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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Existe um lugar...




Existe um lugar que é o melhor lugar entre todos os lugares
Não falo sobre estar na frente de uma câmera
Não falo de estar "me apresentando" na igreja
Não falo de estar no altar
Falo desse lugar de intimidade
Mesmo que na frente de todos
Esse lugar é só nosso
E de mais ninguém
Mesmo que compartilhado com outros
Ainda é só nosso
Meu
E de Deus
Onde o meu coração é completamente dele
Ah, e os meus braços são dele
As minhas pernas movem por ele
O meu olhar não está em lugar nenhum além dele
O meu sorriso é o maior dos sorrisos, pois é para Ele
Os meus pensamentos não vão a lugar algum,
Estão com ele
E até mesmo o meu respirar
Entrego a ele
E fico sem fôlego em sua presença
Mas ele mesmo me renova
Pois eu sou dEle
E ele é meu
E este lugar é qualquer lugar
Desde que eu esteja com Ele
Louvando a Ele
Exaltando Ele
Dançando para ele.
Um lugar de adoração
Um lugar de entrega
Um lugar de amor
E por amor eu danço pra ele
E com Ele
Mas porque ele primeiro me amou
E me deu vida
A vida que vivo pra ele.


Ariane Machado


sábado, 4 de janeiro de 2020

Alegrem-se sempre!



Para os hebreus, o nome de Deus era impronunciável, tal o temor e a distância que deveria ter do Glorioso Deus. Entrar no Santo dos Santos era digno de morte, não pelo homem, mas o próprio Deus sentenciava a pena. Mas um novo tempo foi instaurado, o acesso foi-nos dado, e podemos chama-lo de Amigo. 

Jesus conquista e garante isso para nós, mas ainda assim, muitos de nós escolhemos nos manter distantes. E os motivos são diversos. 

Há quem valorize os cultos, mas fora do ambiente da igreja não existe a menor comunhão, há quem não valorize coisa alguma, basta ter levantado a mão num domingo à noite há sei lá quanto tempo. Há os que escolhem orar, mas tem uma dificuldade tão grande, que suas orações não parecem uma conversar com seu Amigo e Salvador, mas com alguém de 500 anos atrás com uma linguagem super rebuscada e distante, tentando impressionar Deus com o que não é. Ou ora, e sabe muito bem usar as palavras, mas faz de suas orações momentos apenas de lamentação, e se a vida vai bem, acabou-se a comunhão. 

Venho lembra-los de que a oração é um momento de comunhão, um momento de alegria. Poder ter acesso a Deus é uma conquista, não nossa, mas um presente conquistado na cruz e que foi posto em nossas mãos e negligenciamos diariamente. 

Falar com Deus é um momento de encontro com nosso melhor amigo! É melhor do que o encontro pós-jogo para resenhar sobre cada lance, o que sabemos fazer tão bem. É melhor do que o encontro pós-culto que planejamos e ansiamos e sabemos que vai ser muito bom. É melhor do que aquele encontrão com os amigos que você não vê há 1 ou 5 anos. 

É um encontro com Deus! Nosso Senhor, sim, mas também nosso amigo! Olha o que você tem! Olha com quem você está falando! Ou com quem pode estar falando... É uma dadiva! Um presente! Um presente de Deus para nós, precisamos dar valor. 

Não guardando em uma caixinha para que não se quebre a qual apenas olhamos de longe, ou guardamos no fundo de uma gaveta com todo o cuidado. É um presente daqueles que abrimos cheios de ansiedade e usamos da primeira oportunidade, e deixa eu te contar, a oportunidade é hoje, é agora. É amanhã de novo, mas o agora ainda é a melhor oportunidade. Mas com alegria, como quem sabe o valor daquele momento. 

Alegrem-se sempre e orem continuadamente. (I Tessalonicenses 5:16, 17), não é à toa que Paulo põe os dois conselhos juntos. 

É claro que não excluo o arrependimento, as dores, os pedidos da oração. Mas não é apenas isso. A oração também é um lugar de alegria sim! 

Alegrem-se no Senhor! (Filipenses 4:4)

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Um nascimento sacrificial

O sacrifício de Jesus pela salvação da humanidade não se inicia na cruz, nem mesmo em sua prisão no Getsêmani, ou na angustiante oração sozinho que travou pouco antes da prisão. O episódio da ultima ceia, certamente carregou em si a dor da despedida, acompanhada da ansiedade pelo que haveria de vir, que Cristo já antevia. Tão pouco começou três anos antes, com o início de seu ministério e seus 40 dias de fome e sede no deserto.

"No princípio era o Verbo, [...] e o Verbo era Deus", se sua vida não iniciou em sua humanidade, o seu conhecer também antecede tal período, ao longo de sua existência Jesus tinha conhecimento do que haveria de suportar em carne por amor à humanidade, mas sem experimentar. Sem um corpo físico ou nossas emoções imperfeitas e conflitantes.

Mas então, ele nasceu. Grande alegria sobre toda a terra, a noite mais aguardada pelos céus e pela terra chegou! A estrela brilhou e indicou o caminho, os magos viajaram para o adorar, os pastores, os anjos, o ancião Simeão, e quem quer que estivesse atento soube, o grande dia chegou! A libertação para Israel chegou! Um novo tempo foi instaurado! Para Herodes era uma ameaça, ora, um novo Rei nasceu! E para Jesus...

Bom, era um novo tempo também para ele. Aquele a quem "pertence o mundo e tudo o que nele existe", que tem todo o poder, agora chorava na tentativa de informar à sua mãe que tinha fome, uma nova sensação que nunca experimentara, uma incapacidade que lhe privava de falar, pegar os objetos com segurança, levantar e andar em suas próprias pernas, que roubava-lhe toda a autonomia, mesmo tendo ainda todo o poder ao alcance de suas mãos

A humanidade é a imagem e semelhança de Deus e fruto do seu amor, mas submeter-se a viver sendo como sua criação é descrito por Paulo como humilhação. Jesus se humilhou, Jesus se limitou, se privou, se submeteu a dores e dificuldades, que sua natureza divina nunca lhe permitira sentir.

A vida de Jesus não foi um conto de fadas até chegar aos históricos, grandiosos e imponentes dias de sua morte e ressurreição. Jesus veio ao mundo colocando-se numa sociedade dominada pelo império romano, que sofria com os abusos de Roma, passando por dificuldade financeiras, e não na capital, mas numa cidade pequena e pobre. Uma cidade com problemas de abastecimento de água, numa época sem metade das comodidades a que temos acesso. Mas ele experimentou das mesmas aflições pelas quais passamos ao longo da vida.

O simples nascimento foi um expressão de amor, mas como a bíblia declara o amor é sofredor, mesmo o perfeito amor é acompanhado de sofrimento. A noite que hoje comemoramos com luzinhas, as mais fartas comidas, as pessoas mais amadas, e regada de presentes, em sua versão original foi desconhecida para a quase todos, num ambiente que não foi preparado para tal, sob a companhia de animais, rejeitado desde já pelo dono da pousada que não recebeu seus pais Maria e José, e já caçado pelo Rei Herodes.

O início do sofrimento de Jesus é marcado pelo inicio de sua vida humana, mas acompanhado da melhor revelação de Deus, a manifestação da graça, da verdade e principalmente do Amor de Deus. Estava se cumprindo seu plano perfeito.

Ariane Machado

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Por um olhar



Estava pensando sobre a criação, Deus não criou o homem antes de tudo, mas depois que o céu azul já estava estabelecido sobre a terra, e as árvores, grandes ou pequenas, floridas ou cheias de frutos já tomavam seu lugar em todo o horizonte, e os animais cheio de cores, formas e costumes diferentes, se exibiam pomposos por toda parte e só então, pôs o homem no meio de tudo isso.

Em comparação, temos à nossa volta um trânsito louco, cheio de gente correndo, xingando quando alguém passa cortando, a fumaça da indústria enegrecendo o céu azul da criação.

Por resultado há suicídios, depressão, ansiedade, stress, loucura, a loucura da alma que adoece, adoece ao olhar para fora de si e ver a doença do mundo.

Ah, o jardim do Éden, fotografia da perfeição, a paisagem de total antítese com o mundo de hoje. Deus criou um paraíso à nossa volta, para que o paraíso se estendesse em nosso ser.

“Os olhos são a janela de nossa alma”, Deus já sabia disso, afinal o que há que ele não saiba? E porque Ele sabia que olhar para a criação, a revelação de si mesmo, nos faria melhor do que o mundo é capaz de nos tornar, ele nos envolveu com a sua glória, não com luz, poder e grandeza, mas aquilo que precisávamos ter em nosso ser, doçura, beleza, nobreza e paz.

Mas, mesmo hoje em meio a todo recurso causador de males, ainda há uma noite estrelada, a cada anoitecer, para apaziguar as tristezas da alma, aproximar-nos do autor da nossa paz. E em cada litoral, há um céu que se encontra com o mar, em sincronia e infinitude, desfazendo cada nó que envolve a nossa alma, ou na complexidade das relações, mas que podem nos lembrar ainda sobre o amor e fidelidade, ou o laço e o carinho.

As sutilezas na criação e no cuidado de Deus a nós, já são suficientes para nos pegar no colo, arrastar-nos para longe do que o nossos olhos estão tão acostumados a ver, e então sarar as nossas feridas, recuperando em nós a nossa própria humanidade roubada pela podridão estampada ao alcance dos nossos olhos.

Mas os olhos que vêem numa janela voltada para os céus, ah, esse tem uma alma continuamente resgatada de volta para Deus.

Ariane Machado

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Por trás das nuvens



Em dias nublados, quando não conseguimos ver o sol por detrás das nuvens, e logo vem o anseio por ter de novo o calor do sol em nossa pele, e o frescor do dia limpo, além da saudade do lindo céu azul, algo em mim destoa do clima pesado das nuvens, muitas vezes carregadas, diferente da previsão que nos direciona a uma tempestade.
Sempre que o sol se esconde e ameaça nos desanimar, um sopro de esperança e amor recai sobre mim, inundando o meu coração. Quando eu não vejo o sol, eu o ouço dizer “Eu ainda estou aqui”, afinal, ainda conseguimos ver à nossa volta sem o auxílio de uma lâmpada, sinal de que a nossa grande estrela permanece ali, de alguma forma presente. Temos também a sua temperatura, ainda que diminuindo, não congelamos porque o sol permanece em algum lugar a “pouca” distância de nós.
E ter essa certeza, me leva a outra maravilhosa certeza, a certeza forte em meu coração de que o Criador do grandioso sol também está aqui, na verdade mais pertinho do que o tão presente sol. Semelhantemente longe de nossos olhos, por hora encoberto da vista dos homens.
Mas se a luz do sol muda a nossa visão, a discreta presença divina faz o mesmo, iluminando o nosso caminho, clareando as nossas vidas, e se o calor do sol nos mantém vivos, o calor do Criador enche-nos de alegria e esperança. Como a esperança de voltar a ver o sol e sentir o seu doce calor aquecendo a nossa pele, Cristo nos dá a esperança de vê-lo, vê-lo em grande glória nos buscando, vê-lo e tê-lo perto por toda a eternidade.
Um livro infantil diz “Em um dia nublado, se houvesse algo que eu pudesse fazer, eu voaria para o céu e traria a luz do sol para você, eu colocaria num pote os raios que brilham e aquecem intensamente. Assim na grande tempestade, você descansaria confortavelmente”, eu ouso sugerir colocar Deus num potinho chamado coração, e assim todos os dias serão aquecidos, afinal, Ele prometeu estar conosco todos os dias até o fim (Mateus 28:20), até mesmo nos dias chuvosos.

Ariane Machado

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Repouso para os cansados

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu lhes darei descanso” (Mateus 11:28) são algumas das palavras de Cristo, e eu ousaria apostar que quando você a reproduz, direciona a alguém que julga como cansado e sobrecarregado, provavelmente alguém de dores, opressão, perseguição, gente sofrida, gente sem Deus, sem o Jesus que dá descanso, sem o Jesus do jugo leve e mansidão.

Esquecemos, no entanto, que o público alvo da bíblia não são as pessoas que cabem em toda a descrição acima, a bíblia foi compilada para mim e para você, servos do Deus vivo. Até porque os ímpios dificilmente se atentam para estas palavras, e quando o fazem, pouco entende.

Então lhe convido a ouvir essas palavras de Cristo por um novo ângulo, elas não são para os cativos, os desesperançosos, angustiados e perdidos, elas são para um povo específico, um povo escolhido, nós. E um novo convite se revela.

Jesus nos convida para a verdade, nos convida para o seu caminho, para uma nova adoração, para uma paz diferente, para mandamentos resumidos e talvez mais complexos. Mas neste texto, Jesus convida aqueles que já estão com Jesus, andam com Jesus, ouvem a Jesus, a ir a Jesus. O que ele queria com isso?

O nosso Cristo está nos dizendo que mesmo que estejamos frequentes numa igreja, dizimando, participando, servindo, cooperando, precisamos ir a ele. Simplesmente “venha a mim”.

Porque na verdade é muito bom congregar, mas ele nunca nos chamou para uma igreja, ele nos chama para Ele. Ele nunca nos convidou para dirigir cultos, cantar, dançar na igreja, ele nos convida a nos achegarmos a Ele.

Não estou diminuindo o serviço, mas que o meu serviço seja um caminho para encontrar Jesus. Que quando eu cantar, não seja uma tarefa a cumprir, mas uma maneira de me achegar ao meu Salvador, e quando eu dançar não seja porque é a minha função na igreja, mas porque é uma maneira de entrar em seu lugar de adoração, de entrar em sua presença.

Afinal de contas, desde Adão, o nosso Deus vem a nós a procura de relacionamento, Ele sempre quis mais do que uma oferta queimada (como em Caim), ele queria sinceridade de coração, ele quis mais do que a fé de Abraão, ele queria confiança, porque obedecer é melhor do que sacrificar, porque por séculos de história o nosso Deus nos quer como filhos ou como noiva. Jesus quer relacionamento. Ele nos quer em sua presença, em seus braços .

E todo aquele cansaço e carga das programações e horários, responsabilidades, pessoas e eventos se dissolverão nEle, porque ele nos dará descanso.

Ariane Machado

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Me concede uma dança?


Dançar para Deus é um momento ímpar. Concentrar cada movimento seu para a adoração a Deus, a música que saí da sua garganta, o movimento dos braços e mãos exaltando Ele, as passadas e impulsos com os pés, a leveza revelada em cada movimento, e até o pulsar do coração que se acelera à medida em que nos movemos, rodamos, pulamos ou corremos é incrível.

A dança se revela como uma linda forma de adoração. Onde há completa entrega, de cada parte de si.

Porém, melhor do que dançar para Ele, é dançar com Ele. Imagine o Dono do Universo se inclinando para ti e lhe convidando a bailar contigo. As mãos que pintaram o pôr do sol, estão agora em tuas mãos, e lhe envolvendo em seus braços. Os olhos que conhece com exatidão o brilho das estrelas, agora te olham nos olhos. Face a face com o Rei da Glória.

Como Deus se inclina para ouvir o nosso clamor, creio que dedica o mesmo interesse para os nossos momentos de adoração, ele se inclina com atenção para ouvir o nosso louvor, e aprecia com fascínio a nossa arte dedicada a Ele.

Mas muito mais do que olhar para nós, ele quer estar conosco. Deus não nos fez para nos admirar lá do céu. Deus anseia por relacionamento, Deus deseja estar conosco, Ele quer que alcancemos a sua presença, Ele quer nos receber nos mais altos céus, e nos acolher em seu palácio, talvez até na sala do trono, e bailar conosco enquanto os anjos cantam em seu louvor.

Ora, como dançar com Deus enquanto sua presença é apenas espiritual? Um dos sentimentos mais claros que eu encontro na dança é a felicidade, cada movimento, cada rodopio que dou, eu me sinto feliz, e estar em Deus é isso, é ter a nossa felicidade dependente dEle, saber que Ele proverá a nossa felicidade, e nossa boca não a conterá, e se derramará em sorrisos, transbordando até mesmo no olhar.

Antes de a felicidade chegar, porém, precisamos nos derramar em amor, um pouco de amor pela música talvez, mas com certeza, amor por aquele a quem adoramos. Precisamos amar aquele a quem dedicamos o nosso louvor, ou não passará de uma música vazia, ou uma dança sem alma. A nossa adoração precisa ser iniciada por amor, desenvolvida em amor, e continuada porque à medida que amamos, Ele nos ama de volta, e a nossa única resposta possível é dedicar-lhe mais amor, e somos invadidos por ainda mais amor vindo dos céus, e assim progredimos para a eternidade.

E como regra de qualquer dança, seja a valsa, tango ou forró, você precisa confiar no par. E quem é o nosso par nessa dança de adoração senão o mesmo alvo deste louvor? E como não confiar naquele que tem os céus e a terra sobre o seu domínio?

Então vamos entregar-nos em louvor e amor ao nosso Deus, confiando a Ele o nosso corpo, nosso espírito e nosso coração, e nos alegrarmos em sua presença, louvando a Ele com cada parte de nosso ser e dançar nos braços do Pai da criação.

Ariane Machado


terça-feira, 2 de maio de 2017

Encontrando o Autor



De todas as belezas criadas por Deus, a que mais me encanta e me leva a todas as noites busca-la, é o céu negro coroado de estrelas. Mas em cada noite, e a cada estrela eu peço ao Senhor que elas me direcionem a Ele. E em mais um desses pedidos, eu pude entender algo que o Senhor sussurrava a mim, insistentemente.

“Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas”


Eu clamava “que olhar as estrelas me levem a ver o seu Criador, Senhor” e clamor crescia para “que olhar cada criação me leve a ver o Criador, Senhor” e conclui olhando para o homem.

“Que ao olhar para o homem, eu encontre a Ti, Criador, na beleza da criação, na complexidade do sistema nervoso, em cada toque do seu amor. E na bondade de quem, com amor, oferece um abraço, um carinho. Mas que eu também consiga notar a sua ausência num rosto sem paz ou alegria, num coração sem amor.”

O versículo escrito por Paulo faz de Cristo o motivo, a razão, o alvo, certamente, o foco. Nada mais importa que vejamos, por que Jesus é o foco. E entendendo isso, eu posso olhar para uma criança que brinca feliz e encontrar Jesus nela, a alegria que vem dos céus, a leveza e inocência da infância que tanto tem a ver com o Reino de Deus. Posso olhar para um casal apaixonado e ver o amor, que procede do próprio Amor, ou a compaixão do Pai em um olhar, sorriso ou abraço.

Mas posso também não encontrar a leveza em um coração amargurado, e como pessoas que têm Jesus como Centro, responsabilizar-nos por fazer Cristo ser achado também nesse coração. E ainda no que é acompanhado por tristezas, dores e vícios.

Se tudo vem dEle e para Ele é, eu entendo que aquele que destoa desta “regra” não alegra o coração de Deus, e se para isso fomos criados, não alegra também ao de quem se esquiva desta equação. E não posso, portanto, ser egoísta ao ponto de não me esforçar e, nem ao menos, importar-me em fazer Cristo conhecido por esses.

Preciso, por certo, apresentar o foco para aquele que anda perdido e gritar “Ei, você sem amor, eis aqui o Amor”, “E você sem esperança, eis a Esperança para você”. E, incansavelmente, ter Deus como centro de nossas vidas, encontrá-lo em todo tempo, e levá-lo aos que não o receberam. Zelando para que tudo seja porque dele, por Ele e para Ele, a começar pela minha própria vida.

Ariane Machado

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Não escolha ser órfão




Há algum tempo eu trouxe uma música do Estevão Queiroga, exaltando o amor de Deus. Mas não foi o bastante para que eu parasse de refletir a respeito dessa música. E me lembrei que toda situação tem dois lados, mesmo quando podemos ver o amor maravilhoso de Deus, há o alvo do amor, capaz de ter uma postura completamente avessa.

“Quando o pai se senta pra brincar com o filho”



Eu ouvi essa música incontáveis vezes, e só conseguia ver esse amor maravilhoso do Pai que se dedica em amor e atenção ao seu filho. Mas, e quando o filho não se senta ao lado de seu pai, para compartilhar nesse momento e sentimento?

Me surpreendi ao me ver nessa situação. Não tenho uma clara e real memória disso, mas por terem me contado, sei que eu era essa filha que se nega a sentar-se com seu pai, e aproveitar dessa construção de amor.

Eu era nova, uma criança com seus, talvez, dois anos de idade. Meu pai tentava chamar a minha atenção, conquistar-me para perto dele, mas eu me afastava, preferia brincar sozinha, a estar com ele. E eu tinha ali um pai, se dedicando, demonstrando amor, mas era uma criança, com o coração (por alguma razão) endurecido com relação ao meu pai.

E assim é o ser humano, e a razão é conhecida por todos, tem por nome pecado. O pecado transformou crianças puras e inocentes, em corações endurecidos, desconfiados, capazes de rejeitar o amor. Deus pai, desde a criação busca sentar-se com seus filhos. Adão, com a inocência de um coração puro, teve o privilégio de passar suas tardes com o seu Pai, caminhar com ele, conversar com ele, compartilhar do amor dele.

Mas o pecado nos rasgou a relação. Da mesma maneira que eu rejeitava o meu pai, um adolescente muitas vezes rejeita o conselho ou o carinho do pai, um jovem exige que seu pai “não se meta em sua vida”, e geração após geração, o homem se nega a sentar-se com o Pai celestial.

Deus nos chama para perto, ele nos busca. Ele nos dá noite após noite, um espetáculo de lindas e reluzentes estrelas e nos chama a prestar atenção, a calarmos e vermos o seu cuidado, mas nos negamos a dar-lhe a devida atenção. Ele nos dá relacionamentos com nossas familias e amigos e diz que é apenas uma amostra do que podemos ter com ele, mas o ignoramos mais uma vez. E até mesmo quando vamos à igreja, ele nos acompanha até lá, senta-se para nos ouvir, mas nos distraímos durante o louvor preocupados com o baterista que errou o ritmo, ou o cantor que falhou quando subiu demais numa nota.

Quando o pai se senta pra brincar com o filho, ele nos convida a sentar-se com ele, e aproveitar do derramamento do seu grandioso amor. Não continue a rejeitar o seu pai, e não escolha ser órfão quando há um Pai cheio de amor esperando por você. Sente-se com o nosso Pai, e o conheça, o sinta, o ame de volta.

Ariane Machado

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Abba...

Abba, eu pertenço a Ti
Sou integralmente de sua propriedade
Completamente entregue em Tuas mãos.
Não uma parte apenas
Não condicionada a coisa alguma
Mas me derramo inteiramente em tuas mãos
Minhas vontades agora, são as vontades que Tu plantaste em mim,
Os meus sonhos vêm de Ti.

Eu sou do meu Amado
Meu coração Te pertence
E cada sorriso meu foi plantado em meus lábios por Ti.
Tu reinas em mim
E já não há espaço para glorificar a nenhum outro
Sou completamente Tua.

Eu entrego a minha vida em Tuas mãos
Os meus dias são seus
Minha esperança está em Ti
O meu louvor vai ao encontro do Teu trono
As minhas orações são ouvidas pelo meu Amado
Meu maior desejo é encontrar-me contigo

Todos os meus medos se vão
A minha confiança está em Ti
Tu me conheces pelo nome
E o Teu amor me chama para perto
As tuas asas me protegem
E quem sou eu senão a menor que todos?
Mas amada sua
Filha de Deus

Ariane Machado

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Olhai para os pequenos detalhes



Eu tenho visto muito, nos dias de hoje, a igreja clamando pelo sobrenatural. A igreja tem pautado sua estrutura, sua visão, sua mensagem nos mistérios de Deus. E muitas estão repletas de mensagens em línguas estranhas, visões, sonhos, profecias e tanto mais.

Não as critico, a bíblia realmente fala acerca de tudo isso, e creio que o Senhor se revela a nós de tantas formas, conforme a sua vontade. Mas a minha oração nesses dias tem sido diferente.

Eu tenho orado para que eu encontre o Senhor numa simples noite, sem nenhum espetáculo espiritual, mas em tão somente olhar para as estrelas no céu. Eu quero olhar para a linda e grande lua cheia e encontrar o Criador em sua beleza. Quero ver a natureza de Deus traçada na sutileza da lua nova.

Eu quero ouvir uma canção a Deus no som das ondas do mar, e junto com ele adorar a Deus, rendendo-lhe graças. Eu quero ser levada à presença do Pai pelo soprar do vento que se apresenta nas praias.

Eu quero que o meu anseio por Deus, a minha procura pelo Pai seja tanta que eu O encontre em toda parte. Que onde quer que eu olhe lá Ele esteja. E o meu clamor por sua presença seja tão grande, que eu não precise de um evento ou um espetáculo que o meu coração humano possa desejar, mas que em tudo que me rodeia, e em cada obra do Pai, ele se revele a mim.

Que eu possa sentir o teu toque, o teu amor e o teu cuidado, não apenas quando alguém for curado, ou grandes eventos se revelarem, mas que quando a chuva vier a cair, eu veja que Ele está a regar a terra em nosso cuidado. E quando o sol nascer, eu encontre o seu amor manifestado através dos raios que retornam para nos aquecer e iluminar.

Porque a sua criação realmente o revela. E há assinaturas suas em cada uma de suas obras. “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”, declara o salmista, e ele continua dizendo que “não há linguagem ou fala onde não se ouça a sua voz”, então eu clamo para que os meus olhos e os meus ouvidos não se percam, e não deixem que a voz do Senhor passe despercebido. Que eu não espere pelo ressoar dos trovões para me lembrar que o céu fala do Senhor, mas que a todo instante eu me encha dEle ao contempla-lo nas pequenas coisas.

Olhe pela janela e encontre o Senhor Deus à sua volta! Espero que os prédios não sejam tantos para o afastar da criação, e os fios em nossas cidades não nos tire a beleza do céu. Olhe ao seu redor, e ouça Deus dizer “Te amo, filho”, seja grato a Ele, seja cheio do seu amor, e lhe responda de volta “Eu amo você, Paizinho”.

Ariane Machado

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A verdade revelada em Cristo



Um menino nasceu, um filho se nos deu, o cumprimento da promessa enfim era chegado, Jesus nasceu! Mas contrariando a toda espera dos judeus, veio sem pompa, sem destaque, palácio ou coroa. Numa estrebaria, entre animais, nasceu aquele que esperavam ser o novo Rei, e essa história revive em nossos corações nesses dias.

“Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão desde agora e para sempre” – profetizou Isaías, algumas centenas de anos antes. E era essa a esperança de seus conterrâneos. Perdidos os dias de glória dos tempos de Davi, o povo que fora cativo de tantas nações ao longo dos anos de pecado e afastamento de Deus, tinha uma promessa, promessa essa que parecia se cumprir nesses dias. O Rei dos judeus nasceu!

Natanael, quando chamado para justar-se a Cristo no discipulado exclamou: “Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei dos Judeus”. Isaías foi muito claro, anos de espera, ele era o Rei! Eles apenas não entenderam. Jesus é mesmo Rei, mas o reino era outro. Ele não tinha a intenção de lutar contra Roma, liderar um batalhão de revoltados, expulsar os romanos, garantir o cumprimento das tradições. Não era nada disso! E poucos foram o que entenderam, e mesmo aos que foi revelado a verdade do Reino de Cristo, demoraram um pouco a viver essa verdade.

Anos ao lado de Cristo, e anos de engano. Multidões o acompanhavam e essa multidão esperava pelo que ele não veio fazer. E hoje, multidões ainda o acompanham buscando o que ele não veio dar. O reino foi revelado, os discípulos pregaram por anos e deixou registrado para nós que se tratava do reino espiritual.

Essa já não é mais a dúvida, todos entendemos isso, mas nem sempre lembramos que as coisas não são tão claras quando escritas. Temos entendido que quando os profetas revelam o reinado de Jesus, eles não apontam tão claramente o que falam. E demoramos anos para entender isso. Mas ainda acompanhamos Jesus buscando o que ele não veio dar. Não mais atrás de um trono, coroa e palácio. Buscamos milagres.

As multidões dos tempos de Jesus buscavam milagres, e muita gente hoje nas nossas igrejas buscam apenas milagres. Parecem um pouco menos mal entendidos, afinal Jesus realmente cura, liberta, restaura, recupera a visão, faz coisas extraordinárias. Mas são só sinais. Sinais do que ele realmente veio anunciar.

Os milagres, o alívio dos tormentos da nossa vida de castigados pecadores é apenas um sinal, uma amostra do reino para o qual ele nos convidou. Porque lá “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor”, e toda vez que ele curou um leproso, um coxo, deu visão a um cego, não dizia que merecemos uma vida de confortos, ele não dizia que veio para nos livrar dessas dores, ele apontava para o lugar ao qual nos convida.

Ele faz milagres sim, glória a Deus, porque Ele é Todo-Poderoso, e pode sim nos curar, não só pode como faz, mas essa não é mensagem que ele veio nos deixar. Ele não viveu o que viveu e morreu como morreu para ser um milagreiro. Jesus é muito mais do que isso, e veio para muito mais do que isso.

Cristo faz Deus conhecido, ele revela Deus, para isso ele desceu, para apresentar o Pai a nós, e a partir dele o céu se abriu, agora conhecemos Deus, porque “quem o vê, vê ao Pai” e partindo da nova vida estabelecida em Cristo, há um novo relacionamento entre os homens e Deus, nele somos chamados Filhos de Deus.

Jesus veio abrir o caminho, limpar-nos de nossos pecados, e nos conduzir ao Reino dos céus. E esse reino começa a ser vivido aqui, hoje, a cada dia. Não numa vida separada da humanidade, e das dores ligadas a ela. Mas desde agora, num novo relacionamento com Deus. Essa foi a vida de Cristo, nos guiar ao conhecimento de Deus, nos levar a ser amigos dele, e ainda filhos.

Uma nova vida, não mais vivida na carne, mas renascida em espírito, para conhecer aquele que é espírito e nos relacionarmos com ele de maneira genuína, algo que venha do mais íntimo do ser. A mensagem de Cristo não é sobre o poder de suas mãos para lutar contra Roma ou realizar milagre, mas sobre um coração com um amor perfeito dedicado a nos amar, e ele nos conduz a amar o Pai de volta, e chama-lo de Pai, viver com o Pai.

Ariane Machado

domingo, 18 de dezembro de 2016

Onde encontrar o Senhor

Eu tenho sempre a preocupação de não ouvir músicas apenas por ouvir, mas dar atenção à sua poesia, tentar entender o que o seu compositor queria dizer ou o que ela me faz sentir. Seja ela “gospel” ou o que quer que seja.

Alguns cantores “gospel” atuais têm buscado uma linha de composição um tanto diferente. Em vez das costumeiras citações da bíblia, ou exaltação do que Deus pode fazer, alguns trazem reflexões que, às vezes, nem mesmo falam em Deus, mas que é possível ver os ensinamentos e princípios bíblicos permeando por entre algumas frases que, a princípio, parecem ser apenas diversão.

E há ainda casos, contrariando a toda teoria sobre o quanto é errado escutar músicas do mundo, em que você sabe que a canção não é evangélica, não traz consigo valores bíblicos, mas você não consegue ver nela o seu valor real, porque você consegue encontrar Deus nela, e às vezes de forma muito forte, mais forte do que o romantismo, ou a revolta contra o sistema tensionado pelo compositor.

Eu percebi isso com muita clareza depois de ver alguns textos no blog Minha Vida Cristã interpretando músicas seculares. E me dei conta de que realmente há composições que têm muito de Deus, mesmo quando não veem do interior de uma igreja. Mateus Machado, escritor do MVC usa algumas músicas do Charlie Brown Jr para falar disso, e a música “longe de você”, para mim, é muito forte uma descrição da procura de Deus e do encontro com Ele.



Eu sou apaixonada por músicas de adoração, aquelas que te levam direto ao trono de Deus, que nos aproximam dEle, revelando Ele em sua letra. Músicas que vão ao íntimo de nosso ser e nos "desarmam" completamente, nos levando a chegar à presença de Deus sem reservas, sem defesas. E muitas das músicas que ouço são assim, porque vejo nelas um valor muito grande na adoração.

Mas na medida em que dizemos que devemos pregar muito mais com a vida do que palavras, encontrar músicas que parecem ser simples entretenimento cheias de princípios me parece uma riqueza. Porquê da mesma forma que, às vezes, não encontraremos alguém disposto a ouvir o evangelho, e pela nossa vida de amor, mansidão e misericórdia lhes revelaremos o Pai, assim também haverá pessoas que não estarão dispostas a ouvir músicas que exaltem a Deus com clareza, e na sutileza de uma música com princípios divinos Deus lhes será revelado.

E até mesmo numa música secular, porque Deus age de formas inexplicáveis. E como ele alimentou uma multidão através de uma criança, e antes havia falado com um homem através de uma jumenta, esse nosso Deus Maravilhoso e Inexplicável pode se revelar da maneira que lhe convém. E é interessante a frequência que se pode encontrá-lo fora do padrão gospel. Basta que estejamos atentos à revelação de sua glória.

Não podemos limitar o nosso Deus às quatro paredes de nossas igrejas, Ele está presente em toda parte, e se revela em todo tempo. Às vezes tão alto como o som de trovões ou o sino de uma igreja, mas em outras, Ele é tão sutil que somente se estivermos atentos o encontraremos.

Ariane Machado

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

E viu Deus que era bom


“Alegre-se o Senhor em seus feitos”, diz o salmista no capítulo 104 do livro de Salmos. Nos versículos anteriores o autor brinca com o livro de Gênesis. Se com seriedade e com o fim de informar-nos, Moisés descreve a criação, brincando com as palavras, e com a beleza da poesia, Davi exalta a Deus descrevendo com beleza a criação.

A separação das águas, o poder de Deus sobre a gravidade e o cuidado divino sobre suas criaturas, provendo-lhes seus alimentos e o sopro que sustenta as suas vidas. Que beleza é esse salmo! “E viu Deus que era bom” é a frase repetida em Gênesis, ao fim de cada dia da criação. “Alegre-se o Senhor em seus feitos”, assim encerra, Davi, sua descrição da grandeza do Deus criador.

E ele realmente viu que era bom, agradou-se, alegrou-se e ainda se alegra diante de sua criação. Criaturas obedientes que vivem para exaltar e anunciar seu Criador. Como poderia Deus não se alegrar diante de um projeto tão belo e bem-sucedido?!

Mas na extensa lista de feitos de Deus, há uma obra que não está presa à sua vontade, e tem o poder de escolher alegrá-lo ou não, bendizê-lo ou não, adorá-lo ou não, anuncia-lo ou não. Você.

O Senhor, nosso Criador assumiu o risco. O risco de ser rejeitado, desprezado, o risco de não ter alegria em nós, sua mais preciosa criação. Ele escolheu o risco de perder-nos para nós mesmos, porque quando escolhemos Ele, Ah! Quando escolhemos Ele, o cheiro da nossa adoração é melhor do que a das mais belas flores! As cores da nossa exaltação são mais belas do que as do pôr do sol! O som de nossa canção é mais harmônico do que o canto dos pássaros!

Davi continua o capítulo declarando: “Cantarei ao senhor toda a minha vida, louvarei ao meu Deus enquanto eu viver”. Davi, repetidas vezes, errou em suas escolhas, mas ele alegrou o coração do Pai ao ponto de ser chamado ‘segundo o coração de Deus’. E foi assim porque ele escolheu alegrar ao Senhor. Que esse seja também o nosso querer. Ainda que tenhamos o entristecido ontem, façamos valer a pena o risco que Deus escolheu correr por nós. Ame-O o tanto quanto for possível retribuir o amor dele por nós. Sirva-O o tanto quanto Jesus serviu a nós. Alegre-O, exalte-O e adore-O.

Ariane Machado

domingo, 9 de outubro de 2016

Do início ao fim




Para todo escritor, ou que ao menos tentam, existe uma beleza encantadora na escrita, na criação, no poder de fazer arte. E, não sei se já notaram, mas repetidas vezes eu exalto Deus como autor e escritor. Porque eu tento, miseravelmente, descrever um pouco sobre Ele, e tudo o que Ele já fez foi descrevendo sobre ele mesmo.

“Os céus declaram a glória de Deus”, nos disse o salmista, e assim é. Por mais palavras que usemos, só descrevemos um pouco do que já nos foi mostrado e é mostrado todo dia, desde o nascer do sol e cada manifestação da glória de Deus. E além dos céus, da natureza e toda a criação, a vida anuncia algo. Todo dia, cada vida, de alguma forma anuncia um pouco de Deus.

Eu trago hoje, uma reflexão sobre uma música do Rodolfo Abrantes, que me veio à memória nesses dias, regravada por Gabriel Guedes. E a música consegue andar rapidamente de um polo ao outro do novo testamento, ou talvez, desde a profecia de Isaías sobre o nascimento de Jesus, até a profecia de João sobre a segunda vinda de Cristo.

E ouso fazer uma caminhada um pouco mais cumprida, iniciando em Gênesis. Como já disse, todo dia a glória de Deus é declarada, e desde o início, por sua autoria maravilhosa, seus planos são apresentados à humanidade.

Com início no Éden, na escrita sucinta de Moisés, temos vislumbres do paraíso, a perfeição, onde não havia choro nem ranger de dentes, como também, aperfeiçoado, será na nova Jerusalém. Ainda em Gênesis, vislumbramos num retrato parecido, a espera por um filho prometido, um filho que viria a ser sacrificado, numa amostra de Deus de que suas promessas são cumpridas, e de que é o Deus provedor de resposta e socorro.

Então, num enredo perfeito, Deus aponta para a promessa do céu e a promessa do resgatador. No livro do profeta Isaías, inspirando o compositor dessa música, Deus nos dá com clareza um relato prévio da vinda de seu filho.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Isaías 9:6


O céu começa a se abrir, o menino que veio a nós, como homem, como menino, viveu entre nós, morreu por nós e abriu o novo caminho para termos acesso ao Pai, retorna. Todo joelho se dobra diante do Maravilhoso Jesus, diante de sua soberania e poder, e a glória ao Príncipe, que não foi dada ao garoto, em vez disso o humilharam, rejeitaram e o mataram, é agora dada. Em sua segunda vinda, não mais para salvar Jerusalém, mas para resgatar a nós salvos, para a Nova Jerusalém.

Depois dos relatos de um paraíso, um jardim preparado para a comunhão entre o homem e Deus, entraremos então pelas portas da cidade, onde haverá não apenas um jardim, mas uma cidade adornada para a eternidade, para a completude do plano de Deus, para a plena comunhão, a concretização de tudo o que os 66 livros da bíblia apontam. Enfim, o encontro real e pleno da noiva com o noivo.

Ariane Machado

sexta-feira, 4 de março de 2016

Porque antes já recebemos


Estamos inseridos numa cultura na qual ganhamos a partir daquilo que oferecemos, seja em dinheiro, seja em agrados, “é dando que se recebe”. Conquistamos as pessoas com o que lhe entregamos de nós, e então recebemos, numa espécie de troca. Vivemos com intensidade as culturas de nossos meios sociais e parece que esquecemos que as regras que regem o mundo espiritual são diferentes.
Muitos têm deixado de ver os dízimos como uma devolução em gratidão daquilo que recebemos, e acham que é um argumento para o momento no qual queiramos cobrar uma dívida de Deus conosco, acreditando, erroneamente, que Deus nos deve algo, e que alguma coisa que vem dele possa ser comprado. Oferecendo canções pensando agradar a Deus, para receber dEle bênçãos. Quem sabe distorcendo as práticas da vida cristã para adaptar à sua vontade, ou talvez apenas vitimados de más interpretações.
O livramento a Paulo e Silas na prisão, por exemplo, servindo de argumento para mostrar que se louvarmos seremos atendidos. Paulo e Silas não cantaram a Deus como uma senha para que a cadeia se abrisse, eles estavam dispostos a permanecer ali se fosse a vontade de Deus, eles louvaram porque decidiram confiar em Deus, mesmo quando a situação lhes parecia pouco favorável. Eles louvaram em gratidão por tudo o que Deus já havia feito na vida deles, porque se tudo acabasse ali para eles, receber a salvação teria bastado, porque ser presos por causa do evangelho de Cristo já era em si recompensador, porque “Bem aventurados os que sofrerem perseguições por fazerem a vontade de Deus”.
No livro de Salmos, no capítulo 59, Davi relata a zombaria e ameaça que vinha sofrendo de seus inimigos, ele encerra o capítulo louvando ao Senhor, e ele diz: “Mas eu cantarei louvores à tua força, de manhã louvarei a tua fidelidade; pois tu és o meu alto refúgio, abrigo seguro nos tempos difíceis.” O louvor de Davi não é porque Deus o livrará, mas Pois Tu és o meu refúgio, não porque se louvarmos moveremos os céus e Deus virá até nós, e será nosso refugio e abrigo, mas porque Ele é. O louvor a Deus deve ser em gratidão, uma entrega de si, não na espera de algo.

A adoração é um momento de devolução, devolver com o que temos de melhor, daquilo que já recebemos. É entregar nossa vida em louvor a Deus porque temos uma vida, e foi Ele quem a deu. É agradecer, é retribuir um pouco do muito que recebemos diariamente, abundantemente, insistentemente.

Não há troca no reino de Deus. Podemos sim orar, clamar por algo de Deus, uma cura, uma bênção. Mas não se estabelece como um comércio, não podemos lhe oferecer louvor a fim de receber bênçãos. A adoração é a nossa escolha em ser grato, e louvar a Deus levando essa gratidão ao seu trono.

Na biblia tem exemplo de pessoas que entregaram algo de si a Deus sem sinceridade, e essas pessoas foram castigadas. A vida com Deus não é a simples obediência de regras, não é para seguirmos um manual e o agradaremos. Deus quer um relacionamento com o seu povo, uma relação afetiva, e ela se estabelece com amor, confiança, sinceridade. Não é apenas ofertar algo a Deus, o mais importante é que a própria vida seja ofertada, e assim haverá verdade em cada adoração posterior.

Na história da igreja primitiva vemos o relato de pessoas que vendiam suas propriedades em favor do reino, elas abriam mão de seu conforto para cooperar com a proclamação do reino de Deus, Deus não lhes pediu isso, mas eles decidiram adorá-lo também dessas maneira. Um casal decidiu também vender, mas pensaram ser possível negociar com Deus, sua oferta não foi uma adoração, mas uma compra mal sucedida. Deus sonda o nosso coração, Ele conhece as nossas intenções, Ele sabe quando há sinceridade.

A história de caim é um outro exemplo de uma oferta que foi simplesmente uma oferta, que não chegou ao trono de Deus como uma adoração de cheiro suave. Eu não sei o que faltou a caim, ou o que ele tencionava, mas seu sacrifício não agradou ao Senhor. Adorar não é fazer o que os outros crentes estão fazendo, não é ir pra igreja, cantar os louvores, levantar as mãos, ofertar e dizimar. Isso pode ser apenas uma rotina. A adoração é mais profunda. Ela é um relacionamento, ela é estabelecida pela confiança e gratidão a Deus, simplesmente porque acordamos hoje, porque o sol está brilhando lá fora, ou pela chuva que cai, porque temos uma família, amigos, emprego, ou até mesmo se não temos, mas confiamos na misericórdia de Deus.

Adorar a Deus é honrá-lo também, é exaltá-lo, entronizá-lo. É reconhecer quem Deus é, e sua glória e majestade, e o pôr em seu lugar, colocá-lo no centro de nossas vidas, no trono de nosso coração. 

Nada começa em nós, mas em Deus. Se o amamos, é porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19). E assim deve ser o nosso louvor, e se ele vier a nós com bênçãos, que o louvemos mais uma vez, entregando-lhe ainda mais gratidão.

Ariane Machado

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Encontrando Deus

Eu quero voltar a olhar para as estrelas e pensar em Ti, ó Deus, lembrar-me que a Tua imensidão é maior do que a grandeza do firmamento, recordar que tamanha beleza está sob os Teus pés, e o que está além é ainda maior e melhor do que o quanto é revelado, lembrar que ainda sendo quase infinitas as estrelas, o Senhor as conhece pelo nome.

Senhor, não posso olhar o céu azul e não me lembrar da perfeição e grandeza, não posso ouvir os trovões e não lembrar que Tu és Soberano e Todo-Poderoso, e que todo o domínio está em Tuas mãos.

Que o canto dos pássaros me lembre que eles os fazem para o Seu louvor, e me faça recordar da confiança que depositam em Ti e que eu possa aprender, a como eles, descansar e confiar em Seu amor e misericórdia.

A natureza revela a Tua majestosa glória, e assim diz a sua palavra:

Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.
Não há fala, nem palavras; não se lhes ouve a voz.
Por toda a terra estende-se a sua linha, e as suas palavras até os confins do mundo.
Salmos 19:1-4a

Os meus olhos não podem estar tapados para ignorar isso, nem os meus ouvidos desatentos para o que vem de Ti, mas que eu me junte às obras de Tuas mãos e revele quem Tu és e fazes, e meu coração seja incansavelmente grato a Ti, e se eu me esquecer, me deixa voltar a ver o céu e as estrelas e ouvir o canto dos pássaros e os Teus trovões.


Ariane Machado