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quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Amor, apesar do pecado


    O amor de Deus é único e tem características que vão além e é ,às vezes, até antagônico ao amor que nós somos capazes de viver e de expressar, em nosso amor egoísta, limitado e dependente. De forma que quando somos apresentados ao amor de Deus nós chegamos a questionar "como pode?", como Ele pode me amar apesar de quem eu sou e do que faço? Como ele pode me amar nesse nível e tamanho que somos incapazes de dimensionar? E às vezes ainda em nossa vaidade nos pensamos dignos desse amor, e apontamos para o outro perguntando "aquele que está naquela condição... como pode?".

    Mas o amor de Deus não é como o nosso. E que bom que não é, ou seríamos todos rejeitados. Porque para início de conversa, achamos que o outro precisa ser merecedor para receber o nosso amor, o outro precisa ser digno, ter méritos, preencher requisitos que o tornem aptos do nosso amor. E agora está em alta a palavra reciprocidade, se eu não receber de volta na mesma medida, acabou, o outro não merece mais o meu amor. E assim vamos criando barreiras para vivenciar e dedicar o amor aos outros, porque o nosso amor é vaidoso, e falho. 

    E essas barreiras são transferidas para Cristo, como Ele pode me amar, se eu não mereço? Como Ele pode me amar se eu não sou reciproca na medida que Ele me ama? Como eu posso ser amada se eu peco? Se o meu pecado faz separação entre eu e Deus?

    O amor de Deus, no entanto, é perfeito, afinal, Ele é o próprio amor. Eu não sei se Deus tem células, mas se tem, todas as células de seu ser são compostas de amor. Deus é amor, e Ele ama de uma maneira que nenhum de nós é capaz, ao ponto de ser possível a Ele amar a mim e a você.

    Um amor que nos constrange, porque Ele nos olha em nosso mais vergonhoso estado de pecado, de miséria, de palavras malditas, de sentimentos ruins, de atitudes vergonhosas, e Ele nos ama. Um amor que não se deixa levar pela falta de reciprocidade porque ele não nos ama porque nós o amamos primeiro  (I João 4:19), pelo contrário, Ele nos ama porque sua natureza é amar, nos ama porque Ele nos fez de maneira especial, Ele nos ama porque Ele nos separou para si, e mesmo diante do nosso pecado e falhas, ele permanece amando.

    Ele permanece amando porque Ele é fiel a si mesmo, e Ele é amor, de maneira inalterável, Ele ama. Ele permanece amando também porque Ele nunca foi pego de surpresa com o nosso pecado, de forma que o fizesse ficar decepcionado conosco, abalando o seu amor. Mas ele nos criou, nos sustenta, criou uma resposta de amor ao nosso pecado, completamente consciente de nossos vacilos acidentais, e de nossos erros cometidos deliberadamente por causa da maldade de nosso coração.

    Ele conhece exatamente a dimensão e a realidade de nossos pecados, de como esses pecados nos afastam dele, pecados que têm ferido a outras pessoas, ferido os nossos próprios corações e traçando uma inimizade profunda com ele, e sua resposta de amor tem o tamanho perfeito capaz de transpor qualquer profundidade de pecado, liberando sobre aquele que é tocado por esse amor e se volta para ele em fé com arrependimento, o perdão que é suficiente para qualquer pecado ser anulado e ser jogado no mar do esquecimento.

    É realmente constrangedor pensar em quem somos, e em quem muitas vezes insistimos em ser, apesar de todo esse amor, mas é também reconfortante saber que o amor de Deus permanece, e ele nos transforma para uma nova vida.

    Podemos não ter uma resposta que faça sentido sobre porque o Deus Todo-Poderoso tem por nós esse amor perfeito, mas devemos ter a certeza de que seu amor é inalterável, incondicional e constante, apesar de nós. E esse amor é o que nos garante vida, perdão, salvação, a condição de filhos, e a promessa de eternidade.

terça-feira, 5 de julho de 2022

Uma igreja calada

"Hoje a igreja está desesperadamente necessitando de entendimento a respeito dos tempos e da habilidade de responder adequadamente."

Este trecho é de Joel Richardson em Quando um Judeu Governar o Mundo, certamente o autor diz mais a respeito dos tempos, mas eu tenho pensado já faz um tempo, e por isso a frase me saltou aos olhos, sobre a habilidade de responder adequadamente. Ou a falta dela.

Muitos cristãos, vez ou outra se destacam com por suas falas polêmicas, suas defesas vociferadas aos gritos, ou suas acusações ao mundo, condenando-lhes ao inferno e exaltando a si. Infelizmente cada vez mais comuns. Essas falas no entanto, não são institucionais, assim como as vozes, que cautelosamente tentam o diálogo, buscam conversar, mostrar seus pontos, e até abraçar.

Mas e a igreja, tem se ajuntado a qual dos coros? A igreja, na verdade, está calada. Perdeu a sua habilidade de comunicação.

A igreja se cala diante das perguntas que a bíblia não traz uma resposta tão clara. Ou que não agrada tanto. Se escondendo na correria da vida, nos escândalos de alguns, ou dentro de si mesma. A igreja se tornou inacessível, um grande clube para os que falam sua língua, mas para aqueles que perguntam, a resposta é o silêncio.

A igreja se cala diante das acusações. Algumas com aparente razão, porque a mensagem da cruz é realmente loucura para quem está de fora, então desagradar ao mundo enquanto se é fiel à palavra de Deus é perfeitamente normal, e quando as acusações são contra os nossos princípios, a igreja deveria argumentar, mostrar porque pensa e age de tal forma, apresentar os princípios e preceitos de Deus que justificam a discordância entre igreja e mundo. Mas na verdade se cala.

E muitas das acusações do mundo são realmente plausíveis, se envergonhar e se arrepender deveria ser seguido de um pedido de desculpas, de uma explicação, mudança de comportamento. E não de se ajuntar e se proteger dentro de seu silêncio, guardar seus erros, seus líderes, seus escândalos, acumulando enganos e não os tratando institucionalmente.

A igreja se cala diante dos conflitos, uma igreja covarde, uma igreja entre a cruz e a espada, que não quer desagradar a Deus nem aos homens, tornando-se fraca, sem personalidade, e desenvolvendo filhos que não sabe lidar com os assuntos difíceis, que se perde quando confrontado, ou que quer resolver no grito, sem argumentos, porque pouco conhece a respeito da postura cristã.

Uma igreja que muitas vezes se ausenta de aprender e de ensinar, afastada da realidade do mundo, sem diálogo, uma igreja calada. Que sem o outro vai se perdendo dentro de si mesma, uma igreja doente...

Mas é tempo de cura, é tempo de reconhecer que não sabe e aprender, reconhecer que está há tempo demais guardada em seus templos e aprender a conversar, tempo de quebrar os muros e construir pontes. Não para aceitar as vontades do mundo, não para abraçar os pecados, mas para ouvir, para abraçar pecadores, inclusive os de dentro que precisam se refazer, mas abraçar para tratar, aprender a falar não para acusar, mas voltar a anunciar as boas novas a todos, falando na língua de quem ouve, alcançando às necessidades daqueles que ainda tentam dialogar conosco e estão dispostos a nos ouvir. Aos que já cansaram dos gritos de alguns e do silêncio de outros, ore. Que acima de tudo, é isso que a igreja faz.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Ele te vê


Tem um episódio de 'The Chosen' (se você ainda não assistiu, precisa assistir) com um título muito parecido com esse, 'I saw you' (Eu vi você), e desde que eu o assisti pela segunda vez eu tenho repetido esse título em mente, Eu vi você, Ele vê você, Ele me vê.

Ele realmente me vê. Sem dúvidas, Ele também te vê. Ele te vê e conhece você, conhece o que você sente, conhece a sua dor. Deus vê as suas lágrimas, aquelas que você compartilha apenas com seus amigos mais próximos, e ele vê aquelas que ficam guardadas somente com você, quando você chora sozinho, sem consolo e geralmente sem esperança.

E ele não vê apenas porque ele conhece todas as coisas, de maneira bem genérica, não! Ele te vê de maneira específica e particular. Não numa imagem abrangente de todo o globo, não numa daquelas imagens entupidas de coisas em que nos jogos precisamos achar alguma coisa específica, Deus te vê como se não houvesse nada à sua volta, sem nenhum impedimento ou interferência, não de maneira vaga, Deus te vê individualmente, em seus momentos de choro, em seus problemas, em suas dores, e ele conhece cada uma delas.

E vamos para mais uma negativa. Ele não conhece as suas dores simplesmente porque ele sabe de todas as coisas. É incrível como a humanidade de Deus em Jesus não é útil apenas para nos salvar (o que já seria mais do que o suficiente), mas por ter sido feito humano, nascido e passado por dores, Jesus "sabe o que é padecer", sim Jesus conhece a ansiedade, a dor de dente, a frustração e o dedinho que bate na quina da mesa, pois Ele passou por tudo isso.

E conhecendo as nossas dores, e vendo as nossas dificuldades, Ele se compadece de nós, Ele olha para nós com olhar de amor e cuidado e Ele tem respostas, consolo e amor para nós. Parecem palavras absurdas de serem ditas, mas Deus, o Criador e sustentador de todas as coisas, um dia sentiu em si, em sua carne, e seu coração e mente as mesmas dores que nos afligem, e quando ele olha para nós e nos vê em nossas lágrimas e frustrações Ele não despreza essas dores como se não fossem nada, ele não diz melhoras, supere, mas também, você queria o quê?!, Ele diz Eu sei, Eu também estive aí, Eu passei por algo parecido, e você não está só. E mais! Ele diz que pode nos consolar. Sim, porque Ele te vê, e Ele conhece a sua dor, Ele pode te consolar.

Nossas lágrimas não precisam ser escondidas, não precisamos fingir que não sentimos, e não podemos achar que ninguém se importa, porque Ele vê e Ele não fica indiferente diante de nossa dor. Ele te vê, e essas palavras foram suficientes para Natanael, por que ele entendeu que ele nunca esteve sozinho, mesmo quando (com toda liberdade literária dada ao filme) ele se afasta de tudo e de todos e vai lamentar sua frustração sozinho debaixo da figueira, mesmo quando ele questiona Deus e apresenta suas razões para ser honrado, mesmo quando Deus poderia apontar-lhe o dedo como fez a Jó lhe perguntando quem pode aconselhar Deus, como numa revelação inesperada ele soube, Deus o viu, e não com acusações, Deus o viu com amor e consolo.

Disse-lhe Natanael: “De onde me conheces?” Respondeu-lhe Jesus: “Antes de Filipe te chamar, quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi”. (João 1:48)

Que diferença fez a Natanael saber que Deus o via? Que Deus o via com amor? E que diferença faz para você, saber que não está sozinho? Deus te vê, e conhece cada pedacinho seu, quando sofre e quando está feliz. Deus te vê.


Ariane Machado.


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Por Amor Aos Patriarcas



Lembro-me quando escrevi sobre Roberta Vicente e seus olhos que brilhavam ao falar de Jesus, mostrando sua paixão, seu amor por Cristo. Influenciando a tantos ou pelo menos a mim, a ser um pouquinho mais como ela, amar mais, olhar mais para Cristo. Vendo-a fazer escolhas se pondo completamente dependente de Deus, e deixando o dinheiro em segundo plano, ou em terceiro, quarto...
Hoje eu quero falar sobre outra pessoa que tem me inspirado a um novo nível e um novo caminho no conhecimento de Deus. Não o vejo em tantos vídeos como Roberta para falar se seus olhos brilham ou não, mas vi alguns vídeos, tive algumas aulas e tenho ouvido muito dele em podcasts, inclusive um conduzido por ele, e lido também coisas que ele tem produzido e já ansiosa para ler seu livro Por Amor Aos Patriarcas. E se não vejo o brilho de seus olhos, eu vejo seu esforço, vejo suas conquistas em seus estudos, como é movido pelo amor de Deus, pelo amor de Deus a um povo, pela fidelidade de Deus a uma promessa.
Este é Igor Sabino, apaixonado pelos judeus, pelos árabes e por todo contexto do oriente médio, baseado não em uma partida de futebol como a me levou a olhar com carinho para os turcos, nem baseado na cultura pop que leva tantos olhares ao Estados Unidos, mas baseado nas escrituras. Sua paixão me levou a olhar para os judeus como eu nunca tinha olhado, mesmo cristã há 25 anos, nunca fui levada a amar nem odiar os judeus, nunca os culpei pela morte de Cristo, mas tampouco os amei como o Israel de Deus.
Me constrange saber que a Bíblia é tão enfática e constante em falar desse amor, mas que vaidosos como somos, pegamos as promessas de um povo e colocamos sobre nós, que nos autodenominamos Israel de Deus, que ignoramos a herança de sangue e até mesmo o contexto do nascimento de Jesus e nos colocamos num lugar que não é nosso.
Mas hoje vejo nosso erro, e me obrigo a uma posição diferente em busca de conhecê-los mais, me inspirando um pouco nos passos de Igor, talvez eu não vá a Israel, mas se daqui de longe posso amá-los o farei, se daqui de longe posso orar por eles o farei, se daqui de longe posso convidar-te a olhar para eles o farei, a olhar para a Bíblia, olhar para Paulo reafirmando o amor de Deus e olhar para todo o Antigo Testamento e todo amor, todo o plano de Deus, todas as promessas, todas as revelações, todo o cuidado e toda paciência de Deus para um povo amado por ele, cuidado por ele, gerado por ele, por amor a Abraão, Isaque e Jacó, por amor aos seus servos fiéis, e ele continua a amar o velho Israel, o novo Israel e eterno Israel de Deus.
Eu não tenho o mesmo alcance que Igor, mas se um dos meus leitores não o conhece, quero apresentá-lo a esse único leitor e te convidar a conhecer seu podcast, seu curso e seu livro POR AMOR AOS PATRIARCAS, que provavelmente nos fará mergulhar nesse amor, nas promessas, no que a bíblia revela, mas que distraidamente, senão por egocentrismo, temos ignorado por tanto tempo.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Um nascimento sacrificial

O sacrifício de Jesus pela salvação da humanidade não se inicia na cruz, nem mesmo em sua prisão no Getsêmani, ou na angustiante oração sozinho que travou pouco antes da prisão. O episódio da ultima ceia, certamente carregou em si a dor da despedida, acompanhada da ansiedade pelo que haveria de vir, que Cristo já antevia. Tão pouco começou três anos antes, com o início de seu ministério e seus 40 dias de fome e sede no deserto.

"No princípio era o Verbo, [...] e o Verbo era Deus", se sua vida não iniciou em sua humanidade, o seu conhecer também antecede tal período, ao longo de sua existência Jesus tinha conhecimento do que haveria de suportar em carne por amor à humanidade, mas sem experimentar. Sem um corpo físico ou nossas emoções imperfeitas e conflitantes.

Mas então, ele nasceu. Grande alegria sobre toda a terra, a noite mais aguardada pelos céus e pela terra chegou! A estrela brilhou e indicou o caminho, os magos viajaram para o adorar, os pastores, os anjos, o ancião Simeão, e quem quer que estivesse atento soube, o grande dia chegou! A libertação para Israel chegou! Um novo tempo foi instaurado! Para Herodes era uma ameaça, ora, um novo Rei nasceu! E para Jesus...

Bom, era um novo tempo também para ele. Aquele a quem "pertence o mundo e tudo o que nele existe", que tem todo o poder, agora chorava na tentativa de informar à sua mãe que tinha fome, uma nova sensação que nunca experimentara, uma incapacidade que lhe privava de falar, pegar os objetos com segurança, levantar e andar em suas próprias pernas, que roubava-lhe toda a autonomia, mesmo tendo ainda todo o poder ao alcance de suas mãos

A humanidade é a imagem e semelhança de Deus e fruto do seu amor, mas submeter-se a viver sendo como sua criação é descrito por Paulo como humilhação. Jesus se humilhou, Jesus se limitou, se privou, se submeteu a dores e dificuldades, que sua natureza divina nunca lhe permitira sentir.

A vida de Jesus não foi um conto de fadas até chegar aos históricos, grandiosos e imponentes dias de sua morte e ressurreição. Jesus veio ao mundo colocando-se numa sociedade dominada pelo império romano, que sofria com os abusos de Roma, passando por dificuldade financeiras, e não na capital, mas numa cidade pequena e pobre. Uma cidade com problemas de abastecimento de água, numa época sem metade das comodidades a que temos acesso. Mas ele experimentou das mesmas aflições pelas quais passamos ao longo da vida.

O simples nascimento foi um expressão de amor, mas como a bíblia declara o amor é sofredor, mesmo o perfeito amor é acompanhado de sofrimento. A noite que hoje comemoramos com luzinhas, as mais fartas comidas, as pessoas mais amadas, e regada de presentes, em sua versão original foi desconhecida para a quase todos, num ambiente que não foi preparado para tal, sob a companhia de animais, rejeitado desde já pelo dono da pousada que não recebeu seus pais Maria e José, e já caçado pelo Rei Herodes.

O início do sofrimento de Jesus é marcado pelo inicio de sua vida humana, mas acompanhado da melhor revelação de Deus, a manifestação da graça, da verdade e principalmente do Amor de Deus. Estava se cumprindo seu plano perfeito.

Ariane Machado

terça-feira, 2 de maio de 2017

Encontrando o Autor



De todas as belezas criadas por Deus, a que mais me encanta e me leva a todas as noites busca-la, é o céu negro coroado de estrelas. Mas em cada noite, e a cada estrela eu peço ao Senhor que elas me direcionem a Ele. E em mais um desses pedidos, eu pude entender algo que o Senhor sussurrava a mim, insistentemente.

“Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas”


Eu clamava “que olhar as estrelas me levem a ver o seu Criador, Senhor” e clamor crescia para “que olhar cada criação me leve a ver o Criador, Senhor” e conclui olhando para o homem.

“Que ao olhar para o homem, eu encontre a Ti, Criador, na beleza da criação, na complexidade do sistema nervoso, em cada toque do seu amor. E na bondade de quem, com amor, oferece um abraço, um carinho. Mas que eu também consiga notar a sua ausência num rosto sem paz ou alegria, num coração sem amor.”

O versículo escrito por Paulo faz de Cristo o motivo, a razão, o alvo, certamente, o foco. Nada mais importa que vejamos, por que Jesus é o foco. E entendendo isso, eu posso olhar para uma criança que brinca feliz e encontrar Jesus nela, a alegria que vem dos céus, a leveza e inocência da infância que tanto tem a ver com o Reino de Deus. Posso olhar para um casal apaixonado e ver o amor, que procede do próprio Amor, ou a compaixão do Pai em um olhar, sorriso ou abraço.

Mas posso também não encontrar a leveza em um coração amargurado, e como pessoas que têm Jesus como Centro, responsabilizar-nos por fazer Cristo ser achado também nesse coração. E ainda no que é acompanhado por tristezas, dores e vícios.

Se tudo vem dEle e para Ele é, eu entendo que aquele que destoa desta “regra” não alegra o coração de Deus, e se para isso fomos criados, não alegra também ao de quem se esquiva desta equação. E não posso, portanto, ser egoísta ao ponto de não me esforçar e, nem ao menos, importar-me em fazer Cristo conhecido por esses.

Preciso, por certo, apresentar o foco para aquele que anda perdido e gritar “Ei, você sem amor, eis aqui o Amor”, “E você sem esperança, eis a Esperança para você”. E, incansavelmente, ter Deus como centro de nossas vidas, encontrá-lo em todo tempo, e levá-lo aos que não o receberam. Zelando para que tudo seja porque dele, por Ele e para Ele, a começar pela minha própria vida.

Ariane Machado

sexta-feira, 3 de março de 2017

Evangelho a preço de bala

Não era a minha intenção, mas percebi que o título desse texto tem um duplo sentido. E parece que o evangelho, como o título, tem polarizado duas interpretações. Um evangelho a preço de bala, daquelas que odiamos receber como troco, que não custam quase nada. Mas há quem se surpreendeu com essa interpretação, esses provavelmente pensaram em balas como munição de um revolver, que nos apresentaria um evangelho a custo de sangue. Qual é o da bíblia?

“Assim fica fácil! A custo de sangue, claro. Afinal, Jesus morreu por nós”. Mas a partir daí, qual o seu preço? Agora temos um cristianismo fácil e confortável? Cheio de prosperidade e bênçãos, sem cruz e sacrifícios?

Então, o que dizer dos apóstolos e os primeiros cristãos que morreram por causa da mensagem de Cristo, e para que ela chegasse a nós? E os muitos que morrem ainda hoje ou são perseguidos por professarem essa mesma fé?

Temos um evangelho bem confortável no Ocidente, mas ainda assim, não deve ser ao custo de um doce.

Para Jesus, o preço foi de cruz, e para nós é o mesmo. Sei que a bíblia nos garante que com Cristo o fardo é mais leve, mas Ele mesmo nos convida a carregar a nossa cruz. Ele nos convida a uma vida de renúncias. Renunciar aquela uma hora e meia em que poderíamos estar em qualquer lugar, mas escolhemos cultuar a Deus em comunhão com os irmãos, mas também renunciar a nossa mão e olho, se eles nos afastam de Cristo (Mateus 5), ou abrir mão de nossa própria família se necessário for, por amor a ele (Mateus 10).

Jesus não nos pede o básico, um pouco do nosso coração ou tempo. Jesus pede o nosso coração por inteiro, a nossa vida dedicada a ele no amor superior ao amor por qualquer outro. Um amor que nos torna completamente entregues a ele, que nossa vida seja para sua adoração e serviço, e que se assim não for, de nada serve.

Um evangelho a preço de bala, a preço de cruz, como foi com Jesus. Ao custo que for, até mesmo da vida, por amor a Deus.

Ariane Machado