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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Não escolha ser órfão




Há algum tempo eu trouxe uma música do Estevão Queiroga, exaltando o amor de Deus. Mas não foi o bastante para que eu parasse de refletir a respeito dessa música. E me lembrei que toda situação tem dois lados, mesmo quando podemos ver o amor maravilhoso de Deus, há o alvo do amor, capaz de ter uma postura completamente avessa.

“Quando o pai se senta pra brincar com o filho”



Eu ouvi essa música incontáveis vezes, e só conseguia ver esse amor maravilhoso do Pai que se dedica em amor e atenção ao seu filho. Mas, e quando o filho não se senta ao lado de seu pai, para compartilhar nesse momento e sentimento?

Me surpreendi ao me ver nessa situação. Não tenho uma clara e real memória disso, mas por terem me contado, sei que eu era essa filha que se nega a sentar-se com seu pai, e aproveitar dessa construção de amor.

Eu era nova, uma criança com seus, talvez, dois anos de idade. Meu pai tentava chamar a minha atenção, conquistar-me para perto dele, mas eu me afastava, preferia brincar sozinha, a estar com ele. E eu tinha ali um pai, se dedicando, demonstrando amor, mas era uma criança, com o coração (por alguma razão) endurecido com relação ao meu pai.

E assim é o ser humano, e a razão é conhecida por todos, tem por nome pecado. O pecado transformou crianças puras e inocentes, em corações endurecidos, desconfiados, capazes de rejeitar o amor. Deus pai, desde a criação busca sentar-se com seus filhos. Adão, com a inocência de um coração puro, teve o privilégio de passar suas tardes com o seu Pai, caminhar com ele, conversar com ele, compartilhar do amor dele.

Mas o pecado nos rasgou a relação. Da mesma maneira que eu rejeitava o meu pai, um adolescente muitas vezes rejeita o conselho ou o carinho do pai, um jovem exige que seu pai “não se meta em sua vida”, e geração após geração, o homem se nega a sentar-se com o Pai celestial.

Deus nos chama para perto, ele nos busca. Ele nos dá noite após noite, um espetáculo de lindas e reluzentes estrelas e nos chama a prestar atenção, a calarmos e vermos o seu cuidado, mas nos negamos a dar-lhe a devida atenção. Ele nos dá relacionamentos com nossas familias e amigos e diz que é apenas uma amostra do que podemos ter com ele, mas o ignoramos mais uma vez. E até mesmo quando vamos à igreja, ele nos acompanha até lá, senta-se para nos ouvir, mas nos distraímos durante o louvor preocupados com o baterista que errou o ritmo, ou o cantor que falhou quando subiu demais numa nota.

Quando o pai se senta pra brincar com o filho, ele nos convida a sentar-se com ele, e aproveitar do derramamento do seu grandioso amor. Não continue a rejeitar o seu pai, e não escolha ser órfão quando há um Pai cheio de amor esperando por você. Sente-se com o nosso Pai, e o conheça, o sinta, o ame de volta.

Ariane Machado

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Um Rei ao nosso lado



"Quando o pai se senta pra brincar com o filho
Quando o rei se curva pra beijar o servo
Quando o autor se põe no próprio livro
Só pra morrer ali e por alguém mudar o fim

Quando a herança fica para o escravo
Quando é esquecida a dívida do pobre
Quando o troféu reluz e dá seu brilho
Às mãos do que perdeu, mas recebeu do que venceu

É disso que eu falo quando canto
E quando escrevo sobre o amor
É nisso que eu penso quando vejo
E quando sinto esse amor"

É isso que se lê nas palavras de Paulo aos Romanos “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” Ainda longe se sermos filhos e até mesmo servos, Cristo veio fazer parte da história para morrer por um simples ‘alguém’, como fala o compositor. Nós escravos, fomos acrescentados ao testamento do dono de absolutamente tudo, de toda a terra, de cada animal e toda riqueza. Pobres que já haviam perdido suas vidas em garantia de uma dívida que nunca poderia ser paga por nós, nos vimos livres da dívida que foi quitada pela vida de outro, uma dívida esquecida.

E se não bastasse toda essa inversão, e ir de encontro a todos os exemplos de amor já mostrados, revelando um amor perfeito, maior do que toda prova já dada, ‘o rei se curva para beijar o servo’ – canta Estevão. E eu costumo imaginar que quando nos entregamos a Deus em louvor, ou em oração, como diz o salmista, Deus se inclina para nos ouvir (Salmos 40). Talvez ele pare toda e qualquer agitação no céu, ou ele pare até o tempo, e dedica atenção para nós, que nada merecemos.

E feitos filhos, por meio de Jesus, Deus realmente se torna nosso Pai. Não um nome no registro de cada novo cristão, mas um Pai particular de cada um de nós, um Pai que nos conhece de perto, no íntimo, e que deseja ser conhecido. Um Pai que dedica tempo a suas crianças, e cuida e as ama de perto.

A letra desta canção revela o amor do evangelho, o amor através do qual o Deus Filho veio morrer por nós, e o qual veio manifestar. Não somos criaturas maravilhosas que mereceram ser amadas por Deus, mas em lugar disso, éramos os mais miseráveis, indignos do troféu, do perdão, da herança e até mesmo do amor. Perdidos e condenados, para quem já não se via esperança. Mas ainda assim, amados pelo próprio amor.

E "quando os galhos dão sua sombra ao machado", e Cristo vem salvar aqueles mesmos que o matariam, e pelos quais morreria. Isso é um amor maravilhoso e tremendo, que se distancia de todos os conceitos.

"É isso que me explica
Me intriga
À entrega desse amor"

Ariane Machado