavam dispostos a permanecer ali se fosse a vontade de Deus, eles louvaram porque decidiram confiar em Deus, mesmo quando a situação lhes parecia pouco favorável. Eles louvaram em gratidão por tudo o que Deus já havia feito na vida deles, porque se tudo acabasse ali para eles, receber a salvação teria bastado, porque ser presos por causa do evangelho de Cristo já era em si recompensador, porque “Bem aventurados os que sofrerem perseguições por fazerem a vontade de Deus”.
No livro de Salmos, no capítulo 59, Davi relata a zombaria e ameaça que vinha sofrendo de seus inimigos, ele encerra o capítulo louvando ao Senhor, e ele diz: “Mas eu cantarei louvores à tua força, de manhã louvarei a tua fidelidade; pois tu és o meu alto refúgio, abrigo seguro nos tempos difíceis.” O louvor de Davi não é porque Deus o livrará, mas Pois Tu és o meu refúgio, não porque se louvarmos moveremos os céus e Deus virá até nós, e será nosso refugio e abrigo, mas porque Ele é. O louvor a Deus deve ser em gratidão, uma entrega de si, não na espera de algo.

A adoração é um momento de devolução, devolver com o que temos de melhor, daquilo que já recebemos. É entregar nossa vida em louvor a Deus porque temos uma vida, e foi Ele quem a deu. É agradecer, é retribuir um pouco do muito que recebemos diariamente, abundantemente, insistentemente.

Não há troca no reino de Deus. Podemos sim orar, clamar por algo de Deus, uma cura, uma bênção. Mas não se estabelece como um comércio, não podemos lhe oferecer louvor a fim de receber bênçãos. A adoração é a nossa escolha em ser grato, e louvar a Deus levando essa gratidão ao seu trono.

Na biblia tem exemplo de pessoas que entregaram algo de si a Deus sem sinceridade, e essas pessoas foram castigadas. A vida com Deus não é a simples obediência de regras, não é para seguirmos um manual e o agradaremos. Deus quer um relacionamento com o seu povo, uma relação afetiva, e ela se estabelece com amor, confiança, sinceridade. Não é apenas ofertar algo a Deus, o mais importante é que a própria vida seja ofertada, e assim haverá verdade em cada adoração posterior.

Na história da igreja primitiva vemos o relato de pessoas que vendiam suas propriedades em favor do reino, elas abriam mão de seu conforto para cooperar com a proclamação do reino de Deus, Deus não lhes pediu isso, mas eles decidiram adorá-lo também dessas maneira. Um casal decidiu também vender, mas pensaram ser possível negociar com Deus, sua oferta não foi uma adoração, mas uma compra mal sucedida. Deus sonda o nosso coração, Ele conhece as nossas intenções, Ele sabe quando há sinceridade.

A história de caim é um outro exemplo de uma oferta que foi simplesmente uma oferta, que não chegou ao trono de Deus como uma adoração de cheiro suave. Eu não sei o que faltou a caim, ou o que ele tencionava, mas seu sacrifício não agradou ao Senhor. Adorar não é fazer o que os outros crentes estão fazendo, não é ir pra igreja, cantar os louvores, levantar as mãos, ofertar e dizimar. Isso pode ser apenas uma rotina. A adoração é mais profunda. Ela é um relacionamento, ela é estabelecida pela confiança e gratidão a Deus, simplesmente porque acordamos hoje, porque o sol está brilhando lá fora, ou pela chuva que cai, porque temos uma família, amigos, emprego, ou até mesmo se não temos, mas confiamos na misericórdia de Deus.

Adorar a Deus é honrá-lo também, é exaltá-lo, entronizá-lo. É reconhecer quem Deus é, e sua glória e majestade, e o pôr em seu lugar, colocá-lo no centro de nossas vidas, no trono de nosso coração. 

Nada começa em nós, mas em Deus. Se o amamos, é porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19). E assim deve ser o nosso louvor, e se ele vier a nós com bênçãos, que o louvemos mais uma vez, entregando-lhe ainda mais gratidão.

Ariane Machado

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Somos mesmo alienados?

Por vezes, e talvez vezes frequentes demais, nós cristãos recebemos o rótulo de alienados. Mas pensa numa palavra que tem um monte de significados e sentidos, alguns são completamente descartáveis para a compreensão do que essas pessoas querem dizer. Entre os conceitos está demente, espero que não seja esse o sentido. Há também doido como significado, mas “a palavra da cruz é loucura para os que perecem” mesmo, não é?

Alienação tem sua origem no termo “alienus”, que significa algo que pertence a outra pessoa, a partir desse conceito, eu entendo que seja direcionado ao conhecimento. As pessoas entendem que nossa fé não é baseada em nossa produção de conhecimento, mas nos baseamos no que pertence a outra pessoa, o que outra pessoa nos apresenta como verdade, e aceitamos e seguimos. Me pergunto se quem acredita em qualquer outra coisa, independente da área - seja fé, estilo de vida, ou ideal -, pensou seus conceitos sozinho, um deles talvez, mas todos os outros que carregam a mesma bandeira certamente não. Porque os cristão são alienados e todos os outros não?

Pensando a respeito, não encontrei porque eles não se encaixam a essa ideia, mas entendi um pouco porque carregamos essa fama. Há relatos de que havia uma igreja clandestina nessa época, mas a igreja de quem há estudos, a igreja que acabou sendo a referência da igreja no passado, foi a igreja unificada pelo imperador Constantino em meados do século III. Igreja que mais tarde passou por grande reforma e separação porque alguns de seus costumes não eram ideais.

Entre eles, e o que mais explica o esteriótipo que recebemos, era a impossibilidade de os fiéis ler a bíblia, tudo o que sabiam era realmente o conhecimento pertencente a outra pessoa. A sabedoria estava nas mão do clero, os membro da igreja podiam facilmente ser chamados de alienados, pois eram ignorantes a repeito daquilo que seguiam.

Mas porque a igreja do século XXI ainda sustenta esse rótulo? Creio que a resposta passa por mais uma questão histórica, que fez do Brasil, um país cristão ou cristão católico, para ser mais específica, e assim também a maioria dos países ocidentais, nossas famílias são tradicionalmente cristãs, mesmo que muitos nunca tenham ido à um culto, e daí pessoas que se dizem cristãs continuam a não ter o conhecimento sobre o que dizem ser.

Porém, mesmo diante de pessoas que realmente vão sempre à igreja volta e meia surge a acusação de que somos alienados. Abrindo mão de toda a parte histórica somos um pouco culpados sim, creio que não em totalidade, mas muitos vivem sim doutrinas sobre as quais não tem a menor propriedade para explicar, da qual nada sabe.

Deus realmente fala em sua palavra que há coisas que não nos seriam reveladas, coisas que permaneceriam um mistério, mas isso não faz da ciência um inimigo da religião, por exemplo. A bíblia seria indescritivelmente gigante se descrevesse tudo o que nos é possível saber, mas em vez de nos dar todas as respostas, Deus nos dotou de um intelecto surpreendente, e há quem se dedique a entender a física, outros à química, medicina e outras ciências.

Descobrir que há ondas gravitacionais no espaço de forma alguma diminui a grandeza de Deus ou deve diminuir a nossa fé. O universo nos foi dado para ser explorado, conhecê-lo é conhecer mais a respeito de seu Criador, sobre sua criatividade e esplendor, perceber como Ele pensou em cada detalhe, como Ele é grande e poderoso. Podemos e devemos sim ter conhecimento, se não fosse assim Deus não nos capacitaria com esse atributo.

Uma vez perguntaram-me se nos era proibido questionar. Entendo que há duas formas de fazer isso, uma é duvidar da bíblia, e creio que se o fazemos a nossa fé está num momento bem turbulento, aceitar que o conhecimento é de Deus não anula a sua palavra de forma alguma. Duvidar de sua veracidade não é bom, se isso está acontecendo, precisa buscar mais a Deus e o aconselhamento de um líder.

Mas podemos sim questionar, caso contrário seremos mesmo alienados. Lucas fala de uma igreja que após ouvir os ensinamentos do apóstolo Paulo estudava as escrituras para testificar se o que lhes foi pregado é a verdade (Atos 17). E assim deve ser em vez de aceitamos tudo que nos é lançado e crescer com bases nos outros, ou seremos realmente alienados, e não teremos as bases necessárias para crescer em Cristo. Precisamos questionar o que nos é pregado e até mesmo o que entendemos do que lemos, nos aprofundar na leitura da palavra de Deus, para estarmos alicerçados no que cremos.

Ainda mais importante do que a ciência ou do que sermos bons leitores e estudantes, nos importa ter um relacionamento com Deus. E esse é o desejo do Senhor, Ele quer se fazer conhecido. Conhecido ao mundo através de nós, mas antes disso, conhecido por nós, filhos Seus. Buscando comunhão com Ele, conversando com o Pai, nos entregando a Ele, e nos enchendo de Seu Santo Espírito. E com o auxílio do Espirito Santo renovaremos nossa intimidade com Deus, e teremos a compreensão de sua palavra.

Que deixemos de aceitar o que o mundo diz sobre nós, mas avancemos em conhecer o Pai e sermos quem Ele quer que sejamos.
“O que peço a Deus é que o amor de vocês cresça cada vez mais e que tenham sabedoria e um entendimento completo.” (Filipenses 1:9)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Diante do silêncio de Deus

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem” (Hebreu 11:1), ela certamente é um dos pilares de nossa vida cristã, somos por vezes chamados de pessoas de fé. Mas nossa fé tem sido realmente firme? E ela existe mesmo quando não vemos nada onde a apoiarmos? Certa vez ouvi que escolhemos servir a Deus mesmo sem provas científicas de sua existência por causa desta palavrinha, a fé. E se não tivessem incertezas e dúvidas ela não se faria necessária na vida com Deus. Mas e após a conversão? Mais do que crer na existência de Deus, precisamos crer em suas promessas. Crer que Ele está conosco, que Ele nos suporta e que podemos confiar, mesmo em meio a tantas aflições do dia-a-dia da vida com Ele.

No livro Decepcionado com Deus do escritor Philip Yancey, ele destaca a existência de dois tipos de fé. A fé da fidelidade e a fé ingênua. Eu tenho uma preocupação com músicas que insistem na cura, na resposta, no socorro, no sobrenatural de Deus, não que eu não creia nessas coisas, na verdade creio sim, e em muito mais. Mas pertuba-me pensar que essas letras estejam cultivando cristãos que acreditam que esse agir de Deus é uma regra. Pessoas que acreditam firmemente que basta que peçamos algo a Deus e Ele nos dará, que muito provavelmente como filhos de Deus o mal não virá sobre nós, mas se vier, com um clamor, ou um louvor, a tempestade se dissolverá.

Quero deixar claro que Deus cura sim, Deus liberta sim, Deus responde sim, mas sei que, às vezes, as respostas são negativas, ou ainda mais distantes do que a ingenuidade de alguns espera, às vezes, há silêncio. E estar em meio ao silêncio de Deus não significa que você é menos crente do que aquele que recebeu uma resposta. Jó não só não foi menos crente que seus amigos, como foi participante de um teste entre Deus e o Diabo. Jó era temente, obediente, fiel a Deus, e sua fé também foi fiel. Ele foi testado de forma tremenda, mas por muito tempo, tudo o que Jó encontrou em Deus foi silêncio. Nenhuma fala mansa, nenhum trovão, nenhum sinal, Jó poderia até mesmo dizer que foi abandonado por Deus, mas ele tinha fé.

E quanto a nós? Quando o céu se cala, quando a cura não vem, as respostas não são ouvidas, há fidelidade em nós? Ou nos tornamos revoltosos, decepcionados, irados com Deus por seu silêncio? Talvez estejamos sendo e gerando crentes que se apoiam apenas em vistas, que crêem apenas em meio as respostas. Pessoas de fé imatura e preguiçosa, que está presa ao que está ao alcance e se vê. Penso no que seria a igreja no Brasil se tivéssemos proibições e mais proibições, perseguições e mais perseguições a quem carrega o nome de Cristo, quantos mais levariam esse nome se não víssemos a liberdade tão de perto, se tudo a nossa volta parecesse contrária a nossa fé. 

Quando nada em nossa volta evidencia a presença de Deus, as circunstâncias não são nada favoráveis à fé, tudo está escuro, nem uma fagulha de luz, nenhum sinal da mão divina, nenhum consolo, nenhuma resposta, quando o silêncio é tudo o que vem de Deus, o que vem de nós ainda assim deve ser a fé. A nossa fé não deve ser baseada em evidências. Na verdade deve se aprofundar e crescer à medida em que as respostas não são ouvidas. Nas situações em que nossa fé é provada, precisamos confiar ainda mais em Deus, crer ainda mais em Deus, nos firmar ainda mais em Deus.

“Bem aventurados os que não viram e creram” (João 20:29b). Feliz os que não viram e creram. Bem aventurado cada um de nós que não vimos Jesus em forma humana, que não tocamos em suas feridas de cruz e ainda assim cremos. Feliz também dos que permanecem nele sem ver evidências de sua presença e de sua força, de seu consolo e conforto. Feliz serão estes que resistirem frente a dor, diante da prisão, em meio ao que nos parece abandono. O próprio Cristo sentiu-se assim, foi de sua boca que se ouviu “Pai, porque me abandonaste?”, mas mesmo naquele momento ele sabia que o socorro viria, a Ele demoraram três dias para que o socorro retornasse, e a glória de Deus fosse novamente vista. A glória a Jó também foi devolvida, junto com sua família. Somente precisamos resistir e continuar a crer, passando por cima de toda mostra do contrário .

Ser fiel e continuar a confiar em Deus nos fará crescer nEle. O rabino Abraham Heschel afirmou “Uma fé como a de Jó não pode ser sacudida porque é o resultado de ter sido sacudida”, porém uma fé que vive num mar de rosas, em conformidade plena com a sua própria vontade e necessidades sente-se traído, abandonado frente ao silêncio de Deus e deixa-se levar pelos questionamentos que surgirão. Há períodos sim, em que somos mimados por Deus, mas precisamos estar firmes diante da névoa que nos impedirá, em alguns momentos, de ver e ouvir a resposta de Deus. Precisamos resistir a essas sacudidas, por mais fortes que sejam, e crescer nestes momentos.

Falo sobre a necessidade de termos uma fé firme e fiel em Deus, não como uma condição para a salvação, mas para o crescimento em nossa caminhada com Cristo, nos alicerçando nEle para resistir às intempéries da vida, para continuar firmes até que Ele venha. Mas independente do quão forte é nossa fé, e quanto de dificuldade ela já tenha enfrentado, o importante mesmo é que depositemos-na em Jesus, crendo que Ele é o nosso Salvador, nosso Redentor e nosso Tudo. E que dediquemos nossas vidas para o servir e o adorar.

Encerro com essa pergunta que nos fez Jesus, “Mas, quando o Filho do Homem vier, será que vai encontrar fé na terra?” (Lucas 18:8b). Esforcemo-nos, mesmo em meio às sacudidas da vida, para que no fim, tenhamos persistido, e em nós se ache fé, amor e esperança.

Ariane Machado