terça-feira, 5 de abril de 2016

De toda glória e humildade



Deus tem poder para nos dar muito mais do que o que temos. E até o que conquistamos com nossas próprias mãos passam por Ele, por Seu poder e Sua permissividade. A bíblia fala em prosperidade. A bíblia fala de como o Senhor recompensa com bênçãos aos que lhe obedecem, seja dando-lhes mais dias (Êxodo 20), seja com bênçãos mais palpáveis (Salmos 1). Mas esse não é de forma alguma o foco do evangelho. E o evangelho não se baseia em trocas.

Estaríamos mais do que acabados se para tudo que recebemos do Senhor precisássemos antes merecer. Para início de conversa, a salvação nem passaria por perto de absolutamente nenhum de nós. Nenhuma honra chegaria a nós, a humanidade por certo teria se dissipado há muito tempo. Eu digo isso porque dia após dias nos superamos em nossos erros, e até mesmo quando acertamos erramos ao nos gloriar e pensar que somos dignos de algo.

A canção sobre a qual falo hoje, nos convida a ser menos de nós mesmos, nos convida a esperar menos que apareça a nossa imagem e que haja menos glória a nós. É claro que é natural ao ser humano o desejo de ser reconhecido, o desejo de ser recompensado diante de seus acertos. Mas se bem me lembro, o sobrenatural nem sempre é sobre ir além do natural, mas, às vezes, é ser o seu avesso. E buscamos nos distanciar desse homem natural.

Viver o evangelho caminha em conhecer o Deus a quem servimos e de quem esperamos as recompensas. E decidir diminuir para que a glória de Cristo apareça não é muito além de conhecermos quem somos diante de Deus e procurarmos o nosso lugar, e darmos a Deus a honra e lugar devido.

É claro que dá pra receber pra si a glória de Deus, por vezes se prostraram diante dos discípulos em gratidão a eles ou buscando adorá-los para receber cura, mas os discípulos de Jesus aprenderam quem eles eram, e reconheciam a grandeza do Deus todo poderoso.

Se conhecêssemos o Senhor, saberíamos que sua glória é gigante. Saberíamos que Ele é infinitamente maior do que nós, que não merecemos nem mesmo que Ele se incline a ouvir uma simples oração nossa. Saberíamos que todo o universo está debaixo do seu poder, que até mesmo o tempo está debaixo do suas mãos.

Se conhecêssemos a Deus e a nós, saberíamos que somos apenas criação sua. E se Ele nos ama não é porque somos alguém, mas Ele é, alguém misericordioso e perdoador, alguém que consegue amar até mesmo a quem o despreza, que ama a quem o ama tão imperfeitamente. E isso já transborda o suficiente. Mas Ele é ainda o nosso Salvador e consolador. E é quem nos promete a eternidade.

Se conhecêssemos Jesus, saberíamos que Ele é o próprio Deus, mas sujeitou-se a viver na terra como homem, passando por tudo o que passou, limitando-se apenas aos recursos humanos, em vez de ser Deus com todo poder e glória (Filipenses 2). Saberíamos que o Deus que se fez homem não veio para ser Rei sobre Jerusalém ou Galileia, mas para servir, servir ao Pai, servir a nós. E aprenderíamos com Ele, como Ele mesmo nos convida, “aprendei de mim que sou mando e humilde de coração” (Mateus 11).

Se O conhecêssemos, nos constrangeríamos diante de sua humildade e serviço, e não procuraríamos por glória, mas, buscando parecer com Ele, lhe daríamos ainda mais glória, e em vez de mostrar nossas obras ou o que temos conquistado, mostraríamos o Cristo a quem servimos e que nos salva. Diminuiríamos o nosso eu, matando-o cada dia. Para que Jesus apareça.

Poque o evangelho não é sobre mim, nem sobre você. O evangelho é sobre Cristo. Ele é o centro do evangelho. Jesus é o centro da igreja. E se Ele não é o centro de nossas vidas, imagino que estamos caminhando um caminho diferente do da igreja de Cristo, e do que a bíblia aponta.

Ariane Machado

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